MON abre neste sábado a esperada exposição ‘OSGEMEOS: Segredos’. Veja vídeos

- Atualizado às 19:16
Por - Barulho Curitiba

O Museu Oscar Niemeyer (MON) abre neste sábado (18) a esperada falada exposição “OSGEMEOS: Segredos”. A mostra em Curitiba é apresentada pela Copel e viabilizada pelo governo do Estado do Paraná. São mais de 850 itens, entre pinturas, instalações imersivas e sonoras, esculturas, intervenções site specific, desenhos e cadernos de anotações. As obras invadem o museu, ocupando a torre e a sala expositiva do Olho.

A dupla de artistas formada pelos irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo (São Paulo, 1974) construiu uma trajetória no mundo das artes sem nunca ter perdido de vista o desejo de manter-se acessível ao grande público. Ontem, em entrevista coletiva, os dois reforçaram o caráter democrático e popular da exposição. "Viemos de uma escola não convencional.  Nós somos autodidatas. Nós viemos de um universo totalmente diferente e estamos aqui no MON, na Pinacoteca. E não estamos sozinhos. Há vários artistas na rua, nos estúdios que acreditam na arte acessível, com poder de transformar e educar”, afirmou Gustavo. Segundo eles, a exposição que entra em cartaz no MON conta a história deles, que vai muito além do grafite: “Conseguimos contar nesta exposição como chegamos aqui com uma arte sensorial, sem barreiras”. “OSGEMEOS: Segredos” é a primeira retrospectiva de grande porte que examina a produção dos artistas desde o começo da década de 1980 até a atualidade.

Arte que inspira a reconstrução

“Mais do que nunca, a arte apresenta-se aqui como inspiração”, diz a diretora-presidente do MON, Juliana Vosnika. Ela comentou que as cores, o movimento e a alegria presentes na obra d´OSGEMEOS iluminam e nos ajudam a fazer a travessia entre o agora e uma nova fase, pós-pandemia. “Neste momento, em que todos focamos numa reconstrução, seja individual ou coletiva, a arte dessa genial dupla de irmãos contribui com a nossa busca interna”, afirma. “Seus traços retratam o dia a dia das grandes cidades e suas obras nos levam a uma imersão que revela pertencimento e identidade a símbolos locais e cotidianos, que nos conectam a uma realidade lúdica do imaginário”, disse Juliana.

A superintendente-geral da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, comentou que em muitas cidades do mundo, as obras nos espaços públicos em grandes proporções foram um respiro durante o isolamento social. “Estamos muito felizes em receber a exposição ‘Segredos’, que sela definitivamente a paixão do grande público por essa arte”, comenta. “É muito interessante perceber como OSGEMEOS conseguem transitar entre a arte urbana e o museu tornando seus desenhos cheios de representação acessíveis a todos.”

 “Como indica o título ‘Segredos’, o objetivo da mostra é revelar novas visões do fazer artístico d’OSGEMEOS. Objetos pessoais, como cadernos, fotos, desenhos e pinturas que datam desde a infância dos dois irmãos até hoje são apresentados ao público pela primeira vez, incluindo estudos e obras de arte que precedem em muito seus famosos personagens e lançam luz sobre as raízes de seu surgimento. Influências artísticas e colaborações são expostas ao lado de pinturas e esculturas recentes”, explicou, Jochen Volz, diretor-geral da Pinacoteca de São Paulo e curador da mostra.

Os artistas

O percurso dos artistas inclui a participação em mostras nas principais instituições internacionais, como o Hamburger Bahnhof, em Berlim, em 2019, com um projeto concebido em parceria com o grupo berlinense de breakdance Flying Steps – um dos mais premiados mundialmente; a Vancouver Biennale, Canada (2014); o MOCA – Museum of Contemporary Art, em Los Angeles (2011); o MOT – Museum of Contemporary Art Tokyo, em Tóquio, Japão (2008); a Tate Modern, em Londres, Reino Unido (2008), onde os artistas pintaram a fachada; e a Trienale de Milão (2006), entre outros. Ao longo de sua carreira, os irmãos também receberam convites para criar para os principais espaços públicos de mais de 60 países, incluindo Suécia, Alemanha, Portugal, Austrália, Cuba, Estados Unidos – com destaque para os telões eletrônicos da Times Square, em Nova York (2015) –, entre outros.

