‘CWB’, a nova HQ de José Aguiar, é uma jornada surreal pela Curitiba oculta

(Foto: Divulgação)

“CWB” é a sigla atribuída pelo IATA (International Air Transport Association) para o “Aeroporto Internacional de Curitiba – Afonso Pena”. Essa sigla não precisa de tradução e é universalmente associada à cidade de Curitiba. Em sua nova história em quadrinhos, o premiado quadrinista José Aguiar olha para sua cidade natal para refletir sobre ela através de sua história e cultura. Este livro é uma viagem pessoal do autor entre as letras que formam a sigla CWB. Espaço feito símbolos, ícones, história, arte, arquitetura, delírio e surrealismo. Uma viagem sensorial em que você pode percorrer uma Curitiba viva, um lugar que pode ser mais fantástico, perigoso e difícil de entender do que você poderia imaginar, como explica o autor:

“Eu, às vezes, tento entender qual é o meu lugar no meio desse caldo estranho que dá essência a Curitiba. Então esta é minha investigação pessoal de algo bem maior do que eu conseguiria comprimir neste livro. Minha história em quadrinhos é um passeio pessoal por uma “geografia do inconsciente”. Minha reflexão sobre o espaço da cidade, seus signos e arquétipos através do meu ponto de vista pessoal. Sei que pode soar pretensioso, mas garanto que a intenção que me motiva é mais singela. É emocional: eu amo sinceramente a minha cidade.”

Nas ruas e prédios famosos ou ordinários dessa Curitiba autoral transitam personagens do século XIX até o presente. Vindos das quase esquecidas aquarelas de João Pedro, o mulato; da Gaveta do Diabo de Narciso Figueras; das figurinhas das balas Zequinha, das obras dos famosos Erbo Stenzel e Poty Lazzarotto entre outros. Adicione pessoas reais, a santa Maria Bueno, o mito de fundação, entre outras referências locais e temos uma HQ que é ao mesmo tempo homenagem, resgate e um olhar crítico sobre a cidade lar desses seres fantásticos.

Experimentação em narrativa incomum finalizada na quarentena

Em vez de retratar cartões postais, Aguiar optou por ir além deles. Fez da cidade uma personagem através de resgate histórico, cultural e emocional de sua vivência nela. Em tempos de difusão do ebook e webcomics, esta obra é uma experiência de narrativa incomum que valoriza o livro impresso. Numa continuidade da exploração dos limites da linguagem das HQs como em suas tiras da série ‘Nada Com Coisa Alguma’, ‘CWB’ é uma narrativa muda com 120 páginas onde o leitor é convidado não somente a interagir, mas a decifrar a leitura.

Ilustrada em aquarela, a HQ desafia o leitor a percorrer a cidade junto dos protagonistas em perigosas aventuras. O cenário é o mesmo para duas tramas que iniciam em pontos diferentes do livro, mas que convergem e se espelham uma na outra para formar uma história maior.

A edição possui dois textos complementares que contextualizam e referenciam as lendas, fatos históricos, personagens reais e fictícios que a compõem, bem como a relação do artista com a cidade e a obra: “Este projeto foi finalizado em meio à quarentena que a pandemia de Covid-19 deflagrou no mundo todo. Ela me surpreendeu longe de casa. Fazia pouco tempo que eu e minha família havíamos viajado para a cidade de Leipzig, na Alemanha, para passar um período de aprimoramento como artistas e professores. Pegos de surpresa como todos, eu estava finalizando uma história em que a população de uma cidade está confinada numa maleta, justamente quando o planeta confinava as pessoas em casa, longe das ruas”, diz Aguiar.

Obra será doada à bibliotecas e vendida na Itiban Comic Shop

Este é um projeto realizado pela Quadrinhofilia Produções Artísticas, através do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura da Fundação Cultural de Curitiba, com incentivo da Celepar. Através dele foram realizadas oficinas de capacitação de professores e para crianças e adolescente das cinco regionais de Curitiba. Metade da tiragem foi destinada a doações, incluindo escolas, bibliotecas e gibitecas espalhadas pelo país. Antes do evento de lançamento virtual programado para dezembro os exemplares destinados ao autor serão comercializados com exclusividade pela Itiban Comic Shop, numa iniciativa do autor em apoiar a única loja especializada em quadrinhos em Curitiba. Como esta obra valoriza a cultura local, no contexto da pandemia do Covid 19, é coerente priorizar um comércio de livros local que fomenta a cultura das HQs. A tiragem limitada torna este livro também um ítem de coleção não só para quem mora em Curitiba. Mas para quem deseja conhecê-la através de um novo olhar e desfrutar de um quadrinho fora do convencional.

SOBRE

O autor
José Aguiar é mestre em Tecnologia e Sociedade pela UTFPR. Autor de quadrinhos também publicado em Portugal, Alemanha e França, recebeu diversos prêmios como o HQMIX e o Concurso Internacional de Quadrinhos do Senac/Devir.
Foi indicado ao Prêmio Jabuti pelos seus livros ‘Reisetagebuch - Uma Viagem Ilustrada pela Alemanha’, ‘Coisas de Adornar Paredes e A Infância do Brasil’, sendo que este último recebeu os prêmios Le Blanc e Minuano de Literatura. Coautor de ‘Vigor Mortis Comics’, da adaptação ‘Dom Casmurro’ de Machado de Assis, ‘Revolta de Canudos’ e ‘Ato 5’. Suas tiras de humor foram reunidas nas antologias ‘Malu – pequena, comum e extraordinária’ e ‘Nada Com Coisa Alguma’. Publicou tiras de Malu e outras no Bem Paraná entre 2002 e 2005.
Escreveu o livro ‘Narrativas Gráficas Curitibanas – 210 anos de charges, cartuns e quadrinhos’ e também sobre cultura pop no site Omelete e no jornal Folha de SP. Foi curador e idealizador dos premiados eventos Cena HQ e Gibicon – Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba e do Ciclo de Quadrinhos. Suas webcomics podem ser lidas em www.maluca.com.br e www.ainfanciadobrasil.com.br

Contatos do autor: (41) 984647386 / quadrinhofilia@gmail.com

SERVIÇO:
CWB
Autor: José Aguiar
Capa cartonada/Formato 21x29 cm/124 páginas, offset 150 gr/ colorido
Editora independente: Quadrinhofilia
Valor: R$ 50,00
Ponto de venda: Itiban Comic Shop
Av. Silva Jardim 845/ itibancomicshop.com.br/ (41) 3232-5367/itibancomicshop89@gmail.com

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