PUC e UP ‘abraçam’ reforma trabalhista e viram campeãs em demissões

- Atualizado às 20:51
Por - Rodolfo Luis Kowalski
(Foto: Valquir Aureliano)

Duas das maiores instituições de ensino privado do Paraná e do Brasil, a Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR) e a Universidade Positivo (UP) têm se destacado ultimamente não tanto pela qualidade de ensino, mas pelo número de demissões. Apenas nos últimos dias, por exemplo, a UP demitiu cerca de 30 professores e coordenadores de curso, mesmo com o semestre letivo em andamento. 


Já a PUC, segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana (Sinpes), aparece ao lado da UP entre as universidades privadas que mais demitem na Capital. A alegação mais comum das instituições para os desligamentos, segundo o presidente do Sinpes, Valdyr Arnaldo Lessnau Perrini, é de contenção de gastos.

A situação, contudo, contrasta com o bom momento econômico que as duas instituições vivem. Enquanto o Grupo Positivo (que inclui também o Colégio e Curso Positivo) teve lucro líquido de R$ 117,6 milhões em 2017, a PUCPR, no mesmo ano, registrou lucro de R$ 102,7 milhões - os balanços de 2018 ainda não foram divulgados. 


“Eles fizeram uma degola. Alegam contenção de gastos, mas sabemos que essas grandes instituições de ensino estão superavitárias, então não teriam porque agir dessa forma”, protesta Valdyr Perrini, apontando ainda que os professores com mais tempo de casa tem sido os principais alvos de demissões, embora não sejam os únicos.


Como exemplo, cita o caso da PUC, que há cerca de três anos terceirizou todo o seu sistema de vigilância e limpeza, o que teria resultado em praticamente 5 mil demissões, segundo o Sinpes. Hoje, até mesmo o estacionamento da instituição é terceirizado, com os alunos sendo obrigados a pagar valores além da mensalidade para poderem deixar seus carros dentro da universidade.
“É uma coisa mais ou menos generalizada essa postura voraz (das instituições privadas de ensino), eles querem o restino dos nossos direitos, quinquênio (adicional por tempo de serviço), irredutibilidade de carga horária... A PUC chegou ao disparate de negociar esses direitos trabalhistas com uma comissão de professores e de fechar com eles, sem chamar o sindicato. Acham que com a reforma trabalhista podem tudo, mas não é assim. Ainda tem o mínimo de Estado social.”


Demissões fazem parte de ‘movimento natural’
Procura pelo Bem Paraná, a Universidade Positivo confirmou, por meio de nota, que houve recentes demissões de docentes, assim como contratações (entretanto, não foram informados quantos profissionais teriam sido demitidos, nem quantos foram contratados). Segundo a instituição, “isso faz parte de um movimento acadêmico natural, baseado na adaptação a novas disciplinas, novos cursos e diferentes demandas dos estudantes e do mercado”. 
Na nota, a UP ainda “reforça que valoriza os profissionais que já fizeram ou ainda fazem parte de seu corpo docente, pois eles são essenciais para cumprir o objetivo de oferecer uma educação de excelência para os estudantes matriculados em cerca de 250 cursos de Graduação, Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado.”


Matérias EAD são ‘precarização horrorosa’ 
Um dos fatores que estaria impactando na demissão de professores, segundo o Sinpes, é a presença cada vez maior de matérias à distância nas grades curriculares dos mais diversos cursos de graduação. Na visão de Valdyr Perrini, na prática essas novas modalidades de ensino representam uma “precarização horrorosa do ensino”.
“É um problema muito grave porque esses cursos por EAD (Ensino à Distância) acabam criando uma falsa sensação de que a pessoa está diplomada, mas no mercado de trabalho quem se forma nessas circunstâncias têm muitas dificuldades. Colocam 300, 400 pessoas com um mesmo tutor, mas é um canto da sereia. Eles aglutinam centenas de alunos sob a responsabilidade de um único professor numa matéria EAD e aí a coisa se precariza”, critica.

Para sindicalista, é preciso resistir ao sistema atual
Questionado sobre como vislumbra o futuro das universidades particulares no Paraná, Valdyr Perrini, presidente do Sinpes, faz uma avaliação nada animadora. “Vai acompanhar essa deterioração geral. Vamos ter de chegar no final desse túnel e aí ver uma luz. Enquanto houver toda essa orquestração de precarização dos direitos, temos de estar preparados para resistir dois ou três anos de vacas magras”, prevê.
Além das demissões, conta eles, outras medidas que essas instituições têm tomado vão no sentido de reduzir a carga horário (e consequentemente o vencimento de professores) além de criações e alterações recorrentes nos planos de cargos e salários.
“A Positivo, por exemplo, tem vários planos de cargos e salários, cada vez precarizando mais a condição do professor. Os doutores contratados há pouco tempo hoje ganham menos do que os especialistas contratados há mais tempo. Estamos bem preocupados, está complicado de trabalhar na Positivo”, desabafa.
Segundo ele, a situação dentro da UP se agravou depois das eleições do ano passado. “O processo recrudesceu depois da eleição do Oriovisto (Guimarães, fundador do Positivo, eleito senador pelo Podemos). Aguentaram para ganhar o voto da turma. Fechadas as urnas, começou a degola geral. Muita gente me liga arrependiodo de ter votado nele.”

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