Francisco, El Hombre volta a Curitiba com o explosivo e militante ‘Rasgacabeza’

- Atualizado às 23:24
Por - Josianne Ritz
Francisco El Hombre: “Saímos da rua para os palcos”
Francisco El Hombre: “Saímos da rua para os palcos” (Foto: Divulgação)

Não é de hoje que a banda Francisco, el Hombre, formada por Mateo Piracés-Ugarte, Juliana Strassacapa, Sebastián Piracés-Ugarte, Andrei Martinez Kozyreff e Rafael Gomes, chama atenção no cenário alternativo nacional. e até internacional, pela mistura de ritmos, letras densas, sejam de amor ou de protesto, experimentos sonoros, ora freak, ora punk. O segundo trabalho do grupo, o disco RASGACABEZA é mais uma deliciosa experiência. Foi pensado a partir das catarses que aconteciam nos shows da banda, pensando do ao vivo para a gravação, um caminho inverso. Pois nessa sexta (7), o álbum ‘Rasgacabeza’, refaz o caminho para o palco, em show do Francisco El Hombre, no UniBar, em Curitiba.

Como sempre, a apresentação promete ser explosiva com um discurso militanteem forma de música, com em ‘Encaldeirando, aqui dentro tá quente’, ‘Chama Adrenalina- gasolina’ e ‘Chão Teto, parede, pegando fogo’, que promete ser a faixa mais explosiva das performances ao vivo, já que a sua coreografia sugere uma entrega total. “É para dançar até cair e suar até a última gota”, diz Mateo. O destaque do show deve ficar por conta da música `Matilha: coleira ou cólera`, que reforçou a militância da banda: “Faço afronte, faço a frente / A matilha é persistente / Se recria o horizonte quando a gente toma a frente / Canta aí, canta aí: / Educar e Resistir / Canta aí até fazer ele cair e tremer / A Matilha faz o chão tremer... / Faz o chão tremer!”

Músicas do disco antecessor, ‘Soltaasbruxa’ (2016), responsável por abrir os caminhos para a banda, também aparecem no roteiro da apresentação. O Barulho Curitiba conversou com Mateo sobre o novo disco e o show em Curitiba.

Barulho Curitiba — A banda Francisco El Hombre começou sua passagem por Curitiba há alguns anos tocando em troca de dinheiro, hospedagem e comida ali no Museu Oscar Niemeyer. Hoje vocês lotam shows e são recebidos com muito carinho e emoção na cidade. Como é olhar pra trás e ver essa transformação através da história de vocês?

Mateo Piracés — Ugarte - Sair da rua e hoje ocupar palcos nos dá muito orgulho. Quando a gente não tinha palco, a gente inventava um. Foi tijolo por tijolo que contruímos essa carreira sólida, juntando cada vez mais pessoas, que acreditam no que a gente diz. Somos resultado de uma coletividade e defendemos isso. O pessoal fala que explodimos porque estamos na trilha da novela. Isso não acontece. Temos o nosso público fiel e nunca houve uma explosão. É um trabalho árduo e de base.

BC - Sobre o último single da banda, intitulado de “MATILHA: coleira ou cólera”, que veio acompanhado de um clipe com uma mensagem extremamente forte de mobilização e oposição aos absurdos vigentes da sociedade. De que maneira pretendiam atingir o público?

Mateo — Matilha não é uma mensagem só nossa. Pegamos o sentimento que existe, um movimento que existe e transformamos em música, em militância. A resistência existe. Fizemos a música em casa, porque agora temos oportunidade e tecnologia para isso, e com a ajuda de Dudu Marote na produção. É uma música que abre alas para 2020, é o que queremos mostrar, que estamos prontos e alertas para virar essa página da história.

BC — Como foi o processo do videolcipe da música, que é muito forte?

Mateo — Foi maravilhoso, 450 pessoas se auto-organizaram para fazer esse clipe acontecer e reforçar a mensagem da música e da resistência Matilha é uma música que tem o nome de um coletivo de cachorros, talvez de rua – talvez vagabundos – que se unem e, uma vez unidos, é só educar e resistir, é só semear e seguir em frente.

BC — Vocês lançaram o disco RASGACABEZA - ano passado e foi um sucesso de público e crítica, contando com a parte da produção dos vídeos e musicalmente falando. Há planos de um novo disco em breve?

Mateo — Em 2020, vamos nos dedicar à estrada para multiplicar o Rascabeza. Queremos compartilhamos de uma só ideia de resistência na América Latina. É o nosso fio condutor deste ano. Vamos rodar o Brasil todo, e já temos shows agendados no Chile, México e Europa.

‘A gente não inventa bandeira, damos voz à resistência’

BC — A banda se tornou um fenômeno de representação política muito grande, fazendo shows memoráveis como o do Rock in Rio 2019 trazendo uma abordagem reflexiva não só na música mas no figurino, audiovisual e discurso. Como vocês sentem que é o peso desse papel e como vocês podem usá-lo para inspirar as novas gerações?

Mateo — Temos muito orgulho de transmitir essa mensagem. Hoje, tudo que fazemos é uma devolutiva do que nosso público tem feito por nós em todos os esses anos. Chegamos ao Rock in Rio. A gente não inventa nenhuma bandeiral, nós damos voz às necessidades que já existem, aos movimentos e à resistência que já ecoa nas ruas.

BC — Por último, como está a expectativa para 2020 com quase todos os primeiros shows do ano esgotados e toda a situação vigente? E qual a expectativa para o show de Curitiba?

Mateo — Os shows em Curitiba são sempre explosivos e certamente não será diferente dessa vez. O público sempre nos acolhe com paixão. A matilha vai ferver. Um show onde a coletividade manda.

Serviço
Francisco, el Hombre, com abertura Audac, Crizin da Z.O. e Discotecagem por Gosmma
Quando: sexta (7), a partir das 21 horas,
Onde: UniBar (Rua Imaculada Conceição, 1080, Prado Velho)
Quanto: De R$ 35 a R$ 70, à venda no https://www.sympla.com.br/francisco-el-hombre__747902
Classificação: 18 anos

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