Conheça as histórias de amizades entre jovens que duram mais de 10 anos

- Atualizado às 18:00
Por - Maitê Ritz

Durante toda a nossa vida nós somos bombardeados com significados de amizades e demonstrações com manuais de “como ser um bom amigo”. Algumas pessoas dizem que é com o tempo, outras que é sobre conexão. Mas no final, amizade é sobre amor e compreensão. No livro “Cartas de Amor Aos Mortos”, existe uma frase que eu gosto muito. “Um amigo é alguém que te dá liberdade total para você ser você mesmo- especialmente para sentir ou não sentir. Qualquer coisa que você sinta naquele momento está bom para ele.”

 

É uma boa definição. Ano que vem, fazem 10 anos que eu tenho uma amizade, e eu só tenho 18 anos de vida. É a amizade mais longa que eu já tive, e também a mais tranquila. Pensando sobre tudo isso, resolvi colher algumas histórias sobre amizades entre jovens que duram há tempos, e reúni depoimentos lindos, além do meu. Vem conferir.
 

 

Mariana Gadens Mosson e Isabella Szytko Garcia, 18 anos de idade e 13 anos de amizade e a sobrevivência perante uma mudança

 

 

As duas se conheceram com 5 anos e foi daquelas amizades no estilo instantâneo de criança. Sempre muito unidas, a amizade sofreu um abalo estrondoso por conta de uma notícia inesperada.  “Eu descreveria nossa amizade como algo atemporal. Digo isso porque em 2012, a Isa se mudou para Brasília. Foi um momento que eu acreditei fielmente que ia perder minha melhor amiga, foi triste demais. Mas nos falávamos sempre que podíamos, e toda vez que ela voltava pra Curitiba, lá estávamos nós grudadas, brincando e contando tudo uma para outra como se ela nunca tivesse ido.” Comenta Mariana sobre a partida de Isabella.

 

O reencontro

 

Mariana nos contou sobre o momento em que ela percebeu que nada mudaria. “Claro que ao longo do tempo cada uma foi construindo sua própria vida, e deixamos de ser uma amizade presente. Porém, nas férias de 2018 resolvi ir pra Brasília para finalmente ver ela depois de tantos anos e conhecer a cidade que ela tanto falava bem. E novamente foi como esses anos sem notícias alguma não tivessem existido. Acredito que devido a esse reencontro, nossa amizade se fortaleceu novamente e voltou a ser como era na primeira vez.” 

 

Ao pedir que pensasse em uma memória favorita das duas, Mariana se emocionou. “ Nossa! Não consigo escolher...mas o reencontro deste ano foi vital. Pudemos relembrar momentos e perceber que mesmo que tenhamos crescido, mudado e termos vidas totalmente diferentes, entre nós duas nada tinha mudado. Ela me mostrar um pouquinho da vida dela, foi como uma parte de mim estivesse conhecendo ela de novo. Mas a outra parte via manias e um jeitinho que eu já conhecia de outros carnavais. E acho que essa é a melhor parte e a melhor lembrança q eu possa associar a ela: termos mudado com a vida mas a vida não ter mudado quem somos. Ainda somos mari&isa isa&mari, assim como no prézinho.” 


 

 

Manoela Vieira e Renata Silvério, 18 anos de idade e de amizade, um amor que atravessa tudo.

 

 

Hoje, Renata é artista e Manoela é estudante. Elas se conheceram quando ainda eram bebês, já que seus pais eram bem amigos e seguiram estudando juntas por anos. As duas dizem que em suas primeiras memórias já enxergam uma a outra. Quando questionadas sobre como é essa amizade, as declarações são fofas. Manoela diz : “Incrível. Somos praticamente irmãs, confio nela mais que tudo e não imagino minha vida sem ela.” Já Renata, faz uma declaração ainda mais amorosa. “Nossa conexão é muito absurda, não há limites para o amor. É como se eu sempre tivesse uma segunda casa me esperando” comenta a artista.
 

 

A melhor lembrança

 

Perguntamos a todos os entrevistados qual a melhor lembrança que eles tem das respectivas amizades duradoras. No caso das duas, a mesma lembrança veio à mente das garotas. “Não consigo escolher apenas uma, mas a primeira que vem na minha cabeça é 2008 na piscina na bahia, meu pai contado histórias sobre o universo paralelo e a renatinha completamente impactada” conta Manoela com empolgação.

