Crise do coronavírus tira a renda dos artistas de rua de Curitiba, que pedem ajuda

- Atualizado às 14:11
Por - Rodolfo Luis Kowalski
O artista de rua Plá: “Nesses 32 anos de carreira, nunca passei por uma situação dessas”
O artista de rua Plá: “Nesses 32 anos de carreira, nunca passei por uma situação dessas” (Foto: Franklin de Freitas)

A Rua XV de Novembro, no Centro de Curitiba, é conhecida como a Rua das Flores. Mas bem que poderia ser chamada de Rua dos Artistas, tendo em vista a quantidade de profissionais que fazem da arte o seu sustento e das pessoas que transitam por ali o seu público. Mas em tempos de pandemia do novo coronavírus, esses artistas estão sofrendo e pedem ajuda para sobreviver em meio à crise sanitária.

Em verdade, viver da arte nunca foi algo fácil no Brasil. Mas desde o dia 16 de março, quando Curitiba entrou em Situação de Emergência em Saúde Pública e a população começou a adotar as medidas recomendadas de distanciamento social, a situação se agravou. Já faz mais de mês que esses profissionais não conseguem trabalhar. Além de muitos fazerem parte do grupo de risco à Covid-19 por conta da idade, outro ponto é que o próprio público não estaria presente, já que o movimento nas ruas curitibanas caiu drasticamente.

Há 32 anos trabalhando na XV, Carlos Alberto Gomes, o Palhaço Chameguinho, conta que nunca havia visto uma situação dessas. Ele, que tem duas filhas pequenas, uma de três anos e outra de um ano e meio, está com a esposa grávida – a expectativa é que a terceira filha nasça nos próximos dias.
“Nesses 32 anos de carreira nunca passei por uma situação dessas. Peço ajuda de todas as pessoas, todo o público. Sou artista, sou lutador, e quero ser vencedor. Mas no momento não posso vencer, porque estou preso ao coronavírus”, desabafa. “Estamos vivendo da ajuda dos outros. Faço um bico aqui, outro ali, algumas pessoas nos ajudam e assim vamos vivendo”, diz o artista, que tem trabalhado para uma ONG e também como cuidador de idosos para conseguir alguma renda.

Os relatos de Ademir Antunes, o Plá, e de Jota Eme, o Homem-Aranha da Rua XV, são parecidos. “Eu vou dizer uma coisa para você. Se não fosse a ajuda de algumas filhas, nossos amigos... Filhos e amigos funciona mais que ajuda emergencial do governo, é uma coisa impressionante”, comenta Jota Eme, afirmando que tanto a renda dele como a da esposa, Regina Celi, que trabalha com figurinos de teatro e cinema, caiu 100%, ou seja, zerou. “Estamos vivendo disso aí mesmo, filhos, amigos, pessoas ajudando a gente”, complementa.

Já Plá relata que ficou do dia 15 de março até a última segunda-feira em casa. Após mais de 40 dias em casa, na última segunda-feira voltou à Rua XV para fazer uma experiência. “Senti que as pessoas estão muito receosas, a atmosfera aqui está meio pesada. Comecei aqui na XV em 1984, já são mais de 30 anos. E olha, perto do que está acontecendo, tudo o resto das coisas foram fichinha. Isso aí detonou mesmo, não tem como a pessoa vir.”

‘Tenho pedido a Deus para não deixar minhas filhas passarem fome’

Com duas filhas pequenas em casa e a terceira a caminho, Carlos Alberto Gomes, o Palhaço Chameguinho, comenta que está bem emocionalmente, mas graças à família. “Se não fosse casado, tivesse duas filhas maravilhosas e uma bebezinha para chegar, estaria com depressão. Dá um baque, não posso trabalhar, viver a vida que eu vivia. Você não poder se maquiar, não poder ir lá trabalhar, é uma tortura”.

A preocupação, contudo, é grande. Em especial por conta das filhas pequenas e pelo que tem visto acontecer com colegas da classe artística. Segundo ele, muitos artistas estão tendo de viver na rua por não estarem conseguindo pagar o aluguel. “Minha filha olha, pede pão, e tenho de dizer que não tenho dinheiro para comprar pão, que temos de esperar achar algo para fazer. Para minha esposa é difícil, gestante, vendo a situação em que estamos. A dificuldade está muito grande para gente, estamos só na mão de Deus. E eu tenho pedido a Deus para não deixar elas passarem fome.”

Saiba

Como ajudar os artistas de rua
Com o público em isolamento e diante da impossibilidade de trabalhar em face da crise causada pelo novo coronavírus, os artistas de rua estão apelando para o público curitibano em busca de ajuda. “Está sendo um sofrimento muito grande, muito grande mesmo, e não estamos suportando isso. A necessidade bate e não tem para onde ir, para onde correr. Fica bastante difícil”, afirma Carlos Alberto Gomes, o Palhaço Chameguinho.

A principal forma de ajudar é por meio de doações. Jota Eme, por exemplo, está aceitando contribuições por meio da conta de sua filha, Francielly Siqueira, já que ele não possui conta em banco. O banco dela é o Santander, e o número da agência e da conta são, respectivamente, 4295 e 01034574-2. Quem quiser pode entrar em contato com ela também pelo WhatsApp: (41) 98810-590.

Já o Plá e sua esposa estão divulgando seus trabalhos e os negociando por meio do perfil do artista e de sua página no Facebook. Funciona assim: a pessoa indica o que quer comprar e deposita o dinheiro na conta dele, recebendo na sequência o produto desejado pelos Correios. A conta poupança da Caixa Econômica para contribuição é: Agência 3876, Op. 013, Conta Poupança nº 6071-6. O nome completo do artista é Ademir Antunes dos Santos e seu CPF, 317707629-49. “ Tô aceitando qualquer doação. Nessa parte financeira está ficando bem difícil de uns dias para cá”, diz o Plá.

Por fim, o Palhaço Chameguinho também deixa disponível sua conta poupança na Caixa Econômica para o recebimento de contribuições. A agência é 013 e o número da conta, 00006669-2. O CPF do artista é 99657031915.

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