Professores de universidades particulares de Curitiba descartam greve por enquanto e abrem negociação

Por - Josianne Ritz
(Foto: Geraldo Bubniak)

Em assembleia virtual realizada na tarde desta sexta (10), professores das universidades particulares de Curitiba descartaram uma greve imediata em resposta à onda de demissões nas instuiçõe. Segundo informações da assessoria do Sindicato dos Professores de Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana (Sinpes), ficou decidido que a categoria vai abrir negociação com o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Paraná (Sinepe-PR) para parar as demissões e garantir condições adequadas de trabalho. 

Os professores têm até o dia 17 para enviar propostas ao Sinpes, que vai criar uma proposta coletiva para ser apresentada ao sindicato patronal. Entre as propostas já incluídas, estão a divulgação dos critérios para demissões, transparência de dados e estabalidade durante e pós pandemia do Covid 19. 

Nas últimas semanas, em maior ou menor escala, UniCuritiba, Universidade Positivo (UP), Uninter e Unibrasil dispensaram profissionais.  Segundo o presidente do Sinpes, Valdyr Perrini, descobrir a quantidade real destas demissões é um desafio. “A Reforma Trabalhista de 2017 retirou a obrigatoriedade de que as rescisões contratuais sejam feitas nos sindicatos. Assim, temos dificuldades para contabilizar o número de baixas ao final de cada semestre. Os dados enviados ao Sinpes são repassados pelos próprios professores, pelos membros da diretoria do sindicato que atuam em universidades e também por alunos que atuam em Diretórios e Centros Acadêmicos. O sindicato faz reiterados pedidos de informação às instituições, mas sem sucesso.”, explicou ele.

Para o dirigente, as universidades usam a pandemia como desculpa para demitir e aos poucos substituir o ensino presencial pelo Ensino à Distância (EAD). “Trata-se de um processo de mercantilização do ensino superior que despreza a qualidade dos profissionais que atuam em sala de aula e diminuem consideravelmente a qualidade do ensino oferecido aos acadêmicos”, explica ele. O sindicato também já marcou audiências no Ministério Público do Trabalho do Paraná (MPT-PR) para tratar das demissões e mudanças na UP, na Uninter e Unicuritiba.

As mudanças e demissões têm preocupado os alunos também. Os acadêmicos da Universidade Positivo, por exemplo, têm se manifestado por meio de postagens nas redes sociais e marcaram uma manifestação em frente à instituição neste sábado (11), às 15 horas. Os universitários do Unicuritiba realizaram uma manifestação com buzinaço na frente da entidade no dia 19 de junho e conseguiram na Justiça uma liminar contra a mudança da grade, que era uma das pretensões do Grupo Ânima, que comprou a UniCuritiba em 2019. A decisão foi do juiz Fabiano Jamur Cecy, da 18ª Vara Cível. A ação foi movida pelo Centro Acadêmico de Relações Internacionais Primeiro de Janeiro (dos estudantes de Relações Internacionais), pelo Diretório Acadêmico Clotário Portugal (dos estudantes de Direito) e pelo Diretório Central dos Estudantes. Para o presidente do Sinpes, o engajamento dos alunos contra as mudanças e demissões tem sido importante:“Até porque eles são os maiores prejudicados, afinal contrataram o curso com uma estrutura e recebem outra”.

Reportagem publicada nesta sexta (10) revelou não só as demissões, como também trouxe depoimentos de professores demitidos. Leia AQUI

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