Polarização impulsiona venda de camisetas de candidatos a presidente em Curitiba

- Atualizado às 21:25
Por - Rodolfo Luis Kowalski
(Foto: Franklin de Freitas)

A polarização política, que atingiu nível inédito na atual eleição (e tende a se agravar ainda mais nas próximas semanas, com o embate entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro no segundo turno), acabou se tornando também uma boa oportunidade de negócio. Investindo nas paixões e convicções ideológicas de partidários dos dois lados, comerciantes vendem produtos relacionados aos dois candidatos, principalmente camisetas.
No site da OLX, por exemplo, são mais de 40 anúncios de camisetas apenas em Curitiba, a maioria deles de camisetas pró-Bolsonaro. Proprietária da empresa Suprema Cartuchos e Informática, Bruna Gualdezi conta que decidiu começar a vendes camisetas na última semana, após pedidos de pessoas próximas. Como já possuía uma prensa térmica para sublimação, resolver investir no produto para conseguir um complemento de renda.
“Começamos a divulgar nos grupos e deu muita repercussão. Até hoje não pediram camisas do PT, mas já fizemos uma camisa do #EleNão e também saiu muito do Bolsonaro”, conta Bruna, que vende as camisas por R$ 30 (camisas brancas) e R$ 35 (camisas coloridas). “Agora, que ficou só dois candidatos, tem aumentado a demanda. Na última semana vendemos umas 10 camisas. Nessa já vieram uns cinco pedidos.”
Outra empresa que tem investido nesse tipo de produto é a marca Dona Salomé. Jessica Ferreira conta que a empresa surgiu há 3 anos e não tinha intenção de vender camisetas relacionadas à política. Após a campanha do #EleNão, contudo, ela aproveitou e começou a vender há cerca de duas semanas as camisetas relacionadas ao movimento, que estão sendo comercializadas por R$ 25.
“Começamos a vender a pedido de alguns amigos. Temos vendido de 20 a 30 camisetas por dia e fazemos bem rapidinho, em 24 horas já entregamos”, conta Jessica, explicando ainda que muitas pessoas aproveitam quando vão buscar suas compras para desabafar sobre política. “Tem algumas pessoas que já aproveitam para falar o que pensam, descarregar um pouco”.

Quem anuncia os produtos sofre ataques dos dois lados

Para lidar com esse tipo de comércio, contudo, é preciso estômago. Tanto Bruna (que tem vendido mais produtos relacionados ao Bolsonaro) quanto Jessica (que aderiu à campanha do #EleNão) relatam ter sofrido muitos ataques ao anunciar seus produtos em sites e grupos de venda nas redes sociais.
“Muita gente mandou mensagem criticando, xingando. Teve um tempo bem complicado. Alguns clientes relatam até que sofrem bastante preconceito nas redes sociais quando postam imagens com as camisetas”, conta a proprietária da marca Dona Salomé.
Já Bruna comenta que tem até evitado publicar anúncios em grupos de vendas nas redes sociais. “A gente vende mais para pessoas que conhecemos, grupos de amigos, pessoal que está participando de campanha, manifestação. Grupo fechado para compra e venda não dá, é muito ataque.”

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