Itaú Cultural lança plataforma gratuita de streaming de cinema e audiovisual brasileiros

- Atualizado às 12:18
Por - Redação Bem Paraná com assessorias

Curadoria reúne produções de todas as regiões do país, agrupadas e organizadas em uma grande diversidade de temas e mostras, que contemplam nomes conhecidos, diretoras, realizadores estreantes, autores negros e indígenas, entre outros. A seleção feita por especialistas da organização também conta com recortes de curadores convidados e instituições parceiras, contemplando variedade estética e temática. Entre os filmes históricos, a plataforma começa homenageando o cinema de Glauber Rocha e o olhar de Luiz Carlos Barreto sobre o futebol.

No dia da celebração do cinema brasileiro, o Itaú Cultural lança, em 19 de junho, sua plataforma de streaming Itaú Cultural Play. Com acesso gratuito, o catálogo inicial reúne 135 títulos dos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal, abrangendo filmes de ficção, documentários, séries documentais e de ficção, animações para crianças e para adultos, produções experimentais, entrevistas, palestras, curtas e longas-metragens. O endereço para cadastramento e acesso é itauculturalplay.com.br

A Itaú Cultural Play estreia com mostra dedicada a Glauber Rocha e homenagem ao produtor Luiz Carlos Barreto, dando visibilidade e acesso a produções históricas. Também traz cinema contemporâneo, com filmes reconhecidos pela crítica e premiados em festivais, obras de cinema independente, filmes universitários e mostras temáticas, com parceiros institucionais e de festivais audiovisuais.

Os títulos em cartaz perpassam dos clássicos ao cinema contemporâneo e obras mais recentes e de autoria negra e indígena. A grade também garante equilíbrio de gênero por trás das câmeras, com filmes realizados por 56 diretoras e 64 diretores.

“Vamos trazer a diversidade da nossa cinematografia para o grande público, gratuitamente, cumprindo nosso compromisso de ampliar o acesso à cultura brasileira”, diz Eduardo Saron, diretor da instituição. No futuro, a plataforma poderá ter salas com sessões especiais pagas, sem afetar o propósito central de ofertar conteúdo gratuito.

A diversidade é outro eixo do projeto. “A plataforma tem o cuidado de cobrir a diversidade temática e geográfica da produção nacional e aproximar o público deste conteúdo”, complementa Saron.

A chegada do Itaú Cultural ao mercado de streaming culmina um longo ciclo de relação da instituição com o mundo da arte e o uso intenso de tecnologia. A organização tem atuação histórica (veja na Linha do Tempo), desde a sua criação, quando produziu uma série de documentários chamada Panorama Histórico Brasileiro (PHB), depois distribuída em escolas públicas quando elas ainda recebiam filmes em VHS para apoio pedagógico.

Estão em seu percurso, ainda, outras ações como o apoio à produção audiovisual, por meio, por exemplo, do programa Rumos Itaú Cultural – como Edna, de Eryk Rocha, Almofada de penas, de Joseph Specker Nys, Ela volta na quinta, de André Novais – e produções próprias, como a série ICONOCLASSICOS com filmes sobre o dramaturgo Zé Celso, dirigido por Tadeu Jungle e Elaine Cesar; Rogério Sganzerla, dirigido por Joel Pizzini; Nelson Leirner, filmado pela diretora Carla Gallo; uma livre inspiração de Cao Guimarães da obra Catatau, do poeta Paulo Leminski, e um filme sobre Itamar Assumpção, dirigido por Rogério Velloso.

Com gerência do Núcleo de Audiovisual e Literatura e envolvimento de toda a instituição, o projeto está em desenvolvimento há dois anos. “Trata-se de uma plataforma em evolução, que será constantemente alimentada com novas produções e ajustada de acordo com as demandas que virão dos espectadores e da produção audiovisual brasileira”, afirma Claudiney Ferreira, gerente do Núcleo de Audiovisual e Literatura da instituição.  

