Nova moda, bares de rua querem regulamentação para o setor em Curitiba

- Atualizado às 20:03
Por - Rodolfo Luis Kowalski
(Foto: Valquir Aureliano)

A nova cara do Shopping Hauer foi apresentada ao público há cerca de dois anos. Desde então, os bares de rua – que já faziam sucesso pela cidade com O Torto Bar, no São Francisco, e a Avenida Vicente Machado – se multiplicaram. Tem na Rua Itupava, na Alameda Prudente de Moraes, na Rua São Francisco... E agora o setor quer dar o próximo passo e luta para conseguir uma regulamentação da atividade junto ao município. Segundo Raphael Medeiros Adada, presidente da Associação dos Lojistas do Hauer Shopping (ALHS), a ideia de regulamentar os bares de rua tem como intuito garantir maior segurança jurídica ao setor. Hoje, o que há são Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), com prazo de validade. Uma regulamentação, por outro lado, é uma lei, sem prazo de vencimento.

“Como os TACs têm validade, ficamos suscetíveis a qualquer mudanças que possa acontecer eventualmente, podemos sofrer com isso. Então buscamos uma regulamentação para ter maior segurança jurídica. Acredito que é uma tendência esses estabelecimentos voltados para o lado de fora, o público não quer mais ficar fechado. E como não existe uma regulamentação específica para esse tipo de negócio, seria interessante a gente buscar algo para conseguir se apoiar”, explica Adada.

A exemplo do TAC, a regulamentação, que ainda está em fase de maturação, deverá trazer questões relacionadas à segurança, limpeza e horário de funcionamento dos estabelecimentos e do entorno. “A gente está buscando falar com vereadores, com nosso setor jurídico, para buscar outros locais que já tenham esse tipo de legislação para podermos nos apoiar e chegar num consenso. Cada cidade tem sua peculiaridade, então buscamos o modelo e vamos adequando”, diz o presidente da ALHS.

Assim como outros pontos da cidade, o Hauer Shopping recebe reclamações, sendo que a maioria não está relacionada à operação dos comércios, mas a casos de violência e uso dos recuos dos pontos comerciais após o seu fechamento às 2 horas. “Nos preocupamos muito com os nossos vizinhos. Garanto que toda nossa atuação leva em consideração os moradores da região. Mas infelizmente acabamos sofrendo com problemas que estão fora do nosso alcance. Por esse motivo o diálogo com o poder público é fundamental. Juntos, podemos trabalhar por uma cidade ainda melhor”, ressalta Adada.

‘Tendência que veio para ficar’ , diz empresário
Segundo Adada, esse formato de negócio (de bares de rua) é uma tendência que veio para ficar. A regulamentação, então, é encarada pelo empresário como “uma bela oportunidade” para que todos (sociedade, Estado e empresários) tenham mais segurança jurídica.

Ele, porém, evita colocar um prazo para a aprovação do regulamento. “É bem difícil de precisar isso porque tem uma série de burocracias que precisam ser respeitadas. Mas vamos correr atrás o máximo possível para agilizar esse processo”, aponta o empresário.

Enquanto isso, a Associação dos Lojistas do Hauer Shopping luta para renovar o TAC assinada junto ao município, que vence na metade deste ano. “A gente teve uma reunião recente com eles (Prefeitura), queremos renovar nosso TAC e achamos que dá para incluir outras coisas, melhorar o que foi feito de anos para cá. Mas a Prefeitura hoje é uma, amanhã pode ser diferente e não queremos estar sujeitos a esse tipo de coisa. Uma lei seria o melhor caminho para todo mundo”, destaca Adada.

50 mil litros de chope e oito toneladas de comida por mês
Esses novos espaços voltados à gastronomia são responsáveis por movimentar a economia local, visto que têm apreço por valorizar os produtos regionais. As 17 operações do Hauer Shopping pagam mais de R$ 100 mil ao mês em tributos e geram pelo menos 100 empregos diretos – se forem considerados os postos de trabalho indiretos, são mais de mil pessoas diretamente envolvidas em atendimento, logística, limpeza, segurança, entre outras áreas.

“Para você ter uma ideia, contamos com uma cooperativa de 32 famílias que fazem o recolhimento de lixo e conseguem reaproveitar 85% do que geramos”, conta o presidente da ALHS. Por mês, todos os estabelecimentos vendem aproximadamente 50 mil litros de chope. “Quase a totalidade deles, em torno de 95%, são oriundos de cervejarias regionais e locais, sendo que a maioria delas até mesmo integra um roteiro de cerveja proposto pela própria prefeitura de Curitiba. Além disso, nossa estimativa é de que vendemos, aproximadamente, 2 toneladas de comida por semana, movimentando toda a cadeia produtora da cidade”, completa Adada.

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