 

“COM CERTEZA foi essa viagem que o pai da Manu passou HORAS me contando como existem aliens e universos paralelos e eu fiquei MUUUUITO impactada, não fazia ideia que esses tipos de coisa poderiam existir.” Completa Renata, lembrando do momento.


Eduardo Costa Junior e Thiago Mueller Hartmann, 19 anos de idade, 10 anos de amizade e um aniversário cósmico.

 

 

Os estudantes de design, Eduardo e Thiago, se conheceram aos 8 anos no colégio em que estudavam. A amizade cresceu e ainda esconde um fato cósmico: “O Thiago nasceu apenas um dia antes de mim, acho que tem uma coisa cósmica aí. A gente sempre apoia o outro e ao longo desses dez anos fizemos tantas coisas que chega a ser difícil de lembrar. Criamos até um mundo já!” comenta Eduardo

 

Thiago já diz que a amizade é poderosa. “É quase inquebrável, pode acontecer qualquer coisa (até porque já aconteceu bastante coisa) e nada até agora abalou. Não imagino minha vida sem ele”. Ao pedir fotos do antes e depois, eles me contaram que perderam todos os arquivos que tinham juntos, devido a um problema em um HD Externo. "Ficamos com apenas essa imagem mais recente, e isso é mais um fator sobre nossa amizade: tudo dá errado, mas no final dá tudo certo. Faz sentido?" continua Thiago.

 

A melhor lembrança 

 

No quesito das memórias compartilhadas, Eduardo destaca o companheirismo. “A melhor lembrança que eu tenho do Thiago são todos os momentos que a gente ficava a tarde no colégio criando e inventando um monte de coisa para o nosso mundo sem sentido. Ou na viagem de formatura que a gente estava rezando pra chover porque a gente não gostava de ninguém e no final choveu a gente comemorou tanto.”

 

E Thiago reforça que até as brigas foram partes importantes da amizade “Eu me lembro da época de lançamento de American Horror Story Coven em 2013 que ficávamos imitando as propagandas e sinceramente até as nossas brigas foram icônicas e marcantes pra mim.”
 

 

Alessandra Oliveira e Maitê Ritz, 18 anos de idade e pouco para 10 anos de amizade, um cachorro e um pinguim.

 

 

Em meio a tantas histórias bonitas, decidi acrescentar a minha também.

 

Hoje, a Ale cursa engenharia florestal e eu curso História. Mas nossa amizade começou na época do colégio, quando eu ensinei a ela como mexer no Club Penguin, lá em 2009. Depois de um tempo a Ale saiu do colégio mas a gente nunca parou de se falar, ou de se ver, tanto que ela já passou várias viradas de ano na minha casa.

 

Perguntei o que ela vê sobre a nossa amizade. “A nossa amizade é daquelas que não precisa se ver todo dia ou se falar toda hora pra saber que sempre não importando a situação uma vai estar ali pra outra pra o que der e vier, e isso é uma das coisas mais importantes do mundo.” ela me respondeu. 

 

Eu refleti um pouco sobre isso, e ela tem toda a razão. As vezes a gente fica meses sem se ver. Mas qualquer coisa importante que acontece comigo, ela é uma das primeiras que eu ligo. E vice-versa. A Ale está comigo em todos os momentos, seja indireta ou indiretamente, sem cobranças e com muito amor.

 

A melhor lembrança 

 

Perguntei sobre a melhor lembrança, mesmo sabendo exatamente o que ela ia falar.” Eu lembro da gente brincando que eu era o seu cachorro (alerex), na sua casa e no parquinho do colégio. Era tão inocente e ao mesmo tempo tão divertido e original.”.

 

Eu já me lembro de uma coisa mais geral. Há alguns anos eu estava aprendendo a lidar com a minha ansiedade e eu não conseguia pedir comida, ou falar com vendedores, ou nada do gênero porque eu suava frio. Durante todo esse tempo a Ale fazia tudo por mim, sem nem questionar. Até o dia em que ela olhou pra mim e disse “Agora é sua vez de ir lá. Mas eu vou segurar sua mão o tempo todo.” E eu fui. E deu tudo certo. Acho que é isso que amor significa né?
 

 

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