No Paraná, futebol americano também é para elas

- Atualizado às 18:24
Por - Rodolfo Luis Kowalski
(Foto: Ernani Ogata)

Uma prova disso é que no último sábado a Capital recebeu a primeira edição do Araucária Bowl, a final do Campeonato Paranaense Feminino de Futebol Americano - o Paraná, inclusive, é o único estado da federação que possui um campeonato estadual feminino da modalidade. Em campo, decidiram o título as equipes Curitiba Silver Hawks e Cold Killers FA, que também irão representar o Paraná no próximo Campeonato Brasileiro – duas das oito equipes que disputarão a competição são do Paraná.

Uma das fundadoras e hoje presidente do Curitiba Silver Hawks, clube que surgiu em janeiro de 2017 como uma equipe independente (a primeira equipe feminina da Capital), Amanda Carstens Ramos comenta que chega a se surpreender com o crescimento do esporte entre elas. O Campeonato Paranaense deste ano, por exemplo, contou com a participação de três equipes e cerca de 150 atletas.

“Vem crescendo absurdamente (o esporte entre as mulheres). Quando fundamos o time, nem imaginávamos ter 70 atletas ativas como temos hoje e mais outros dois times com pelo menos 40 atletas. A procura das mulheres por essa modalidade é bem grande, surpreendente. E acho que ainda tem muito potencial de crescer. Precisamos de mais times para estruturar uma coisa bacana, conseguir uma evolução legal”, comenta.

A trajetória de Amanda dentro do futebol americano, inclusive, se confunde em grande medida com a evolução da modalidade entre as mulheres. Ela conheceu o esporte em 2010, por meio do namorado, e aos poucos foi conhecendo mais sobre a modalidade acompanhando treinos e jogos da NFL (a liga profissional dos Estados Unidos).

“Depois que entendi, me apaixonei pelo esporte e quis entrar nisso aí”, conta ela, que de início não conseguiu uma vaga como atleta. É que não haviam ainda times femininos na cidade. A saída, então, foi começar a arbitrar partidas do masculino. “Gostava muito do esporte, mas não conhecia times femininos, não achei nenhum por aqui. Então atuei como árbitra de 2012 até 2017, que foi a maneira que encontrei para entrar num esporte que eu gostava muito.”

O apito só foi deixado de lado depois da fundação do Curitiba Silver Hawks, no começo de 2017. “Na arbitragem evitamos ter árbitros jogadores. Então ou é um, ou é outro. Aí, como começamos a participar de campeonato, nos tornamos um time competitivo, tive de escolher entre arbitragem e ser atleta.”

Esporte para gordo, magro, alto, baixo, forte, fraco...

Ainda segundo Amanda, hoje não existe no futebol americano um perfil de atleta. “É um esporte que exige diversos biotipos, então temos meninas altas, magras, baixas, gordas, mais rápidas, mais lentas... São posições muitos diferentes que exigem biotipos diferentes, então não tem nada que limite de participar”, explica.

No Curitiba Silver Hawks, de uma a duas seletivas são feitas por ano na procura por novos talentos, sempre no período entre campeonatos e com divulgação das seletivas nas redes sociais (Instagram e Facebook da equipe). Geralmente, de 30 a 40 postulantes se apresentam nesses eventos e as que mais se destacam são convidadas a fazer parte do time.

Como os equipamentos para a prática do futebol americano custam caro – um capacete novo sai por cerca de R$ 2 mil e uma ombeira, em torno de R$ 500 -, o clube empresta aos novos atletas, pelo período de um ano, os equipamentos. “Várias meninas vão treinando sem equipamento, pegando emprestado de conhecidos. Também temos cinco ou seis conjuntos que fazemos um termo de empréstimo e cedemos para quem está iniciando.”

No Brasileiro, “objetivo é o título”

Depois da final do último sábado, vencido pelo Silver Hawks, os dois finalistas do estadual agora mudam a chave e iniciam a preparação com vistas à disputa do Campeonato Brasileiro de Futebol Americano, no segundo semestre deste ano. Além das duas equipes curitibanas, também estão confirmadas na competição a Portuguesa (SP), Bangu Castores (RJ), America Big Riders (RJ), Brasília Pilots (DF), São Paulo Panthers (SP) e Spartans(SP). De acordo com Amanda Ramos, presidente do Curitiba Silver Hawks, hoje as equipes do Rio de Janeiro são os mais fortes do país. “São os times que existem há mais tempo e possuem mais experiência técnica. Mas o futebol americano feminino está se estabelecendo no Paraná”, diz ela.

Esta será a terceira vez que o Silver Hawks participa do Brasileirão. Na primeira participação, em 2017, a equipe foi derrotada em todos os jogos que disputou. No ano passado, contudo, já alcançou o terceiro lugar. “Queremos bater de frente com os times grandes. Nosso objetivo neste ano é o título”, afirma Amanda.

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