Curitiba ganha incubadora para jovens arquitetos e urbanistas

Por - Barulho Curitiba
(Foto: Eduardo Macarios)

Em novembro, Curitiba se tornou palco de mais uma iniciativa inovadora e precursora, o Atelier 1901, uma incubadora para arquitetos e urbanistas recém-formados. Com um modelo de negócio inédito, o projeto é idealizado pelos arquitetos Ismael Gustavo Zanardini e Thatiane Botto de Barros, sócios do Studio BaZa Arquitetura e Interiores.

Com o objetivo de reunir esses profissionais em um espaço que transcende a ideia de coworking, o Atelier 1901 não só disponibiliza espaços individuais para o trabalho, mas também busca colaborar na capacitação dos recém-formados por meio da prática projetual, com o apoio de arquitetos mais experientes e uma rede de parceiros técnicos e artísticos. Além disso, o Atelier 1901 também se propõe a ser um hub de captação de projetos por meio de parcerias público-privadas.

“Somos uma comunidade, um espaço de colaboração e de troca de experiências entre recém-formados em Arquitetura e Urbanismo e outros profissionais com o objetivo de capacitar esses novos profissionais em um lugar em que eles possam se desenvolver e se consolidar nesse início de carreira, sem medo de errar”, destaca Ismael Zanardini.

A permanência do recém-formado na incubadora é de até dois anos. Depois disso, espera-se que ele tenha se desenvolvido como profissional e possa buscar oportunidades como autônomo, com um escritório próprio, ou como associado em escritórios de arquitetura. Interessados em participar do Atelier 1901 podem se cadastrar pelo site www.atelier1901.com.br.

A IDEIA

A ideia do Atelier 1901 surgiu a partir de uma inquietação de Ismael e Thatiane. Formados pela PUC-PR em 2009, ambos tiveram dificuldades de encontrar emprego na área no primeiro ano como arquitetos. “Foram cinco meses angustiantes”, revela Zanardini, que buscou oportunidades em diversos escritórios, mas sem sucesso, o que o fez pensar em abrir mão da profissão e arriscar outras áreas. Isso só não aconteceu porque logo teve oportunidade em um escritório que buscava novos profissionais no mercado. “Não são todos os lugares que apostam em recém-formados, dando oportunidade de desenvolverem suas habilidades. Tive sorte”, conta.

Professor na disciplina de arquitetura de interiores nos cursos de graduação e pós-graduação em arquitetura e urbanismo na PUC-PR há oito anos, Zanardini também acompanha os dilemas dos seus ex-alunos depois de formados. Muitos o procuram depois da graduação com a mesma incerteza sobre futuro na carreira. “Vários buscam cursos de especialização para não ficarem parados ou defasados, mas isso não garante a tão sonhada colocação no mercado de trabalho”, revela.

Como em outras áreas, mesmo que o aluno tenha acumulado estágios ao longo do curso, isso não significa que ele sairá empregado ao final da graduação. Além disso, tanto o estágio como a graduação não qualificam o aluno para uma realidade comum na arquitetura, a abertura do próprio escritório, por exemplo. “Saímos da graduação inseguros e inexperientes, sem ter ideia de como nos colocarmos no mercado com autonomia”, comenta Thatiane.

Foi pensando nesses aspectos que Ismael e Thatiane conceberam a ideia do Atelier 1901, com o objetivo de não só capacitar, mas também tornar os arquitetos recém-formados aptos para se colocarem no mercado de trabalho com maior segurança. “O que queremos é dar autonomia para esses profissionais. Queremos que se destaquem nos projetos que venham a realizar”, salienta Zanardini.

CAPACITAÇÃO

Além de idealizadores, Ismael e Thatiane estão à frente do Atelier 1901 com o intuito de fomentar nos novos arquitetos as competências de se auto gerirem como profissionais, cada qual buscando criar suas próprias marcas e identidade para seus projetos e, assim, se estruturarem no início de suas carreiras. “Somos um hub de projetos, mas não só isso. Nosso propósito é capacitar os recém-formados a partir da prática, depois que esses projetos entrarem no Atelier. Tudo começa por aí”, salienta Thatiane.

Como centralizador de projetos, o Atelier 1901 seleciona possibilidades para seu público interno, isto é, os novos arquitetos. Cada projeto é apresentado para o grupo e os arquitetos interessados em desenvolvê-lo devem fazer um estudo preliminar, individual ou colaborativamente.

“Finalizada essa etapa, o cliente é chamado ao Atelier para que os arquitetos apresentem suas propostas. Dessa forma, o cliente tem diferentes ideias e concepções a sua frente para escolher uma para execução. Quando escolhida a melhor proposta, cabe ao arquiteto ou arquiteta responsável estabelecer o orçamento, fechar o contrato e executar o projeto, tudo com o respaldo dos nossos parceiros”, explica Zanardini.

