Os LPs ‘bolachões’ estão de volta e são tendência

- Atualizado às 07:41
Por - Ana Ehlert
Procura por disco de vinil cresce em Curitiba: mercado dos ‘bolachões’ está em crescimento
Procura por disco de vinil cresce em Curitiba: mercado dos ‘bolachões’ está em crescimento (Foto: Franklin de Freitas)

Os hipsters — nome dado aqueles que gostam de misturar o antigo com o novo para criar um estilo próprio —, trouxeram de volta ao cenário musical os Long Plays (LPs), discos feitos de vinil e chamado por quem já está na casa dos 50 anos, carinhosamente, de ‘bolachão’. Na década de 1990, o vinil perdeu espaço para a ‘pureza’ do som extraído dos Compact Disc (CDs). Anos depois, quando uma leva de fiéis do som ‘sujo’ se desdobrava para encontrar agulhas com ponteiras de diamante, para tocar os velhos discos nos aparelhos de som antigos, a nova geração a chamava de saudosista. No entanto, como diz a máxima ‘quem viver, verá’, essa mesma paixão parece ter renascido exatamente desta nova geração. A despeito das novas tecnologias, neste ano o bolachão é tendência e a indústria fonográfica prevê vendas de LPs superiores as de CD. E isso não ocorria desde 1986.

No último ano, a Recording Industry Association of America’s (RIAA) lançou um documento mostrando que as vendas de CD caíam três vezes mais do que o aumento na venda de vinis. Em fevereiro, o RIAA mostrou que a venda de discos de vinil corresponde a mais de 1/3 da venda de artigos físicos. 
A receita dos vinis cresceu 12,8% na segunda metade de 2018 e 12,9% na primeira de 2019, enquanto a receita de CDs quase não se mexeu. Se essas tendências continuarem, discos de vinil vão logo começar a gerar mais dinheiro do que os CDs. A previsão é de que os LPs superem a venda de CDs pela primeira vez desde 1986.

Apesar do crescimento do vinil, o streaming ainda domina a indústria musical no mundo - discos foram apenas 4% da renda total do primeiro trimestre de 2019. Em contraste, assinaturas pagas dos serviços de streaming geraram 62% das vendas da indústria. 
Essas mudança já encontram eco no mercado de discos em Curitiba. Segundo as informações da assessoria de imprensa do grupo Livrarias Curitiba, no primeiro semestre de 2019 os vinis representaram 5% do faturamento total da área de Áudio&Vídeo (CD, DVD, BD, LP). E embora os CDs tenham respondido por 24% do faturamento, as vendas de CDs vêm diminuindo ano após ano. “O público está modificando o jeito de ouvir música e está trocando o CD pelo vinil — mais comprado por colecionadores — ou streaming — mais procurado pelo público mais jovem”, diz o grupo por meio de nota.

Entre os Long Plays (LPs) — como são chamados os discos de vinil —, mais vendidos em 2019 nas 28 lojas do Grupo Livrarias Curitiba do Paraná, Santa Catarina e São Paulo, estão Secos e Molhados, Raul Seixas, Jorge Ben, Led Zeppelin, Belchior, Tim Maia e Novos baianos. 
O perfil do consumidor deste tipo de produtos nas lojas do grupo Livrarias Curitiba é formado por pessoas com idade média acima dos 35 anos, com bom poder aquisitivo, que já têm vinil em casa e desejam ouvir esses discos. Em Curitiba as lojas do Grupo que comercializam LPs são as do Shopping Palladium, Shopping Estação, Shopping Curitiba, Shopping Jardim das Américas, Shopping Mueller, Rua das Flores, ParkShopping Barigui.

Os LPs mais vendidos em Curitiba

Título

Qtd. Vendida

 R$

LP Secos e Molhados – 1973

 120

 R$ 99,90

LP Sociedade da Gra-Ordem Kavernista Apresenta Ses

109

 R$ 99,90

LP Jorge Ben - A Tabua De Esmeralda – 1974

103

R$ 99,90

LP Led Zeppelin - Live At Knebworth Park 30Th Anniversary Edition

99

R$ 159,90

LP Belchior - Alucinção - 1976

94

R$ 99,90

LP Raul Seixas - Krig-Ha, Bandolo - 1973

87

R$ 99,90

LP Tim Maia - 1971

76

R$ 109,90

LP Tim Maia - 1970

72

R$ 99,90

LP Novos Baianos - Acabou Chorare - 1972

72

R$ 109,90

LP Secos e Molhados Ii - 1974

51

R$ 99,90

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