Curitiba se rende ao Carnaval e folia toma conta das ruas, bares e restaurantes

- Atualizado às 08:32
Por - Rodolfo Luis Kowalski e Josianne Ritz
Escolas de Samba ganharam mais adeptos e parcerias neste ano
Escolas de Samba ganharam mais adeptos e parcerias neste ano (Foto: Franklin de Freitas)

Não se faz mais carnaval em Curitiba como antigamente, ou melhor como há três anos. Naquele tempo, a cidade ficava vazia, os bares e restaurantes fechados e quem optava por ficar em Curitiba buscava a tranquilidade dos parques e das ruas. Agora, a temática do carnaval tomou conta das ruas. E isso pôde ser sentido já durante os meses de janeiro e fevereiro, quando o Pré-Carnaval da cidade cresceu em público e iniciativas – só de blocos de rua, por exemplo, já são 28 espalhados pela cidade. As escolas de samba também notaram o aumento de interação da sociedade e receberam novos integrantes. E de olho em todo esse movimento, os bares da cidade começaram a abrir os olhos para a folia e oferecem diversão para todos os gostos, da folia tradicional, ao jazz, nerd, roqueiros. Tanto é verdade que a pesquisa da Decolar, maior empresa de viagens online do Brasil e da América Latina, revela Curitiba entre os oito destinos mais procurados pelos brasileiros para passar o Carnaval em 2020. A capital paranaense aparece na oitava colocação, duas posições acima em relação à pesquisa feita no ano passado, um desempenho que a posiciona na frente de cidades como Recife e Florianópolis.

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“Curitiba vivencia hoje um movimento curioso, bastante diferente de anos atrás. Se antes éramos uma cidade de passagem, com turistas mais focados em negócios e eventos, hoje temos atrativos e qualidade de vida suficiente para atrairmos também turistas em férias”, comemora Paulo Iglesias, presidente do Curitiba e Região Convention & Visitors Bureau. Um levantamento da entidade indica que a rede hoteleira local terá ocupação média acima de 80% no período das festas de Momo.
Os bares e restaurantes se `jogaram` na folia neste ano. De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), a ideia dos empresários é ocupar o espaço que um dia foi dos clubes sociais da cidade, que tradicionalmente realizavam bailes de Carnaval para seus sócios e o público externo. Hoje, no entanto, são poucos os clubes que mantém essa tradição. “O que estamos sentindo é que o comportamento do empresário mudou porque ele sentiu que a cidade tem ficado cheia nesses dias, com pessoas que não querem um agito como o de Salvador, São Paulo e principalmente Rio de Janeiro. Como tem uma multidão para ser alegre, os bares são uma boa pedida e aí ficou esse nicho aberto”, explica Fabio Aguayo, presidente da Abrabar. “Os clubes (sociais) estão em baixa e os bares perceberam isso”, complementa.


Como exemplo disso, ele cita o Taco El Pancho, localizado no bairro Batel, e o Taj Bar, estabelecimentos tradicionais de Curitiba e que neste ano resolveram investir em eventos de pré-Carnaval e durante o próprio Carnaval. “Esse ano está bem diferenciado (o Carnaval). Dos últimos cinco anos para cá, principalmente de 2017 para cá, o Carnaval de Curitiba cresceu e nossa categoria está investindo, estimulando para pegar esse público. Quem investe nisso sabe que vai ter retorno”, afirma Aguayo, que ainda coloca o ano de 2020 como um dos melhores para a folia em Curitiba. “Se não é o melhor dessa década, é pelo menos para abrir a nova década com uma nova esperança de melhoria no nosso setor. Estão investindo porque querem ter essa euforia para ver se os negócios desenvolvem.”
Ainda segundo Aguayo, o público que participará dos eventos é uma mescla de curitibanos e pessoas que viajam para a cidade em busca de uma folia mais tranquila do que nos grandes centros carnavalescos. “Pega muito curitibanos, pessoas que evitam transtorno de estrada e preferem ficar na cidade ou deixam para viajar antes ou depois do Carnaval. Mas também devemos receber mais de 150 mil pessoas de vários estados e até de fora do país”, comenta.


Barbara Murden, relações públicas da escola de samba Acadêmicos da Realeza, relata ainda que nos anos 1990 o Carnaval curitibano começou a entrar numa descendente, sofrendo com a inconstância do incentivo por parte do município. O resultado foi o esvaziamento da festa, que começou a perder público e passou a ficar à margem. Mas a situação, aos poucos, vai sendo revertida.
“O que está acontecendo é uma desmarginalização do Carnaval, que é sempre uma coisa mal vista para nossa sociedade europeia do Sul. Mas isso está mudando, estão vendo que é uma festa familiar, um ambiente seguro. Rapidamente todas as escolas atingiram um nível inédito”, disse ela, em entrevista ao Bem Paraná. “O Carnaval de Curitiba está num momento-chave e só tende a crescer”.

Psycho Carnival e Zombie Walk: folia alternativa sobrevive e cresce
O carnaval curitibano começou como alternativa à folia tradicional, há 20 anos, com o festival Psycho Carnival, que está na 21ª edição. E não é porque as marchinhas e sambas tomaram conta de Curitiba que o carnaval alternativo ficou de lado. Pelo contrário, eles ganharam mais força reforçando uma programação vasta.
Neste ano, o festival, que acontece até segunda (24) no Jokers Pub, reunirá nada mais nada menos que 37 bandas de oito países. O músico e produtor cultural Vlad Urban, pontuou que aproximadamente 60% do público vem de fora da cidade para acompanhar os shows. “Criamos uma cultura diferente que depois foi reforçada pela Zombie Walk”, disse ele.
A Zombie Walk aliás chega na 11ª edição com a expectativa de reunir 30 mil pessoas no próximo domingo (23) e agora conta com apoio da Prefeitura de Curitiba e a cada ano aumenta a estrutura, com shows e barracas de alimentação.
Bares temáticos de rock, como Crossroads, Blood, Tork n´Roll e Hard Rock Café, também apostaram no carnaval e colhem os frutos. “No último ano, o pré-carnaval do Crossroads, assim como o CarnaKids, foi um sucesso e isso se dá devido à importância que o rock n’roll tem na vida dos adultos e crianças. Tem Carnaval para todo mundo”, disse Alessandro Reis, proprietário do Bar Crossroads.

Redes sociais foram fundamentais para ‘explosão de eventos’
As redes sociais se tornaram essenciais para a organização deste novo carnaval curitibano. No Facebook, no Whatsapp e no Instagram, os blocos se organizam, as escolas de samba se aproximam da população e os festivais atraem turistas. É uma espécie de onda: quanto mais se compartilham informações, fotos, stories, mais pessoas se sentem à vontade para curtir a folia.
As escolas de samba, por exemplo, adotaram uma postura diferente, se aproximando mais das pessoas com o avanço das redes sociais e as novas formas de comunicação. “Houve uma conscientização das escolas no geral, que já não fazem Carnaval só no Carnaval, mas têm movimentação o ano inteiro para capitalizar com as suas comunidades. E fora as redes sociais, hoje em dia se alcança pessoas que sequer sabiam que existia Carnaval em Curitiba”, explicou Bárbara Murden.
Vlad Urban, do Pshyco Carnival completou: “A internet consegue unir as cenas não só aqui no Brasil mas no mundo inteiro, aumenta o intercâmbio entre as bandas e o público acabou tendo uma oferta muito maior de shows. Talvez a internet seja responsável por a cena underground, fora da mídia, estar ativa até hoje.”

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