Projeto reúne 12 artistas com proposta de espaço compartilhado de criação no MuMA

Artistas do projeto O corpo na linha de borda
Artistas do projeto O corpo na linha de borda (Foto: Divulgação)

O projeto O Corpo na Linha de Borda, proposto por 12 artistas, inicia uma ação em espaço compartilhado no Museu Metropolitano de Arte (MuMA), a partir de hoje, com abertura de exposição no dia 4 de dezembro. Vai até o dia 22 de fevereiro de 2022. O coletivo é composto por Ana Beatriz Artigas, Bernadete Amorim, Claudia Lara, Efigênia Rolim, Giovana Casagrande, Gustavo Caboco, Leila Alberti, Luan Valloto, Luciá Consalter, Marília Diaz, Rafael Codognoto e Verônica Filipak.

A ação com participação do público acontece de hoje até a próxima segunda-feira (29), em que as/os artistas realizarão em tempo real a elaboração das obras e o público terá acesso ao espaço de trabalho. Somente no dia 23/11 é necessário realizar um cadastro (nome completo e RG), os outros dias o acesso será liberado, basta apenas conferir os horários específicos divulgados.

A proposta é fazer com que as pessoas vejam como acontece o processo criativo durante o “fazer” das obras, trazendo uma proximidade do público com a arte e os artistas,desenvolvendo percepções e reflexões mútuas durante estes encontros. De acordo com o grupo produzir obras dentro do espaço expositivo e vivenciar a experiência artística em convivência com os outros artistas e com público amplifica a compreensão do processo criativo e contribui para a completude da comunicação em arte.

Após essa experiência, entre os dias 30/11 e 03/12, começará a montagem da exposição, com abertura no dia 04 de dezembro, em que cada artista exibirá uma obra de sua autoria, que terá um QR code (código virtual), em que o público poderá, por meio do seu celular, assistir vídeos que relatam conceitos das obras e de seus processos.

Outro diferencial do projeto é que todos os artistas envolvidos são co-curadores, em parceria com a curadora principal Leila Alberti, pensado de forma coletiva e imersiva, sempre com abertura e participação das pessoas em todos os processos que levam à realização de uma exposição: desde aação processual, feitura, e finalmente o resultadodentro de uma instituição.

“Iniciamos a preparação para este momento, que guarda algo de experiencial e de imprevisível, por meio de encontros sistemáticos, porém orgânicos por um longo período. Também adotamos uma metodologia comum entre artistas, o caderno de artista, alfarrábios de notas individuais, porém desta vez, de alguma forma orquestrados num sistema de comunicação e trocas que combinamos entre nós. Estamos e estaremos em exercício de observação, pesquisa, ação e trocas. Vivemos um momento tão intenso de reformulação: repensar, reavaliar, reimaginar, refletir sobre o que tem funcionado e o que não. Acreditamos que os processos em arte, e em outras áreas, nos proporcionam novos e positivos fluxos em nossa evolução humana”, ressaltam.

Início, pandemia, limites e mudanças

O coletivo conta sobre como surgiu esse projeto, há quase três anos.“Nos últimos três anos nos encontramos para conversar sobre arte; em ateliers, exposições, palestras, feiras e na paisagem de Curitiba. Somos um grupo de 12 artistas e nos reunimos em torno do interesse pela arte contemporânea e pelas fronteiras expandidas que ela permite, de maneira particular à atitude de pesquisa constante que ela nos possibilita e o uso da matéria têxtil. Entendendo que o encontro potencializa nossas ações individuais, elaboramos uma ação que combina diferentes momentos e instrumentos, neste projeto: O Corpo na Linha de Borda.Temos, no nosso histórico como grupo, uma mobilidade que nos permite pertencer mais, ou pertencer menos, aproximarmo-nos e afastar-nos. Isso nos permite exercitar a elasticidade e a malemolência da matéria que nos aproxima e que marca a obra de todos nós”, explicam.

Decididos a trabalhar sobre o corpo como temática de investigação, já em meio ao processo, houve a pandemia do Coronavírus, que impactou a sociedade a partir do corpo. “Passamos a ter limites onde antes não tínhamos. Estar próximo, fisicamente, do outro se torna um problema que pode separar a saúde da doença”, relatam.

A partir desse fato, em fevereiro em 2020, houve uma mudança na forma em que o projeto passou a ser pensado e desenvolvido. Os encontros presenciais foram substituídos por encontros on-line. Além das comunicações individuais, realizaram ao longo do ano passado onze encontros, dois dos quais com artistas convidados, que vieram falar sobre seus processos de criação. “Talvez este projeto tenha nos ajudado a vivenciar e a sobreviver a este período, favorecendo o experimento. Mais uma vez, reitera-se o valor do processo no desenvolvimento do entendimento e na expressão do entendimento”, refletem.

Os artistas explicam que mesmo não sendo possível o toque físico, houve uma troca de saberes, que romperam as fronteiras da tela, inclusive ao final de 2020, tendo realizado o exercício do “Caderno de Processo” para encarar o desafio da obra coletiva para a vitrine no MUMA.

A proposta

O processo como centro do trabalho

A ideia central é que o processo aconteça no mesmo momento em que o trabalho está sendo realizado. O acontecimento que cerca o trabalho, que lhe serve de ambiente, de espaço, e que o marca de maneira definitiva e indelével. “Percebemos que os fatores individuais se alteram na medida em que, pela proximidade, nos contaminamos, um do fazer do outro, o outro do pensamento de um, da forma de vermos uns dos outros, do entendimento, dos entendimentos, das expressões, dos desejos, e mais, das expressões dos desejos. Percebemos ainda, que na austeridade do momento do mundo que nos toca, a necessidade do encontro, a potência própria do coletivo, se impõem sobre as iniciativas individuais, restaurando ânimos, acrescentando às capacidades reflexivas e realizadoras que caracterizam os trabalhos em grupos, as ações coletivas e entendemos que nosso fazer em grupo, a despeito de todas as nossas produções individuais, deviam estar no centro dos nossos encontros”, pontuam. Outras ações serão realizadas pelo coletivo ao longo de período expositivo, que segue até 22 de fevereiro de 2022. A divulgação será feita pelos canais do museu e pelas redes sociais, nas plataformas: Facebook: https://www.facebook.com/ocorponalinhadeborda e Instagram: @ocorponalinhadeborda

Serviço
O corpo na Linha de Borda
Ondem: Museu Municipal de Arte (MuMA). Av. República Argentina, 3430, Terminal do Portão
Quando: a partir de hoje. Horário de funcionamento: 10h às 19h
Quanto: grátis

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