Quem pensa em fazer Jogos Digitais não vai parar de estudar nunca. Saiba o motivo

- Atualizado às 16:46
Por - Narley Resende
(Foto: Divulgação)

Em ascensão no mercado nacional e internacional, o profissional de Jogos Digitais tem um leque de opções de atuação. A profissão se divide em até dezenas de funções. Pode atuar com desenvolvendo de programas, com a parte artística ou ainda explorar a comunicação da área, com produção de vídeos, peças publicitárias, streemings, entre outras. Os jogos em si podem ser educativos, de aventura, ação, simulação 2D e 3D, entre outros diversos gêneros. A criação de jogos digitais é apenas um dos segmentos, sendo que há etapas complexas no desenvolvimento, gestão de projetos de sistemas, análise de mercado no mundo digital interativo, em rede ou isoladamente. Há dentro de uma plataforma a função exercida por desenvolvedores e outras essencialmente artísticas.

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Dono da Animvs, empresa desenvolvedora de jogos em Curitiba, o programador Andrei Daldegan aponta que o segredo está no desejo por atualização. “Antes de mais nada a pessoa tem que estar disposta a estar atualizada. A tecnologia muda muito rápido. A tecnologia que a gente usava há três anos já mudou completamente; é um esforço contínuo manter-se atualizado com a tecnologia de high-end (de ponta). Tem que ter um espírito de aprendizado contínuo. E é essencialmente criativo. É importante ter uma mensagem para passar”, resume. A Animvs acaba de lançar o jogo Dungeon Crowley e trabalha na obra-prima da empresa, o IX - The pilgrim’s Path. 

Recentemente Daldegan apresentou seu trabalho aos alunos da Game Escola, que ensina programação e criação de jogos. O programador aponta que o primeiro passo para os aspirantes é montar um portfólio. “Os profissionais tem que se qualificar bem tecnicamente. O mercado não absorve muito os profissionais. Temos muita gente se graduando. A primeira opção é criar o próprio jogo, em vez de ser aproveitado pelo mercado. Tem público para tudo, mas muita gente não está preocupado com jogo ‘AAA (Triple A). A entrada do mercado se inicia na confecção do seu próprio portfólio. Essa é uma área não regulamentada e não precisa ter um diploma necessariamente. É necessário criar pequenos protótipos no decorrer de seu aprendizado, isso é o primeiro passo. Se o cara é artista ele vai ter uma ‘ArtStation’. Se o cara é programador ele vai ter código no ‘GitHub’. Eu recebo currículos aqui e a minha preocupação não é a graduação, e sim o portfólio que vale mais que qualquer coisa na minha opinião. É uma área bem prática. Isso que as empresas procuram”, orienta. Nesse ramo é possível diversificar. “Essa área é a de desenvolvimento de software. Existem pormenores nos jogos que tornam ele peculiar, um pouco mais complexo, mas essencialmente é um software. Uma das coisas que tem acontecido no mercado de games brasileiros é a atuação em em diversas áreas por parte do profissional. Tem que ser bom em solução de problemas, gestão de projetos, é completamente o que a gente vê em engenharia de software. Um profissional de desenviolamento de jogos consegue atuar em outras áreas, como desenvolvimento de sites, aplicativos. Os artistas conseguem trabalhar na produção de propaganda, marketing geral e identidade visual.”, diz.

Daldegan confirma que a demanda por profissionais dos jogos digitais está em ascensão no Brasil. “Existe uma demanda, mas para isso ainda precisa que as empresas se estabeleçam e no geral nos últimos quatro anos aumentou em 300% o número de empresas de jogos no Brasil. O gargalo de contratação da área é a situação do País (por causa da crise econômica). Todo mundo se organizando ainda”, pondera.

Embora muitas das profissões que envolvam o desenvolvimento de jogos não seja regulamentada, já há em Curitiba um curso de graduação em jogos digitais. “O mercado de jogos é muito maior do que a gente imagina. Existe desde o espaço dos jogadores, existe todo um mercado envolvido em práticas de gamers, seja em relação à produção audiovisual, atrelada ou mesmo à concepção de jogos em diferentes modalidades”, explica a coordenadora do curso de graduação em Jogos Digitais da UniCuritiba, Luciana Reitenbach Viana.

O professor Bruno Mendonça, da disciplina de Projetos, afirma que o curso de graduação na área organiza cada segmento e prepara para um mercado profissional. “Isso para todas as plataformas, para console, aplicativo, tanto para aplicação na web. Existem hoje grandes campeonatos de jogos que envolvem desde o dinheiro da premiação, até a cobertura jornalística, cobertura com licenciamento de TV para transmitir tudo isso. Então a gente percebe expansão bem grande desse mercado. Isso torna interessante a gente formar profissionais que tenham essa visão”, afirma.


Em outra ponta da formação de profissionais dos games em Curitiba está a escola Octopus, que também conta com uma unidade em São José dos Pinhais. Como uma introdução que antecede o curso acadêmico, a escola técnica em atividade há oito anos tenta colocar os alunos em prática com foco no segmento artístico dos jogos digitais e dá ao estudante oportunidade de criar seu portfólio.

“Dentro desse segmento (jogos) é a parte artística (a especialidade da escola). Tem o cara da programação, que é mais matemática, algoritmo, etc. E nós aqui oferecemos para o ‘cara da cor, do cenário, da história’. Aquele que olha para um jogo e pensa no melhor personagem. Isso aqui é uma escola artística. Trabalhamos com jovens que são aproveitados pelo mercado. Eles chegam aqui com mil ideias e organizam aqui. A faculdade oferece o processo teórico, nós oferecemos a prática”, explica o diretor comercial da Octopus, Nilo Fernandes. A Octopus aceita alunos até com 6 anos de idade. “Em games até de 12 anos em diante. Desenho tem até com 6 anos. Mas no geral Games o mínimo é que seja 14 anos. Tentamos direcionar de acordo com o perfil. Tem meninos que estão na idade de olhar o computador como diversão e tem quem já entenda de outra forma. O curso de Animação 3D, que é o de Games, todos os curso, têm começo, meio e fim”, pontua.

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