Para sindicato, ao negar espaço para evento, PUCPR assume política discriminatória contra estudantes LGBTIs

- Atualizado às 14:00
Por - Redação Barulho Curitiba
Evento censurado
Evento censurado (Foto: Reprodução)

O Sindicato dos Professores de Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana (SINPES) divulgou nesta sexta (23) nota de repúdio ao que chamou de censura homofóbica realizada pela PUCPR e de solidariedade ao Coletivo Estudantil Diversidade (CED). Na nota, o sindicato diz que com a decisão "a PUCPR assume uma política abertamente discriminatória contra seus estudantes LGBTIs".

Fundado em meados de maio deste ano, o Coletivo Estudantil Diversidade (CED), que tem como objetivo promover a conscientização, debates e pesquisas em relação ao público LGBTI+, teve negado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) um pedido para a cessão de um auditório, onde seria realizado o evento de lançamento do CED. Segundo os estudantes que participam do movimento, a negativa teria partido, primeiramente, da coordenação do Curso de Direito. “Primeiro (a negativa) veio através do coordenador do curso de Direito, diretamente para mim, e hoje de manhã (quinta, 22) foi reafirmada pelo coordenador junto com o Setor de Identidade da Instituição”, conta William Antônio Costa Grande, fundador do Coletivo. O  CED apontou que a negativa da instituição teria sido uma forma de censura.

Veja a nota do SINPES  na íntegra:

"O Coletivo Estudantil Diversidade (CED) da PUCPR foi censurado pela instituição, com a proibição da realização de evento de fundação do coletivo, que aconteceria nas dependências daquela instituição na próxima semana. A PUC confirma a censura em nota oficial e a justifica de forma contraditória, primeiro afirmando que houve problemas formais para o evento, mas em seguida justificando que deveria "salvaguardar o diálogo e evitar toda forma de intolerância nesse momento conflituoso". Ou seja, a PUC quis "evitar o conflito" e entendeu que a melhor forma seria silenciar pessoas LGBTIs. O Brasil é o país que mais assassina LGBTs no mundo, uma violência ainda invisível justamente por atitudes como a da PUCPR, que silenciam o assunto e fazem parecer equivalentes os "conflitos" gerados pela violência contra pessoas LGBTIs e os "conflitos" gerados pelo debate público dessa violência. A natureza dos fenômenos é distinta e a PUCPR possui suficiente esclarecimento sobre o assunto, com diversos professores e professoras comprometidas com pesquisas consistentes sobre a temática. O fato é que a instituição não consultou seus docentes, não tem interesse em suas opiniões sobre o evento e, provavelmente, faz do "diálogo" a palavra que, futuramente, será traduzida como censura, homofobia e ataque às liberdades democráticas de expressão, organização e pluralidade política. A PUCPR assume uma política abertamente discriminatória contra seus estudantes LGBTIs. O SINPES, que representa os professores e as professoras da instituição, faz questão de manifestar que o corpo docente da universidade não pensa da mesma forma e expressar solidariedade ao Coletivo Estudantil Diversidade, que orgulha a comunidade acadêmica de Curitiba, pela força com que os jovens assumem seu papel na luta por direitos e pela educação. Ficamos à disposição do CED para diálogo sobre apoio do sindicato ao coletivo. Desde já, disponibilizamos nossa sede para reuniões e debates com outros coletivos que defendam as mesmas pautas"

O outro lado

Por meio de nota, a PUCPR afirmou que o Coletivo Diversidade não teria seguido os trâmites internos necessários para a realização de qualquer atividade acadêmica e que, "para salvaguardar o diálogo e evitar toda forma de intolerância nesse momento conflituoso", a Reitoria da PUCPR, o curso de Direito, juntamente com a Diretoria de Identidade da Universidade, "não endossa a realização do referido evento no Câmpus".

Abaixo, confira, na íntegra, a nota da instituição:

O Coletivo Diversidade, em uma iniciativa própria, definiu a realização do evento de fundação nas dependências da Universidade, no dia 28/08, sem seguir os trâmites internos necessários para a realização de qualquer atividade acadêmica. Para salvaguardar o diálogo e evitar toda forma de intolerância nesse momento conflituoso, a Reitoria da PUCPR, o curso de Direito, juntamente com a Diretoria de Identidade da Universidade, não endossa a realização do referido evento no Câmpus.

Cônscios de que a antropologia fundamental do processo de ensino-aprendizagem da PUCPR é pautada pelos valores do Evangelho, entendemos que o debate acerca da diversidade e da interculturalidade é extremamente necessário, sendo o ambiente acadêmico, local propício para o desenvolvimento de pesquisas, grupos de estudo e fóruns sobre estes e outros temas, como acontece na Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Amparados na tradição Marista, estamos abertos ao diálogo, por meio do respeito, da acolhida e da sinergia resultante das nossas relações a partir das expressões da cultura, seus agentes e contextos.

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