CPM 22 toca neste sábado em Curitiba; Confira entrevista exclusiva com o baterista Japinha

- Atualizado às 19:55
Por - Henrique Romanine
(Foto: Divulgação)

Qualquer pessoa que viveu intensamente os anos 2000 no Brasil se lembra  dos versos de Regina Let's Go e Um Minuto para O Fim do Mundo, dois dos carros-chefe do CPM 22, que marcou a juventude de muitos(as). A banda, uma das maiores representantes do hardcore melódico, foi, ao lado de Pitty e Cachorro Grande, a cara do rock brasileiro na década passada.
Apesar do gênero não vivenciar os seus melhores dias, devido a inúmeros fatores mercadológicos, os fãs e admiradores fiéis continuam a acompanhar a trajetória do grupo, que se apresenta neste sábado (24), no Spazio Van, com a sua nova turnê, "Suor e Sacrifício". Outras duas bandas de renome se apresentam no mesmo evento: a capixaba Dead Fish e a paulistana Escombro.
Conversamos com o Ricardo "Japinha", baterista do CPM, sobre a nova turnê, as dificuldades de continuar a se fazer rock no Brasil e a relação com Curitiba. Confira o papo a seguir! 

 

Barulho: O CPM 22 foi uma das figuras responsáveis pelo boom do rock brasileiro nos anos 2000. Pra banda como um todo, qual é o fator pra continuar na estrada depois de tantos anos de carreira?

Japinha: Basicamente, o fato de gostarmos muito de estar no palco, de trabalhar com música, desde jovens. Agarramos e trabalhamos as possibilidades, e buscamos nos renovar a cada trabalho.


Barulho: Vocês vão tocar em um mesmo festival que o Dead Fish, outra banda representativa do hardcore. Existe a possibilidade de vocês tocarem juntos no show?

Japinha: Já tocamos juntos em muitos outros eventos, e nada impede que role uma participação deles, e vice-versa, no show. Mas nada foi conversado sobre isso ainda, se rolar, é algo que vamos decidir na hora. O Rodrigo (vocalista do Dead Fish), inclusive, já dividiu os vocais com o Badauí (vocalista do CPM 22) em "Atordoado", música do nosso terceiro álbum, "Chegou a Hora de Recomeçar", de 2002.  Temos uma ótima relação e se vier a acontecer a parceria no palco, vai ser algo bem bacana.


Barulho: Você foi um dos fundadores do Hateen e da banda Arizona. Quais são as grandes diferenças entre esses projetos, e qual foi a motivação para participar de cada um deles?
Japinha: O Hateen foi anterior ao CPM 22, foi a banda que me revelou. Éramos uma banda de amigos, tocando o som com o qual nos identificávamos e foi importante, no sentido de nos inserirmos na cena roqueira. O convite pra eu participar do CPM surgiu a partir daí. Já o Arizona, que agora se chama Dinossaurus, surgiu pela necessidade de fazer minhas próprias composições, e me possibilitou um novo desafio, que foi assumir os vocais de um grupo.  Eu diria que a motivação é a mesma, em todos: fazer rock (risos).


Barulho: Em um documentário sobre a MTV, alguns artistas afirmaram que, depois do encerramento das atividades da emissora, o espaço do rock ficou restrito no país. Você concorda com essa afirmação?
Japinha: Na verdade foi uma confluência de fatores, incluindo o fim da MTV, a popularização da internet. Com a MTV, foi possível conhecer muitos artistas que naquela época, talvez não conseguissem chegar ao alcance do grande público, mas a renovação da geração não foi consistente. A internet em si não é culpada, mas é a responsável, pois a facilidade em se consumir e divulgar músicas de diferentes gêneros, acabou enfraquecendo o movimento. Sem contar as TV's  e FM's, que por seguirem um padrão de programação,  desestimularam a reprodução do rock, assim como o declínio das gravadoras, que antigamente tinham mais poder de fogo. O que ficou disso tudo é o público roqueiro, que independentemente da cidade, permaneceu firme e forte, acompanhando o trabalho das bandas.

 

Barulho: Vocês surgiram no cenário independente e conseguiram se destacar no mainstream, de uma forma arrebatadora. Na sua concepção, quais são os pontos positivos e negativos dessas duas vertentes?
Japinha: O ponto positivo foi a democratização das pessoas, para acessar todos os tipos de banda, de sons, principalmente através do Youtube e dos serviços de streaming, algo que há uns 15 anos atrás, não acontecia. O ponto negativo: o jeito de consumir música, mesmo sendo citado por mim como algo positivo, pulverizou a mesma, deixando o poder de alcance das bandas bem menor do que antes. Não há mais fidelização, como na época dos CD's, LP's. Os fãs, não só do CPM, como de outras grandes bandas do rock nacional, surgiram dessa forma. É muito difícil as bandas de hoje, surgidas nesse cenário, conseguirem fidelizar os fãs. Veja bem, não sou tão nostálgico, o novo deve surgir mesmo. Mas na minha concepção, os shows se tornaram a grande força dos grupos.

 

Barulho: Curitiba é uma das cinco cidades que mais escutam o CPM, segundo o ranking do Spotify. Como é a relação de vocês com a cidade?
Japinha: A internet facilitou o contato. Curitiba foi a primeira cidade em que tocamos, fora de São Paulo, e os fãs daqui pedem muito os shows da banda. Se demoramos a tocar por aqui, os fãs se mobilizam para que os shows ocorram, isso é muito bacana. E a possibilidade de contatos é enorme, esses tempos fiz um workshop de bateria, aí fui convidado a tocar  com uma banda local, depois fui convidado para participar de um clipe, então surgem também vários eventos para participarmos na cidade. Todos da banda, sem exceção, gostam muito daqui.

 

Barulho: Pra finalizar, o que o público curitibano pode esperar do show deste sábado?
Japinha: Vamos tocar as músicas do novo álbum, "Suor e Sacrifício", mais repertórios de várias fases da banda. Também incluímos no setlist uma música que não foi lançada em shows, nem em discos, que se chama "Derrota e Glória".

 

Serviço

CPM 22, Dead Fish e Escombro  em Curitiba

Quando: 24 de novembro de 2018 (sábado)

Local: Spazio Van (Linha Verde, 15000)

Horário: a partir das 21h

Ingressos: De R$50 (meia-entrada) até R$200 (inteira), de acordo com o setor

Vendas: Alô Ingressos

Forma de pagamento: Dinheiro | Cartão de Débito | Cartão de Crédito (a vista)

Classificação: 18 anos

Realização: PlayM Produções

Informações: (41) 2105 0930

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