Empresária de Curitiba sugere 'marcar' pessoas que defendem isolamento social

- Atualizado às 17:18
Por - Josianne Ritz
(Foto: Reprodução)

Um vídeo da empresária curitibana Cristiane Deyse Oppitz viralizou nas redes sociais nesta terça (21). No vídeo, ela sugere identificar com 'fita vermelha' as pessoas que estão em isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus. "As pessoas que não querem sair do confinamento, que não querem trabalhar, fazer a economia girar porque, segundo elas, o mais importante é a vida, marquem ou com um laço vermelho na porta ou quando for sair coloque uma fita vermelha. Aí nós vamos identificar você como pessoa que não quer fazer parte deste grupo que quer trabalhar'', diz ela no vídeo postado nas redes sociais em 23 de março. Segundo a 'lógica'  dela, a identificação serviria para identificar aqueles que não querem trabalhar e ''não estão contribuindo'' para que, caso precisem, não sejam ''assistidos em momento algum''.

Museu do Holocausto repudia declarações de empresária de Curitiba: 'Analogias implícitas são perigosas'

''Você não vai ter médico, você não ter farmácia, supermercado, o porteiro também não vai poder lhe atender por causa da marca na sua porta. Você vai ficar em isolamento total. Até que passe esse grande vírus. Assim, toda a alimentação produzida vai para as pessoas que estão contribuindo e não para as pessoas que não querem contribuir'', afirma. O vídeo foi criticado em praticamente todas as redes sociais e os internautas associaram a ideia da empresária à prática nazista de de Adolf Hitler na Alemanha, que identificava os cidadãos judeus com o uso da estrela de Davi.

Boicote a restaurante

Imediatamente, os internautas identificaram Cristiane como uma das sócias do restaurante Verd & Co, de comida vegana, em Curitiba, e começaram um boicote ao estabelecimento. Para tentar evitar o desgaste da imagem, o restaurante postou nas redes sociais uma nota garantindo que ela não é mais sócia do restaurante: "A VERD & CO. informa que sua loja física esta fechada, desde 19/03/2020 para o apoio na contenção da covid-19, que está entre os primeiros restaurantes da cidade, que suspendeu suas atividades de forma expontânea para preservação da vida. Informamos também que Deyse Oppitz, por divergências administrativas, não faz mais parte da gestão da empresa há quase um ano (faz e fará parte do quadro societário minoritário, até que a empresa termine de pagar pela compra de suas cotas)". Realmente, tanto na Junta Comercial quanto na Receita Federal, o nome dela ainda consta como sócia do estabelecimento.

A nota da Verd & Co, no entanto, não acalmou os internautas: "Não tem o que amenize o posicionamento da "sócia minoritária" dessa empresa. Ela representa o Verd&Co. E o posicionamento dela é o retrato de uma elite perversa, golpista e criminosa. Boicote sim a este restaurante!", postou uma internauta.

Comentários

© 2018 Barulho Curitiba