Playlist do Tusquinha tem curitibanos na Austrália, Boldrin, Bardot, Xuxa com Chico e Jane sem Herondy

- Atualizado às 23:28
Por - Barulho Curitiba
(Foto: Divulgação)

A playlist de Ayrton Baptista Junior, o Tusquinha, produtor de esportes da Rádio CBN Curitiba, é voltada à música brasileira, mas foge dos lugares comuns. Algumas canções até fizeram sucesso. Hoje, no entanto, não tocam nem nas rádios de flashback. O cardápio tem funk, sertanejo, rock, samba, rap e até o pouco conhecido dueto de Xuxa com Chico Buarque.

“Xuxa gravou O Caderno com Chico Buarque, mas eles não estiveram juntos no estúdio. Xuxa era apresentadora da TV Manchete e o produtor Roberto Menescal, da gravadora Polygram, percebendo que o carisma dela também venderia disco, pegou canções já lançadas por Chico, Caetano Veloso e Zizi Possi, entre outros, e adicionou a voz da Xuxa. O disco Xuxa e Seus Amigos foi lançado em 1985, com sucesso, um ano antes dela trocar a Manchete pela Globo”, conta o jornalista.

Não faltam artistas paranaenses, como Janine Mathias, Ant, Cabes, Grupo Fato, Rogéria Holtz e Marrakesk, banda pop que curitibana, que canta em inglês e tem contrato com uma gravadora australiana, a October Records. Não é do Paraná, mas morou no interior do estado o saxofonista norte-americano Booker Pittman (1909-1969), padrasto da cantora Eliana Pittman. Booker chegou à América do Sul na segunda metade dos anos 1930, transitando entre Brasil e Argentina. Nos anos 1950, esquecido, debilitado pelo excesso de álcool e drogas, ele tocou em boates de Londrina e de Santo Antônio da Platina sem que os frequentadores soubessem que estavam diante de um músico que, nos Estados Unidos, se apresentou ao lado de Louis Armstrong”.

Outro nome que tem história no Paraná é a cantora Jane Morais, que formou com Roberto e Sidney o trio Os Morais. Na relação do Tusquinha, o trio aparece com Freio Aerodinâmico, composição de Marcos Valle, lançada em 1971, quatro depois de uma apresentação em Curitiba. “A Jane é a do Herondy, da famosa dupla, do sucesso Não Se Vá. Eles são paulistas, mas se conheceram no Hotel Guaíra, na praça Rui Barbosa, aqui em Curitiba, em 1967. A Jane cantava com os irmãos e Herondy veio com outro grupo”, afirma o jornalista que ouviu a história do próprio casal, em uma entrevista para a CBN, no ano passado. Jornalista esportivo, Ayrton Baptista Junior não deixou o futebol de lado.

Aqui no Barulho Curitiba tem O Futebol da Bicharada, moda de viola escrita e cantada por Raul Torres ainda no tempo do disco de 78 rotações (primeira metade do século) e regravada em 1979 por Rolando Boldrin. E surge também uma curiosidade sobre o hino do futebol brasileiro, como é chamado o tema do cinejornal Canal 100. O futebol, com imagens coloridas, principalmente o do Maracanã, era a atração mais esperada do noticiário semanal de curta-metragem que estreou em 1957 nos cinemas de todo o país. Tusquinha conta: “Muitos torcedores chamam de Que Bonito É!, por causa do refrão, mas o título desta música é Na Cadência do Samba. Quando lançou o Canal 100, o produtor Carlinhos Niemeyer usou uma versão instrumental da orquestra de Waldir Calmon. E o ritmo de gafieira colou perfeitamente com o dos craques. Mas a letra original, do compositor Luiz Bandeira, não inclui futebol. Eu escolhi a versão com letra, gravada pelo Nelson Gonçalves.

O ritmo é o mesmo. Empolgante!”. Entre os intérpretes, há uma estrangeira famosa, a atriz Brigitte Bardot. Tu Veux Ou Tu Veux Pas, versão de Nem Vem Que Não Tem, sucesso de Wilson Simonal. “A música é do Carlos Imperial que, fanfarrão, dizia ter sido o único homem que tirou dinheiro da Brigitte Bardot. Azar do Nonato Buzar, parceiro de Imperial na canção. Buzar não botou fé na música e, por isso, não a assinou, não ficou com nada dos direitos autorais. Mas, pelo menos, ele não ficou à pé. Com o bolso cheio, Carlos Imperial deu um carro para o amigo”. E agora: chega de história! Eis a playlist.

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