Pequenos empresários de Curitiba criam Movimento Fechados pela Vida e pedem lockdown

- Atualizado às 16:42
Por - Ana Ehlert
(Foto: Reprodução)

O Movimento Fechados pela Vida, composto por quase 200 pequenos empresários do comércio do setor de gastronomia, entretenimento, bares, salões e lojas, inicou nesta segunda-feira, 16 de junho, um abaixo-assinado angariar assinatura e pressionar as autoridade a decretarem lockdown. Em duas horas, 650 pessoas tinham assinado a iniciativa e, às 9 horas desta quarta-feira, 1.200 assinaturas das 1.500 almejadas tinham sido conseguidas. 

O Movimento está na plataforma Change.org e pede que "Prefeitura de Curitiba: decrete o lockdown antes que o sistema de saúde entre em colapso. Para sensibilizar a população, o grupo argumenta que no dia 16 de junho, Curitiba estava com 85% da capacidade total de leitos para covid-19 ocupadas. Cita ainda que a taxa de ocupação ocorre exatamente um mês após a flexibilização do fechamento do comércio, que segundo o prefeito, nunca foi realizada.  Relata que, com a anuência da Prefeitura, no dia 17 de maio, estabelecimentos de grande fluxo como shoppings e igrejas ganharam aval para abertura.

Uma da organizadoras do movimento, a empresária Janaína Santos afirma que a intenção é coletar o maior número possível de assinaturas antes de sexta-feira, 19 de junho, data em que os números são reavaliados pelas autoridades municipais de Saúde. "Acreditamos que é preciso agir rápido para evitar o colapso do sistema de saúde e também ter um plano de ação para que o lockdown seja efetivo, com fiscalizacao ampla. Além disso também pedimos mais apoio às pequenas empresas que são as mais afetadas e as que menos receberam ajuda financeira", diz.

Janaína reclama ainda da fragilidade da fiscalização. "A fiscalização precisa atuar, hoje a fiscalização demora 30 dias e a guarda municipal, nem a polícia estão preparadas para agir em casos de aglomerações", afirma. Ela relata uma tentativa de denúncia de aglomeração no Largo da Ordem. Ao ligar para a Guarda Municipal de Curitiba, conta Janaína, foi informada de que eles já tinham ido ao local e orientado as pessoas sobre a aglomeração. "Eles não estão obedecendo e não tem uma lei que os obrigue a cumprir. Podemos apenas orientá-los", teria dito o guarda que atendeu ao chamado.

"E nós, como pequenos empresários, estamos numa situação bem delicada, como não foi decretado o lockdown no início da pandemia, as poucas ajudas que chegaram através do decreto de suspensão de salários, que pagou os salários dos nossos funcionários por 2 meses estão no fim. Precisamos de mais ajuda econômica para poder fechar para o combate da pandemia e não fechar pra sempre", explica a empresária.

O movimento Fechados Pela Vida pede desde o anúncio da "reabertura" que a Prefeitura de Curitiba assuma seu papel de liderança no combate a epidemia e decrete o fechamento, por igual, em todos os setores da economia e um lockdown severo, rápido e eficaz. 


O Movimento pede as seguintes medidas aos poderes público, municipais, estaduais e federais: 

- O decreto do lockdown mais rápido possível para que o Sistema de Saúde não entre em colapso na Cidade de Curitiba e os efeitos econômicos sejam menores;

- Controle do transporte público para que este não seja também um foco de contagio paralisação da atividade ou através de aumento significativo da frota para que não haja aglomerações;

- Plano de ação de combate à pandemia, com estágios definidos do enfrentamento, transparência de dados sobre capacidade de leitos covid-19 e não covid-19, bem como de outros índices e também de pacientes com SRAG.

- O plano de ação deve estabelecer períodos para cada estágio do enfrentamento e datas para avaliação de dados da pandemia, possibilitando assim que todos possam compreender os estágios e realizar planejamentos;

- Plano econômico para sobrevivência de empresas, principalmente pequenas ou médias, profissionais autonomos e desempregados. Sem um plano econômico o fechamento para pandemia será um fechamento em definitivo para muitas empresas, gerando falências em massa e crescimento acelerado do desemprego. Queremos fechar e contribuir no combate a pandemia, mas também queremos condições para sobreviver e se reerguer após ela.

- Como pequenas e médias empresas, somos o setor que mais emprega na economia, contudo também somos o setor com maior dificuldade de acesso à crédito e com maior dificuldade financeira. Cidades como Niterói e Foz do Iguaçu liberaram linhas municipais de crédito.

- É necessário também a desburocratização das linhas de crédito do BNDES que são oferecidas pela Fomento Paraná. Neste momento de emergência econômica, pequenas empresas enfrentam mais de 2 meses de burocracia para ter acesso à credito;

- Diretrizes para fiscalização de aglomerações e ambientes que possam ser de grande contágio, sejam eles públicos ou privados, para que as normas de distanciamento social sejam respeitadas. Estas diretrizes devem ser realizadas em conjunto com a vigilância sanitária, epidemiológica, bem como guarda municipal e polícia militar;

- Aumento de fiscais através de contratação emergencial para que a as fiscalizações sejam ágeis e eficazes. Durante o período da pandemia, estabelecimentos foram denunciados na central 156 e foram fiscalizados somente após 30 dias. A Guarda Municipal e Polícia Militar também não acolhem denúncias pois não há decreto que regulamente a fiscalização;

- Redução/Subsídio de tributos municipais e estaduais, redução das contas de água e luz, bem como auxílio nas negociações de aluguéis;

- Reabertura baseada nos 6 critérios de flexibilização da quarentena pela OMS e planejada, através de diálogo com setores da economia e de especialistas da área da saúde.

- Todos os setores da economia devem contribuir de forma igualitária no combate à pandemia, caso haja restrições para setores específicos elas devem ser decretadas através de critérios técnicos, em conjunto com medidas econômicas e diálogo com os setores. Fechamento parciais sem critérios técnicos somente prejudicam economicamente setores da economia em detrimento de outros;

- Medidas específicas de planejamento econômico para os setores de entretenimento e cultura, como bares, teatros, casas de show, baladas, bem como de todo setor cultural que tem seus ganhos nesse ecossistema como músicos e artistas, bem como a busca de soluções criativas para sobrevivência e retomada do segmento;

- Campanhas educativas para conscientização e educação da população em cada estágio do enfrentamento da pandemia, bem como orientação sobre realização de denuncias e também de ações de prevenção. No momento de retomada econômica, estas medidas educativas também são importantes para ensinar como se portar em estabelecimentos públicos e privados para reduzir a possibilidade de contágio. 

Pedimos às autoridades competentes seriedade e liderança diante da pandemia.
Prefeitura de Curitiba, decrete o lockdown. 

Movimento Fechados Pela Vida #fechadospelavida.

Uma corrente para que Prefeituras e o Estado do Paraná atuem firmemente no combate à pandemia e, além de informações objetivas, dêem suporte a bares, restaurantes, comércios e afins para que sobrevivam de portas fechadas e preservem vidas.

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