Gustavo e Otávio sempre tomaram o espaço urbano como lugar de vivência e de pesquisa desde o início de sua produção, em meados da década de 1980. Os artistas partiram de uma forte imersão na cultura hip hop, que havia chegado ao Brasil no momento em que os irmãos começaram a produzir, e da influência da dança, da música, do muralismo e da cultura popular para desenvolver um estilo singular, com atmosfera alegre, que acabou se tornando um emblema dos espaços urbanos pelo Brasil e pelo mundo.

Seus trabalhos contam histórias – às vezes autobiográficas – cujas tramas envolvem fantasia, relações afetivas, questionamentos, sonhos e experiências de vida. A dupla mantém seu ateliê, até hoje, no Cambuci, antigo bairro de operários e imigrantes na região central de São Paulo, no qual passaram sua infância e juventude. A partir da década de 1990, suas experimentações – não só em graffiti, mas também pintura em telas e esculturas estáticas e cinéticas – ultrapassaram os limites bidimensionais, culminando na construção de um universo próprio que opera entre o sonho e a realidade.

SOBRE O MON

O Museu Oscar Niemeyer (MON) é patrimônio estatal vinculado à Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura do Paraná. A instituição abriga referenciais importantes da produção artística nacional e internacional nas áreas de artes visuais, arquitetura e design, além da mais significativa coleção asiática da América Latina. No total, o acervo conta com mais de 9 mil peças, abrigadas em um espaço superior a 35 mil metros quadrados de área construída, sendo 17 mil metros quadrados de área para exposições, o que torna o MON o maior museu de arte da América Latina. Os principais patrocinadores da instituição, empresas que acreditam no papel transformador da arte e da cultura, são: Copel, Sanepar, Grupo Volvo América Latina, Vivo e Moinho Anaconda.

 

Serviço:

“OSGEMEOS: Segredos”

Produção original da Pinacoteca de São Paulo

 

A partir de 18 de setembro

Museu Oscar Niemeyer (MON)

VENDA DE INGRESSOS exclusivamente on-line, pela plataforma Inti

Olho, Torre do Olho e espaços externos

De terça a domingo, das 10h às 18h

www.museuoscarniemeyer.org.br

 

Intervenção na fachada do museu gerou polêmica

Mesmo antes de ser aberta ao público no MON, a exposição d´OSGEMEOS causou polêmica. No fim do mês de agosto, os irmãos Gustavo e Otávio fizeram uma intervenção na fachada do museu, que foi criticada por Paulo Niemeyer, bisneto do arquiteto Oscar Niemeyer. Ele chegou a postar nas redes que pretendia acionar a Justiça para que o trabalho seja apagado.

A Fundação Oscar Niemeyer, que é responsável pelo gerenciamento e preservação da obra do arquiteto que da nome à instituição, no entanto, parabenizou o Museu Oscar Niemeyer (MON) pela exposição das obras de Os Gêmeos. "Inaugura dia 18 de setembro a imperdível exposição de Os Gemeos no Museu Oscar Niemeyer de Curitiba. A Fundação Oscar Niemeyer parabeniza a equipe do MON pela iniciativa", diz a postagem de 30 de agosto. O perfil da Fundação Oscar Niemeyer também publicou várias fotos da obra que foi grafitada no museu.

Os Gêmeos não quiseram se manifestar sobre a declaração do bisneto de Oscar Niemeyer na ocasião e também na entrevista coletiva de ontem. A diretora do MON, Juliana Vosnika, afirmou que o desenho foi autorizado pelo órgão que preserva o patrimônio cultural do estado: "Ela não afeta nem a volumetria da fachada, não teve parafuso, não tem nenhum tipo de intervenção física na fachada. Após o término da exposição, a fachada vai ser pintada e vai voltar exatamente à fachada original", disse.

 

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