Em tempos de coronavírus, baladas clandestinas reúnem centenas de jovens em Curitiba

- Atualizado às 16:57
Por - Josianne Ritz
(Foto: Reprodução)

Com as casas noturnas fechadas em Curitiba e Região Metropolitana devido à pandemia de coronavírus, as baladas clandestinas estão a todo vapor. Na última sexta (8), por exemplo, uma balada com cerca de 500 pessoas aconteceu em uma chácara no bairro Campo Comprido, em Curitiba, com direito a DJ, muita bebida e até banho de piscina para os mais corajosos. A festa de ontem, como todas que têm acontecido em Curitiba e cidades da Região Metropolitana, como Colombo e Piraquara, foi organizada pelo whatsapp.

A entrada custou R$ 50 e o cardápio de bebidas era bem diversificado, de cervejas artesanais a vodcas importadas. Muitas pessoas, inclusive, postaram imagens da festa nos stories do Instagram, sem nenhum pudor. Entre os participantes da baladas, algumas influencers curitibanas, com mais de 50 mil seguidores. Questionado sobre o perigo de aglomerações em tempos de covid-19, um dos participantes da balada não pensou duas vezes: "É cada um por si. Dane-se o resto do mundo". Outra garota disse que a festa de ontem foi a terceira que compareceu desde o início da pandemia: "Ninguém aguenta ficar sem sair, sem balada, né?". 

Vários participantes da festa e internautas apontaram a casa noturna Pandoo Club como uma das organizadoras do evento, mas a direção do estabelecimento negou que tenha organizado a festa clandestina."A Pandoo Club Restaurante e Bar Ltda, manifesta-se em relação às más associações que vem sendo impropriamente realizadas ao seu nome, desde a data de ontem, 08/05/2020, nas redes e mídias sociais, referente à suposta organização de festa particular e aglomeração de pessoas, esclarecendo que não possui qualquer vínculo com o ocorrido assim como repudia todo e qualquer tipo de organização festiva e aglomeração de pessoas conforme orientações e determinação da Organização Mundial da Saúde - OMS. Ressalta que conforme Decreto Legislativo nº 6, publicado em data de 20 de março de 2020, o qual reconhece o estado de calamidade pública em todo o território brasileiro, suspendeu todas suas atividades desde a referida data conforme informações publicadas oficialmente em todas suas redes sociais, de fácil constatação, estando devidamente fechada desde então, não realizando qualquer tipo de atividade ou evento, muito menos de natureza prejudicial à saúde de toda a população devido a pandemia que assola o país e todo mundo diante da proliferação do vírus COVID-19. Ressalta que foi uma das primeiras casas noturnas a decretar oficialmente seu fechamento no município de Curitiba - PR, seguindo todas as determinações do Poder Público e das autoridades sanitárias sobre a pandemia, não pactuando com qualquer tipo de aglomeração e realização de festas clandestinas. Portanto, qualquer tipo de associação ou menção que venha a dilapidar sua imagem e conduta, seja de qualquer natureza, serão devidamente analisadas e tomadas as providências legais, vez que falsas e claramente infundadas", diz a nota encaminhada à redação do Barulho Curitiba/Bem Paraná  pelo advogado Giorgio Jacques Breda, do escritório Breda, Gomes e Tavares, que representa a Pandoo.

"Festas clandestinas sempre existiram, agora aumentaram"

O presidente do Sindicato das Empresas de Gastronomia, Entretenimento e Similares de Curitiba (SindiAbrabar), Fábio Aguayo, afirma que as festas clandestinas sempre existiram na Grande Curitiba, mas que estão mais frequentes agora.  "As festas clandestinas sempre existiram em Curitiba, e aumentaram agora com o fechamento das casas noturnas, clubes e baladas. Essas festas acontecem em chácaras, coberturas, apartamentos e locais secretos", confirma ele.

"O que nos assusta é usar o nome de estabelecimentos que estão fechados, sofrendo com essa pandemia  para denegrir a imagem deles e de todo nosso setor, que já estão sofrendo com essa pandemia. E é claro nos preocupa o perigo destes eventos, que colocam em risco a vida das pessoas", afirma ele.

Aguayo também pediu que a Ação Integrada de Fiscalização Urbana (AIFU), da Prefeitura de Curitiba, fique atenta também às festas clandestinas que se multiplicaram na cidade: "Parece que só fiscalizam que tem CNPJ!". "E a AIFU tem que liderar isso, pois só quer fiscalizar o nosso setor que está lutando pra ficar dentro das normas e regras", finaliza Aguayo.

Qualquer denúncia de eventos clandestinos ou estabelecimentos não essenciais abertos pode ser feita no 156 da prefeitura. 

Atualização da reportagem

O secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto, afirmou nesta segunda (11), em entrevista ao Programa Balanço Geral Curitiba, da RIC TV, que os responsáveis por uma festa clandestina realizada na última sexta (8) em uma casa de eventos no bairro Campo Comprido, em Curitiba, denunciada em primeira mão pelo pelo Barulho Curitiba/Bem Paraná, irão responder por crime contra a saúde pública. Segundo ele, a pedido do governador Carlos Massa Ratinho Júnior, as imagens da festa já foram encaminhadas à polícia civil e a à polícia militar.

“Nós interrompemos aulas, interrompemos o comércio, diminuímos linhas do transporte coletivo e somos surpreendidos por uma situação como essa de 500 pessoas. E não é a única, existem outras, mas as polícias do Paraná já estão de prontidão. Vamos tomar as medidas necessárias e localizar os responsáveis porque isso é crime contra a saúde pública”, disse o secretário. "Trata-se de uma irresponsabilidade neste momento que estamos vivendo. Fatalmente, alguém que estava nessa festa, pode sim ser um portador assintomático do coronavírus e ter ajudado a transmitir. Então, cada atitude dessa, cada situação como essa, daqui a alguns dias a gente acaba sentindo no sistema de saúde, na porta da Unidade de Pronto Atendimento, do Hospital".

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