Loira Fantasma de Curitiba desembarca no mundo virtual

- Atualizado às 20:26
(Foto: Divulgação)

Há 45 anos, pela imprensa, chegava ao imaginário popular a lenda da Loira Fantasma. A personagem, que já foi tema de peça de teatro e curta-metragem ganha as redes sociais pela página do Facebook Fantasmogênse: em Busca da Loira Fantasma.

O lançamento faz parte da proposta vencedora do segundo edital para Histórias em Quadrinhos (HQ), lançado em 2019 pela Fundação Cultural de Curitiba (FCC) e apoiado pela Lei de Incentivo à Cultura. Aos poucos, os leitores acompanharão o que já foi produzido sobre a loura misteriosa, desde as matérias dos jornais locais de 1975 até a repercussão cultural, anos depois, no teatro, cinema e na literatura.

Projeto cultural
“A ideia da página é fomentar a curiosidade das pessoas sobre essa lenda urbana, que já teria sido vista em outros lugares do Brasil, e criar ambiente para o lançamento da grafic novel da Loira”, conta o desenhista Antônio Éder, um dos autores do projeto e ex-aluno da Gibiteca – o espaço cultural da FCC voltado para desenho, ilustração, cartoon e animação.
O ponto alto da iniciativa será uma graphic novel, elaborada em parceria com o também desenhista André Stahlschmidt. Ela deverá ser publicada até o fim deste ano, se as medidas de prevenção contra a covid-19 não adiarem a data.

A publicação terá 135 páginas de desenhos em preto e branco sobre a loura misteriosa e os personagens que a tornam lembrada mesmo quase cinco décadas depois do seu aparecimento – taxistas que a teriam conduzido, o policial que afirmava tê-la visto e alvejado em um dos táxis e mulheres confundidas com a Loira, além de repórteres que colocaram o caso nas capas dos jornais.
Em 2014, Loira Fantasma ganhou um capítulo no livro Bocas Malditas: Curitiba e suas Histórias de Gelar o Sangue. Nele os leitores também podem conferir detalhes sobre Maria Bueno, O Maníaco da Tesoura, O Mendigo Macabro e O Fantasma do Pilarzinho, entre outros personagens que habitam o imaginário dos curitibanos.

A lenda
Um boato sobre um taxista que comunicou à polícia o caso da passageira desaparecida do carro, no meio do trajeto, teria dado origem à lenda.
Apesar de meter medo nas pessoas, a loura não fazia mal a ninguém e o temor que representava se resumia a aparecer e desaparecer sem deixar pistas. Os ataques da loura contra taxistas e os tiros que teria recebido de um policial não foram provados.

Mesmo assim, a história era tida como verdadeira por quem a acompanhava e assustava os moradores da Curitiba de então – uma cidade com menos de 700 mil habitantes e há menos de dois meses de ficar hipnotizada com um fenômeno natural igualmente inesquecível: a neve de 17 de julho daquele ano.


Outras lendas urbanas

A Águia Bicéfala
No vão entre o Edifício Acácia e seu vizinho, na Praça Zacarias, um pouco acima da marquise, há uma estátua de uma águia com duas cabeças, um símbolo maçônico. É que entre 1899 e 1961 o local pertenceu a uma fraternidade maçônica, que em 1919 inaugurou um templo no local, colocando no topo a famigerada estátua. Reza a lenda que durante a noite a escultura ganha vida e conversa, principalmente, com crianças.

Gato Kiko
No século XIX morava na Rua Dr. Muricy, no Centro, um costureiro chamado Kiko. Ele amava felinos e afirmava que quando morresse gostaria de reencarnar num gato. Contudo, era perseguido por ser homossexual e acabou morto com um tiro. Anos mais tarde, abriu no local a loja Kisses, de roupa femininas, e em 2010 a dona encontrou um gato miando em sua porta. Adotou o bichano e batizou-lhe de Kiko em homenagem ao personagem do seriado Chaves. Há quem acredite que o animal seja a reencarnação do antigo proprietário do imóvel e que quem acariciar a cabeça do gato e fazer um pedido tem seu desejo realizado.

Espíritos da Reitoria da UFPR
São diversas as lendas envolvendo a Reitoria da UFPR, localizada no bairro Alto da XV. A mais famosa é sobre os suicídios, todos com pessoas se jogando do 11º andar do prédio – em 1989, um aluno que teve um caso com uma professora casada; em 2005 um estudante de História, que, reza a lenda, dizia conversar com um jovem que havia se suicidado ali anos antes; e em 2012 uma moça que, segundo colegas, teria problemas com a família. Há também quem diga que a garota escutava vozes no local.

