Livro trata da Guerra Híbrida no Brasil e explica como o país partiu das jornadas de 2013 e chegou até Bolsonaro

- Atualizado às 20:57
Por - Redação Bem Paraná
(Foto: Divulgação)

A obra “O que você pensa que você pensa, não é você quem pensa: A guerra híbrida no Brasil” descreve detalhadamente a doutrina construída nos Estados Unidos da América para justificar seu anseio de domínio geopolítico do mundo em geral e da América Latina em particular, mostrando-a, factual e historicamente, como cenário para a intervenção aberta em um Brasil que, desde a posse do PT na Presidência da República, em 2003, lhe escapava por entre os dedos. É sob a lente dessa construção que o leitor percorrerá junto com o autor a história do Brasil, de 2013 até Bolsonaro, compreendendo, de forma aprofundada, como chegamos até aqui.

A análise parte das chamadas jornadas de junho de 2013 e segue os sucessivos anos que mudaram radicalmente o país, a partir desses interesses externos, aliados a setores da elite nacional. O autor, o advogado e ex Secretário de Segurança, Marcelo Jugend, traz uma rigorosa contextualização histórica do Brasil, analisando como ponto de partida as manifestações de 2013 e a suas conseqüências, tratando de fatos históricos como o impeachment da presidente Dilma, a Operação Lava Jato até a eleição de Bolsonaro. A obra mergulha também no esforço que as Forças Armadas dos EUA vêm desenvolvendo para criar toda uma estrutura física, doutrinária e teórica destinada a tornar isso possível, e descreve os resultados alcançados até aqui.

Segundo o autor, “a partir da posse de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República, em 2003, o Brasil passou a se afastar das normas ditadas pelos EUA, potência dominante na região e no mundo todo. Desde há muito tempo, onde quer que ocorra, uma afronta desse quilate é sempre combatida pelos EUA, com o uso de todos os meios e modos possíveisdentro de cada contexto. Sempre que o país tenta criar alguma autonomia, sofre intervenção vinda do norte.”

O livro trata da última delas, perpetrada com o uso de mecanismos totalmente novos, que constituem a mais sofisticada forma de dominação moderna: a guerra híbrida. “Também chamado de ‘guerra de quarta geração’, este é um tipo de conflito que, ainda que, a exemplo dos convencionais, vise a conquista de objetivos estratégicos para o agressor, dispensa, para isso, e ao contrário deles, a utilização de forças militares armadas, substituindo-as pela dominação das mentes do adversário, de modo a que este último aja contra seus próprios interesses e em consonância com os do agressor,” explica Marcelo.

Crítica

Para o escritor, cientista político e antropólogo e ex-secretário nacional de segurança pública, Luis Eduardo Soares, trata-se de “um livro notável, necessário e indispensável, particularmente neste momento; muito corajoso, muito bem escrito, ambicioso como tem de ser. Com foco muito nítido e bastante preciso, a obra é uma contribuição muito importante”

O ponto de partida desta guerra híbrida mais agressiva no Brasil são as jornadas de junho. A combinação da magnitude dos eventos com a ausência de uma liderança definida e uma pauta especifica de reivindicações resultou em um coquetel explosivo. O que se sabe é que em um determinado momento, o movimento foi usurpado por pessoas industriadas pelos condutores da guerra híbrida destinada ao regime change brasileiro, até então conduzida sem muito sucesso. Tais estrategistas perceberam que ali se formara a tempestade perfeita.Abriu-se uma janela de oportunidade.” - O que você pensa que você pensa, não é você quem pensa: A guerra híbrida no Brasil”, de Marcelo Jugend.

Locais de venda: O livro foi lançado em 2021 pela Editora MouraSa e está à venda nas livrarias de todo o Brasil.

Sobre o autor

Marcelo Jugend é advogado, foi Secretário Municipal de Segurança de São José dos Pinhais /PR, integrou a Comissão de Direitos Humanos da OAB/PR, a Comissão Pontifícia da Justiça e Paz de Curitiba, do Conselho Paranaense de Defesa dos Direitos Humanos e do Conselho Curador do Programa Nacional de Proteção à Testemunha no Paraná. Foi também Chefe de Gabinetee Assessor Especial da Secretaria de Segurança Pública do Paraná. É autor do livro “A Morte do Super Homem: Propostas para o Enfrentamento Democrático da Violência e da Criminalidade.”

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