Além de possibilitar ao cliente uma diversidade de propostas, o Atelier 1901 também se vale do talento desses profissionais. “Eles têm muita vontade de aplicar todo o conhecimento teórico acumulado na graduação no desenvolvimento de projetos ou na participação em concursos. Trabalham de forma dinâmica, colaborando uns com os outros e compartilhando conhecimento”, diz Thatiane.

Ainda, além da colaboração e apoio dos idealizadores, o Atelier 1901 também proporciona a troca de experiências com arquitetos e urbanistas conceituados, bem como mentorias “on demand” de acordo com os interesses individuais ou coletivos do grupo. E mais, o espaço também firmou parcerias com grandes empresas e fornecedores para dar suporte aos projetos. Até o momento, são 26 parceiros de diferentes segmentos aliados da iniciativa.

O ESPAÇO

Parte desses parceiros foram responsáveis pelas intervenções no espaço ocupado pelo Atelier 1901. Sediado no décimo nono andar de um edifício quase centenário, no coração da Boca Maldita, no centro da capital paranaense, o espaço tem uma vista privilegiada da Praça Osório, alcançada da sacada do imóvel de 200m2.

Amplo, arejado e acolhedor, o espaço projetado pelos arquitetos idealizadores é um local de trabalho que pretende não se caracterizar como “um lugar de trabalho”. “A proposta foi criar um ambiente intimista, para que os arquitetos sintam-se à vontade para permear cada espaço e trabalhar de diferentes formas, criando a ideia de pertencimento”, explica Zanardini.

Com capacidade para receber até 60 profissionais em dois turnos, o Atelier 1901 dispõe de trinta posições de trabalho, divididas em mesas compartilhadas que se integram à perspectiva de planos limpos e ambientes neutros. Um grande painel ao fundo, assinado pelo artista e arquiteto Rômulo Lass, reproduz em azulejos a geografia da praça em frente ao edifício construído na década de 1940. Nas paredes, obras do também artista plástico e arquiteto Erwin Zaidowicz Neto se destacam na decoração que ainda tem esculturas do catarinense Luciano Blanck, que já expôs no Museu do Louvre, em Paris (França).

Outros elementos decorativos são percebidos do nível do observador para cima, em prateleiras suspensas com alguns itens inusitados, parte deles frutos das garimpagens de Ismael em viagens e lojas de antiguidades. Outro destaque é o restauro de características originais do imóvel, como o piso de tacos de madeira, além da preservação e conservação de acabamentos originais nas instalações sanitárias e sacada. Vigas e lajes tornam-se aparentes para uma sensação maior de amplitude. Como estratégia projetual, as intervenções nos pontos elétricos e luminotécnicos foram deixadas aparentes para salientar quais foram as interferências recentes no local.

As escolhas para o projeto de interiores buscam reforçar o conceito de comunidade que o Atelier 1901 traz para dentro do seu espaço. “Somos um lugar de colaboração e compartilhamento. Traduzimos isso no projeto através da fluidez dos espaços, em estrutura horizontal, onde os arquitetos são estimulados a tomar suas próprias decisões”, comenta Thatiane.

É dessa forma que o Atelier 1901 se abre para ser um espaço inovador e receber seu público interno que, embora motivado e com vontade de conquistar seu lugar no mercado, sai da graduação com muitos medos e inseguranças. “Nossa comunidade oferece capacitação e estrutura para que os arquitetos tenham a possibilidade de amadurecer por meio da prática projetual e se consolidarem antes de alçarem voo para o mercado. Precedemos coworkings, aceleradoras e ecossistemas criativos. Somos uma incubadora, existimos para que os profissionais estejam em um espaço seguro para se desenvolverem, sem medo de errar, em uma relação em que todos ganham, os arquitetos, parceiros e a comunidade”, completa Zanardini.

PARCEIROS

Aliados do projeto, o Atelier 1901 conseguiu reunir um grupo notável de empresas e fornecedores como parceiros para as iniciativas idealizadas no local. São eles: Grupo Adamus, Ardonié Ambientes, Bigfer, Cebrace, Coral, Marcenaria Daysi Design, Decorea, Flor e Ser Planta, Hard Clean, Hettich, Hidroforma, JVN, Mannala, Maniacs Brewing Co., Monofloor, Momentum & Design, Ner Casa de Luz, O Bicho Carpinteiro, Pine Smart Home, Rocha & Barros Advogados Associados, STM Empreendimentos, Squadro, Tintas Verginia; além dos artistas Erwin Zaidowicz, Luciano Blanck e Rômulo Lass. Mais informações em www.atelier1901.com.br.

SERVIÇO

Atelier 1901

Rua Voluntários da Pátria, 400 – Centro

Curitiba/PR

www.atelier1901.com.br

contato@atelier1901.com.br

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