SELEÇÃO DOS FILMES
Um dos diferenciais da Itaú Cultural Play também é a possibilidade de exibir a produção audiovisual realizada por instituições culturais de todo o Brasil, com recortes curatoriais próprios. No catálogo inicial, traz filmes selecionados por instituições parceiras de suas próprias produções – a Festa Internacional Literária de Paraty (Flip); a São Paulo Companhia de Dança, os institutos CPFL e Alana, além de dois canais de televisão, Arte1 e TVE/Bahia. Outras curadorias, nesta primeira mostra, vêm da programação de três festivais de cinema: forumdoc.bh – Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte, que fez a seleção de filmes de autoria indígena; IN-Edit – Festival Internacional do Documentário Musical e o É Tudo Verdade, que traz uma retrospectiva de curtas-metragens premiados em suas edições. Já são cerca de 30 parceiros acordados até agora, para organizar novas programações – entre eles, o Instituto Moreira Salles, Canal Futura, Sesc, São Paulo e a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, que apresentarão suas produções mais adiante.  

Além destes recortes, a seleção de filmes é cuidadosamente organizada pela equipe do Itaú Cultural. O catálogo inicial inclui 16 mostras temáticas, 56 longas-metragens, 50 curtas-metragens, 36 ficções, 69 documentários, 15 filmes de animação para adultos e para crianças.

Nesta plataforma, os filmes são disponibilizados com informações sobre as obras, sinopses e “porque ver”, ajudando o público a fazer descobertas e a tomar contato com as obras de forma contextualizada. Para complementar o conhecimento sobre os diretores, atores e filmes, a plataforma dá acesso aos conteúdos do próprio Itaú Cultural em seus canais, como a Enciclopédia, o site, a página no YouTube e os podcasts que produz.

Um exemplo é A negação do Brasil, documentário dirigido em 2000 por Joel Zito Araújo. Agregados à exibição do filme, a plataforma disponibiliza conteúdos relacionados e outros que encaminham para a Enciclopédia, em textos sobre a vida e obra do diretor, além de biografias do elenco. Também direciona para audiovisuais do canal do YouTube com debates sobre o cinema de Zito e outros sobre a negritude no audiovisual brasileiro, todos produzidos pelo Itaú Cultural.

OS CARROSSÉIS
Em sua estreia, a plataforma Itaú Cultural Play, homenageia a filmografia de Glauber Rocha e Luiz Carlos Barreto. De Glauber, traz trabalhos cuidadosamente selecionados e organizados entre a sua produção de 1959 a 1985. De Barreto, exibe os principais títulos relacionados ao futebol, que ele dirigiu ou produziu.

Outras mostras destacam diretores mais alternativos ou independentes, como Carlos Nader, Joel Pizzini, Júnia Torres, Otto Guerra, Joel Zito Araújo. Um dos programas permanentes é reservado ao cinema de autoria negra, começando por André Novais Oliveira, Viviane Ferreira, Joel Zito Araújo, Juliana Vicente e Zózimo Bulbul.

A representação dos estados brasileiros está nas mostras de autoria indígena e do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com a seleção de filmes feita por convidados do universo audiovisual.

Estas curadorias foram realizadas pelo Mercado Sapi – espaço criado em Goiânia em 2014, para promover conexões, trocas e diálogos voltados ao audiovisual realizado no Centro-Oeste –; Nordeste Lab –, criado em Salvador, em 2015, para a articulação e fomento dedicados ao desenvolvimento do audiovisual da região; e por Júnia Torres, documentarista, curadora e diretora do forumdoc.bh – Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte, que fez a seleção de filmes de autoria indígena.

Animações ganham espaço no carrossel permanente da plataforma Itaú Cultural Play, sejam para crianças, com o Cine Curtinhas, sejam para adultos, que inaugura com uma série de filmes de Otto Guerra. A Coleção Itaú Cultural, ganha espaço vitalício com a exibição de realizações contempladas via programas ou outras formas de apoio e produção própria do Itaú Cultural.

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