Leandro Ferraz lança seu primeiro single 'Tela Viva'

Por - Barulho Curitiba

Leandro Ferraz é um artista cuja obra se traduz em música e arte visual. Iniciou a carreira ainda adolescente no interior de São Paulo, como ilustrador, e em seus primeiros contatos com a música, começou a cantar e compor para a sua primeira banda, a Cravo Caramelo. Em 2013, Leandro Ferraz se mudou para a cidade de Curitiba, para cursar universidade em Design. Entretanto, durante esse tempo, a música nunca ficou parada: assim surgiu a banda Gorú, onde era responsável pelas composições, produção, vocais e contrabaixo. A sonoridade da banda misturava elementos musicais da cena independente, trazendo influências de bandas contemporâneas da Nova MPB, clássico samba e rock alternativo.

No ano de 2021, Ferraz mudou para a cidade de São Paulo, e produziu seu primeiro álbum, com lançamento para junho de 2022. No single “Tela Viva”, o artista traz uma música que contém uma curva de emoção que parte da sua introspecção e aos poucos aflora seus sentimentos em forma de música e construção audiovisual. É o primeiro single e pertence ao seu álbum de 2022 produzido por nomes como Alexandre Fontanetti, Felipe Câmara (produtores que já foram indicados ao Grammy Latino) e Fabio Raesh.

O Barulho Curitiba conversou com o artista sobre suas inspirações, influências e o novo álbum. Confira a entrevista na íntegra:

A pandemia, o isolamento e a mudança para São Paulo influenciaram muito sua composição atual, como você relacionou esses tópicos em sua nova produção?
Ferraz - Com certeza, influenciaram totalmente. Primeiro que eu vinha de um formato de banda: a Gorú, meu primeiro projeto profissional. Que no fim das contas, por mais que as composições fossem minhas, tomavam outro rumo quando divididas em grupo,
em arranjos, e maneiras de interpretar, referências etc. O maior desafio nesse contexto era me provocar o potencial na minha musicalidade, sem abandonar o violão pra ir fumar cigarro, ou dispersar o pensamento, mas insistir em encontrar o que é genuinamente meu. É um processo longo, não digo que me encontrei e é isso, falta muito, acredito que existe uma longa carreira pela frente, mas posso dizer que avistei meu ponto solar.
Esse lance todo de “me perceber” solo, sozinho, olhando pra minha origem, relaciona muito ao retorno para São Paulo, também motivado pela pandemia em si. A gente morreu por dentro nesses anos, né? foi absurdo sob absurdo, genocídio, desinformação digital, tanto que alguns meses atrás parecia não ter fim, e hoje olhando para esses meses atrás parece que foi fantasia do nosso pensamento de tanto absurdo promovido. Meu trabalho grita muito politicamente, por mais que seja leve a maneira que eu escrevo nada literal,
e boa parte das pessoas pensam que é chato discutir política. Quando que política nada mais é sobre viver em sociedade, sobre troca de interesses, sobre crenças e deveres, sobre respeitar o próximo, os seres, a vida, sobre relacionamentos e responsabilidades afetivas, sobre tudo que tece a vida coletiva e compartilhada, cara.

Esse é seu primeiro trabalho solo, mas você já tem uma longa trajetória em grupos musicais. Como está sendo a sua experiência de composição, produção e execução nesse âmbito?
Ferraz - É meu primeiro trabalho solo, nesses 6 anos profissionais na música. E realmente, tive projetos que me ensinaram muito, (os quais sou imensamente grato) sobre mercado, sobre produção, sobre políticas internas na música. Ao mesmo tempo sinto como se fosse o primeiro de todos, porque é o primeiro que pude investir mais foco e dinheiro nele.
Um álbum é além de uma vitória é uma boa caminhada. Me sinto sobretudo, com a mão mais firme no volante, tento mais coerência nas escolhas, de o que gosto e acredito da minha composição, mas com humildade de um eterno jovem aprendiz.

Você trabalha com uma mistura de elementos artísticos para compor sua obra de forma geral. Navegando pelo audiovisual, musical e gráfico, cria uma conexão entre os alimentos para estruturar o produto. Como é conciliar esses três pontos? O que dá origem, o que surge primeiro no processo de produção?
Ferraz - É uma loucura, minha cabeça muitas horas do dia gira em outra órbita, mas também é uma grande esponja de ideias. Como todo compositor insistente, eu tenho sempre um caderninho comigo para desenhar algumas imagens que vejo na rua, ou gravar melodias. Acredito cada vez mais que minha geração, que amadureceu com o digital no sangue, tende a criar cada dia mais artistas multimídias, que é isso que no fim das contas eu sou. Tenho muito interesse que meu trabalho atravesse as pessoas além do clichê
Poético da música, ou do “hype” que o mercado coloca em um artista modelo. Eu me interessei em entregar toda minha percepção de mundo, no olhar, no toque, no pensamento, quase como uma parabólica, porque quero transmitir isso para as pessoas.

Você lançou “Tela Viva”, single do seu debut, que sairá em junho deste ano. Além do gostinho que recebemos do single, o que podemos esperar desse disco?
Ferraz - Podem esperar um disco com muita curva de emoção, um passeio na serra! Músicas pra cima, músicas pra baixo, músicas pra dentro e músicas pra fora. E todas acompanhadas de um projeto visual. Acredito que até pessoas devotas de gêneros musicais específicos podem gostar bastante de algumas faixas desse álbum.

 Por último, sobre a produção do álbum. Além de contar com nomes como Alexandre Fontanetti, Felipe Câmara e Fabio Raesh, você também participou ativamente como produtor do disco. Como foi a experiência de trabalhar em conjunto com essa galera?
Ferraz - Foi um aprendizado gigantesco, e um marco na minha carreira ter encontrado artistas tão talentosos, o Fonta (Alexandre Fontanetti) e o Fêlipe. Primeiro que sou muito fã das produções do Spaceblues, e dos álbuns premiados do Studio, como o Pomar Jardim do Nando Reis, o Apka da Céu, o Bossa n’roll da RitaLee, entre outros, e quando mandei minha Demo eu fiquei muito feliz com o retorno pessoal do Fonta por telefone dizendo que minha voz e composições eram muito maneiras, e o convite em si pra conhecer o espaço e produzirmos juntos. Fonta e o Felipe foram parceiros de longa data nas produções premiadas e indicadas ao Latin Grammy no Spaceblues, trocar figurinhas com eles, aprender com eles em todas as sessões foi incrível, as idéias que surgiram no processo, o som tirado, o convite de outros músicos incríveis pra participar de arranjos, como a Cozinha Insana (Pedro Insano Luz no baixo e Caio Gomes na Bateria), entre outros. Enfim, além da liberdade que tenho na co-produção, de conseguir expressar muito do que quero, tocar os instrumentos que gostaria de tocar, e experimentar idéias que vem das minhas referências é um processo que não tem preço. Além de Fonta e Fê nas produções, o Felipe Câmara é dono do Selo Camarada, Selo ingresso na Ingrooves , distribuidora da Universal Music Group, que licenciam e distribuem meu trabalho com muita inteligência. Sobre Raesh, é um parceiro sem palavras de longa data, desde Cravo Caramelo, minha primeira banda ainda não profissional na música ele já me acompanhava, na Gorú ele quem mixou e masterizou o EP produzido por mim, e hoje é além de co-produtor parceiro do álbum solo, dono da mix e master de algumas faixas é também meu assessor artístico pela ÁZ Criação Artística que faz um trabalho muito incrível e novo em Curitiba e São Paulo (comigo).

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