Jazz Cigano e Yamandu Costa juntam improviso e malandragem em novo disco

- Atualizado às 09:33
Por - Redação Bem Paraná com assessorias
(Foto: Divulgação)

O improviso do jazz francês e a malandragem da música brasileira se únem para harmonizar a mais nova parceria entre o grupo curitibano Jazz Cigano Quinteto e o virtuoso violonista brasileiro Yamandu Costa. O resultado dessa mistura será conhecido no dia 29 de julho, quando ocorre o lançamento do mais novo disco, gravado inteiramente ao longo da pandemia do novo coronavírus. O material chega ao público logo de cara com o mérito de transmitir a sensação da troca de olhares entre os músicos nas gravações (algo que está no DNA do choro e do jazz). Porém, isso (literalmente) não aconteceu.

Com a malemolência brasileira para vencer um oceano de distância (Yamandu mora atualmente em Portugal), o álbum contém músicas autorais do quinteto e do violonista. "Em jazz o único arranjo que existe é como vai começar e como vai terminar. Nosso maior desafio foi parar e pensar o que ia acontecer nesses meios das músicas. O receio era gravar separado e quando juntasse gerar o efeito daquelas bandas que soltam os ritmos no teclado nas apresentações. Foram muitas trocas e videoconferências, quase como conversa por cartinha dentro de uma garrafa jogada no mar. Estamos todos felizes com o resultado", descreve Vinicius Araujo, violonista do quinteto curitibano.

Os caminhos percorridos pelos artistas no álbum ao longo das faixas contam com um pé no chamado jazz manouche, também conhecido como gypsy jazz. O estilo foi criado pelo consagrado guitarrista belga radicado na França Django Reinhardt, nos anos 1930, e segue até hoje como um marco entre os jazzistas mundo afora. Uma composição clássica de Django está entre as gravações, assim como também sambas e choros de outros compositores, formando uma verdadeira ponte entre o improviso e a malandragem.

"Estou muito feliz de poder estar lançando esse álbum, considero que seja um trabalho original em muitos aspectos. As expectativas são as melhores, esperamos que possamos na sequência acontecer uma turnê brasileira e até quem sabe fora do Brasil, trazendo essa mistura que é tão inusitada e de alguma maneira tão natural também, porque a linguagem da música popular sempre se retroalimentou de um jeito ou de outro", explica o violonista Yamandu Costa.

Parceria de longa data

O disco do quinteto e o violonista será lançado no dia 29 de julho, mas é fruto de uma amizade que nasceu há mais de dez anos. O grupo teve o primeiro contato com Yamandu quando este veio ministrar um pocket show em Curitiba e Vinicius aceitou o convite para jantar logo após o evento. De lá para cá, o papo engatou e não parou mais. Já foram diversas apresentações em teatros, festivais e até mesmo uma parceria na gravação na faixa de um disco, lançado em 2015. 

"A ideia do álbum que estamos lançando agora é pra ser um disco de músicos brasileiros tocando com referências nossas, para representar o que a gente é nesse contexto do jazz manouche. A gente não é cigano e não é francês. O que temos é a possibilidade de misturar nossas coisas com tudo isso", avalia Vinicius. 

Yamandu também enxerga uma intercecção entre o jazz francês e o choro brasileiro pelo fato de que são músicas populares e tem uma forma mais solta de se tocar. "O choro sempre namorou muito com o jazz manouche, como namora com a música cigana, como namora com todos esses estilos de música popular, o tango, o fado, entre outros. Então essa junção minha com o Jazz Cigano é uma homenagem a tudo isso, a essas características de linguagem que se encontram dentro da música popular. Fico muito feliz de poder estar lançando esse trabalho com eles", celebrou Yamandu.

Homenagem a Mirandão

O álbum também conta com uma homenagem póstuma ao clarinetista Daniel Miranda (falecido em 2019), mais conhecido como Mirandão. Ele era pai do violonista Lucas Miranda, que, junto com o grupo, homenageia neste single seu pai, o clarinestista Daniel Miranda. A canção cujo título é Mirandão tem fortes influências do choro brasileiro, do jazz e celebra as inúmeras participações e influências de Daniel no trabalho do grupo curitibano Jazz Cigano Quinteto. Ele era carinhosamente apelidado de sexto integrante do grupo. A música reflete o sentimento do grupo em relação a Daniel, comprimindo alegria e saudade. 

Álbum

O disco ficará disponível nas principais plataformas de streaming.

Apresentações

Pensador: 30/07

Wonka Bar: 02/08

Astral da Ilha (Ilha do Mel): 06/08

Dizzy Café Concerto: 10/08

Ficha Técnica

Yamandu Costa – Violão 7 cordas

Jazz Cigano Quinteto

John Theo – Violino

Vinicius Araujo – Violão Solo

Lucas Miranda – Violão Base

Wagner Bennert – Baixo Acústico 

Mateus Azevedo – Bateria

Mix e Master: Gil Costa e Vinicius Araujo

Produção executiva: Eduardo Mello, Vinicius Araujo e Giovanna Bertolini

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