Drag Kings de Curitiba fazem calendário erótico que satiriza o Vale Tudo

- Atualizado às 16:42
Por - Josianne Ritz

Você certamente já ouviu falar de drag queens, mas conhece os drag kings? Assim como as queens, os kings também brincam com as ideias mais comuns sobre gênero, mas, nesse caso, o masculino. Há registros de mulheres que se disfarçavam de homens ou performavam masculinidade desde a Idade Média, como Joana D’arc, Papisa Joana, Rainha Cristina da Suécia e outras. Na arte, os primeiros registros são do século 19. Eram conhecidas como “imitadores masculinos”, mas aqui no Brasil, nos últimos cinco anos é que eles têm ganhado mais visibilidade. Ícone do movimento king no país, o coletivo curitibano Kings of the Night lança no dia 22 de  janeiro o seu segundo calendário sensual, que além de trazer fotos picantes “desses machões em seus momentos mais viris”, segundo a organização, também serve para fomentar a cena quase inexistente no país. No primeiro calendário, realizado no ano passado, o cenário foi o de um ferro velho, onde os kings encarnavam mecânicos. Vale Tudo! Essa é a temática do Calendário Erótico Kings of the Night edição 2020, com produção curitibana. O lançamento será no 351.

A casa abre às 20h e a performance temática coletiva começa às 21h30 em ponto. Um ringue será formado no lado de fora da casa.  Os ingressos custam R$ 15 para drags e tran. O segundo lote sai por R$ 20 e R$ 25 na hora. O calendário estará à venda por R$ 75. O 351 fica na R. Trajano Reis, 351 - São Francisco.


Dessa vez, eles entram no mundo dos esportes, satirizando o vale tudo. Em shorts marcantes e luvas, os kings aparecem desta vez no ringue, trazendo sensualidade, humor e violência, nas fotos feitas por Mônica Lachman. Segundo Rubia Romani, vulgo Rubão, integrante do coletivo e ministrante de oficinas sobre o tema que têm circulado o país todo nos últimos anos, a ideia do vale-tudo surgiu a partir de da vontade de falar sobre a erótica contida nos jogos de violência entre homens.


De grão em grão
A produção do calendário só foi possível com um recurso que tem cada vez mais feito parte da vida de artistas independentes no país todo, o financiamento coletivo. O projeto recebeu um total de R$ 2.800,00, doados por 35 pessoas.  O montante cobriu 70% do custos de realização e o restante será pago com a própria venda do calendário. Rubia esclarece que o financiamento coletivo é importante e fundamental, mas está longe de propiciar condições adequadas de trabalho para os artistas.
Participações especiais


Nessa edição do calendário, além dos nove integrantes que participaram da edição de 2019, cinco novos kings se juntaram ao coletivo ao longo de 2019. “O número de kings só aumenta. Somos 14 kings em atividade, além de muitos outros que já passaram pelos workshops. É importante essa união, pois além de nos apoiarmos, podemos diversificar os números”. Dessa forma, ela conclui, “o Kings of the Night vai se articulando para que o trabalho se fortaleça, na junção de diferentes visões, estéticas, maneiras de fazer, de estar em cena”.

O movimento

Drag King é um movimento bastante similar às Drag Queens: expressão artística onde pessoas de um gênero se vestem, se maquiam e se comportam de acordo com o “padrão” do gênero oposto. Neste caso é a mulher que se veste de homem e não o contrário, por isso o termo Queen, que significa “rainha”, é substituído pelo termo King, “rei” em português. E eles fazem perfomances como as drag queens.

Apesar de ter tido seu auge lá nos anos 1980/90, esse movimento feminino de se “transformar” em homens em prol da arte e do entretenimento, teve seu início lá no século XIX, precisamente no teatro europeu, onde muitas atrizes trajavam “roupas de homem” para representar personagens masculinos.

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