Edifício Maison Blanche
Outro prédio que há quem diga ser assombrado. Nos anos 1930, quando funcionava no local o Cine Curitiba, uma senhora casada teria entrado no local com seu amante, mas acabou descoberta pelo marido e foi morta a facadas. Surgiu então a história de que seu espírito assombrava o cinema, demolido no final daquela década. Nos anos 1980, com o prédio já em pé, um marido teria mandado matar a esposa para ficar com o dinheiro do seguro de vida. Já em 2008, uma mulher que dizia ver espíritos no prédio e que estar almas atormentariam sua família jogou a própria filha, de apenas oito meses, do sexto andar do edifício.

Maníaco da Foice e o Lobisomem
Em 1977 um bandido apelidado de Paraibinha tocou o terror em Campo Largo, na RMC. Ele assaltava nas estradas rurais e matava suas vítimas com uma foice. Um dia entrou numa casa, roubou a família e matou todos os seus membros, menos Paulo, o filho mais novo que tinha 13 anos de idade e permaneceu escondido num armário do porão. O jovem, então, jurou vingança. O curioso, porém, é que ele tinha fama de virar lobisomem. E teria sido justamente numa sexta-feira de Lua cheia que o serial killer foi morto na estrada de uma vila rural chamada Morro Grande. Ele foi golpeado com sua própria foice nas pernas, nos troncos e nos braços. Seu corpo foi mumificado e está até hoje no Instituto Médico Legal.

Maria Bueno
Jovem e bonita, Maria Bueno gostava de dançar e, por isso, vivia nos bailes, onde acabou conhecendo o soldado Inácio Diniz, do Exército, com quem foi morar. Uma noite, porém, Diniz estava de serviço no quartel e haveria um grande baile, do qual Maria insistia em participar. Seu companheiro, porém, a proibiu de sair e os dois tiveram uma discussão. Ele foi para o serviço e ela, para o baile. Seu companheiro então ficou a espionando, escondido na Rua Campos Gerais (hoje Vicente Machado). Quando a mulher passou sozinha, ele a degolou com um punhal. No lugar onde Maria Bueno morreu, foi colocada uma tosca cruz de madeira. Nos pés desta cruz, nasceu uma rosa vermelha. Maria Bueno era muito popular e admirada pelo povo, que ia rezar e acender velas. Contam que aconteceram graças e milagres, transformou-se numa grande romaria.

Gato Boris
O gato Boris, negro, morava dentro de um sebo e costumava passear pelo Largo da Ordem. Dizem que nas noites de Lua Cheia ele virava homem e passeava pelos bares ao redor. Em fevereiro deste ano, porém, acabou falecendo após ser atacado por um pitbull e sofrer por conta de um problema no coração. Agora, há quem diga que o fantasma do gato doe livros para crianças carentes em noites de luar.

Mula Milagrosa
Um padre que rezava missas na Igreja Nossa Senhora das Dores tinha uma mula de estimação chamada Bela Vista, que ficava do lado de fora da igreja e costumava brincar com as crianças que moravam na região. Algumas beatas, porém, não gostavam do animal de estimação e ficaram irritadas ao saber que o padre queria o usar em uma festa da paróquia e reclamaram com o bioospo, que proibiu a entrada da mula na igreja e ainda acabou por ordenar sua transferência para um sítio na cidade de Quitandinha. Lá teria salvo um menino que se afogava numa lagoa próxima e salvo uma jovem que era seguida por um bandido numa floresta ao aparecer com uma cabeça de fogo.

Vaca do Bacacheri
Entre os bairros de Curitiba, há ainda a história do bairro Bacacheri, um tanto cômica. Conta-se que pela região morava um francês que tinha uma vaca chamava Cherry. Essa vaca, porém, acabou sumindo, fazendo com que seu dono saísse desesperado em sua busca, gritando, numa mistura de portugueês com francês: Cadê minha baca cherry? Baca cherry?. Ele, inclusive, teria desaparecido durante as buscas e há quem diga que até hoje seu espírito grita durante as noites cadê a baca cherry?.

Bruxa Ana Formiga
Perseguida em sua terra natal, a Escócia, a feiticeira Ane O’Neil desembarcou no Brasil em meados do século XIX. Desembarcou no porto de Paranaguá, subiu a Serra e veio para Curitiba, onde montou sua tenta na Rua Benjamin Lins para realizar curandeirismo e ler a sorte de pessoas. Ela, porém, era hipoglicêmica e, por isso, comia muitos doces, recebendo o apelido de Ana Formiga. Um dia, porém, foi presa por um cabo ao roubar guloseimas numa confeiteria. O homem era recém-casado e acabou amaldiçoado pela bruxa, que bradou: Quando eu sair deste lugar , farei um feitiço forte e você perderá a sua amada. Dito e feito: um dia após a libertação de Ana, a esposa do cabo acordou com uma rã seca que tinha presa às pernas uma rosa branca e uma cruz na boca. A mulher também teve pesadelos com formigas invadindo sua casa. Uma semana depois, ela morreu de uma doença que os médicos não souberam diagnosticar. Hoje, onde era a antiga casa da bruxa fica um hotel de luxo. Há quem diga ter visto vultos estranhos e que o telefone toca misteriosamente em quartos desocupados do local.

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