No centenário de Fellini, Curitiba ganha exposição permanente sobre o cineasta, com objetos raros

- Atualizado às 16:32
Por - Josianne Ritz

As comemorações pelos 100 anos de Fellini  terá no dia 23 de janeiro a inauguração Coleção Fellini, uma exposição permanente, na maior sala do segundo andar do anexo do Museu Guido Viaro. O projeto é do produtor e curador Antonio Cava, fã e conhecedor da carreira e da história do cineasta italiano. Durante 26 anos, ele garimpou sobre a vida e obra do diretor italiano. São desenhos, fotos, cartazes, filmes, bonecas, selos e livros. “Criei uma exposição chamada Circo Fellini para lembrar os 10 anos do falecimento do cineasta em 2003. A exposição foi um sucesso. Círculei por várias capitais. Me tornei um colecionador de desenhos, fotografias, livros, filmes e documentários de Fellini. E decidi doar todo o meu acervo para o Museu Guido Viaro em Curitiba”, conta Cava.

Entre os objetos da exposição, há algumas preciosidades, como o livro de Giulietta Masina, com pratos favoritos de Fellini.“São mais de 100 livros sobre Federico Fellini. Desde os anos 50. Alguns raros. Inclusive uma cópia do livro dos Sonhos. O maior livro onírico do mundo”, conta ele. “É uma iniciativa independente sem patrocínio público. Realizado em parceria com o Senhor Constantino Viaro do Museu”.

O acervo contém uma vasta galeria de filmes, documentários, retratos, fotografias, desenhos, ilustrações e mais de 100 livros sobre Fellini, adquiridos, com exclusividade, por Antonio Cava. Boa parte das peças foi obtida na cidade de Rimini, na Itália. Os livros e cartazes vieram de livrarias e antiquários de Rimini e também de Roma. E as reproduções dos desenhos da Fundação Fellini de Rimini.
Sobre o projeto, Cava destacou ainda que “a exposição quer apresentar Fellini às novas gerações, e para quem já o conhece, um convite para se apaixonar um pouco mais. Um convite ao sonho”, disse, ao completar que “seria uma ironia o esquecimento pra quem trabalhou tanto o material da memória em seus filmes".

GUARDIÕES DO “PICCOLO MUSEU”

O espaço dedicado a Fellini foi apresentado, previamente, em dezembro do ano passado, a 20 personalidades curitibanas da cultura, artes, cinema e comunicação. Elas foram eleitas como os guardiões da coleção em Curitiba. Cada uma recebeu uma chave simbólica da galeria e a lista completa do acervo.

Um coquetel recebeu esses guardiões do “Piccolo Museu Fellini”, em Curitiba. Após as homenagens, as personalidades fizeram uma visita de honra ao espaço reservado dentro do Museu Guido Viaro, para conhecer as peças da Coleção Fellini.

Proprietários do Museu Guido Viaro, pai e filho, Constantino e Guido Viaro, respectivamente, aprovaram a iniciativa. “É uma honra para o Museu Guido Viaro apoiar e idealizar esse projeto junto com o Antonio Cava, ao guardar obras de um acervo extraodinário como esse. Apoiamos essa louvável iniciativa, que faz um tremendo bem para a cultura da cidade e para despertar as futuras gerações sobre o trabalho de Fellini”, concordaram Constantino e Guido Viaro.

Advogado e representante do consulado italiano em Curitiba, Luis Molossi, destacou a importância de representar os “guardiões”. “Muita honra e responsabilidade de possuir esta chave e compartilhar com quem esteja pronto a se emocionar com tanta arte. A iniciativa agrada a comunidade italiana e é uma homenagem ímpar ao grande cineasta Federico Fellini, bem como à gestão cultural de Curitiba”.

Sobre o diretor - Fellini nasceu em 20 de janeiro de 1920, em Rimini, na Emília-Romanha, e morreu em 31 de outubro de 1993, em Roma. Naquele ano, venceu o Oscar Honorário pelo conjunto de sua obra. Entre seus filmes de maior sucesso, destacam-se "A Doce Vida", "Oito e Meio", "Amarcord", "Noites de Cabíria" e "A Estrada". Em uma carreira de quase cinquenta anos, Fellini ganhou a Palma de Ouro por La Dolce Vita , foi indicado a doze prêmios da Academia e ganhou quatro na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira , o melhor para qualquer diretor da história da Academia. Foram 24 filmes como roteirista e diretor.

Coleção Fellini
Quando: Inauguração, dia 23, às 19 horas. Visitação de terça a sábado, das 14 às 18 horas.
Onde: Museu Guido Viaro, Rua XV de Novembro, 1348, Centro.
Quanto: Entrada gratuita

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