Companhia Antropofocus apresenta online peça sobre os 70 anos da TV brasileira

Por - Barulho Curitiba
(Foto: Paulo Feitosa)

Oficialmente, a Rede Tupi fez sua primeira transmissão pública no dia 18 de setembro de 1950, há setenta anos atrás, dando início a televisão brasileira. Nesta sexta (18), o Antropofocus vai apresentar o seu espetáculo que fala justamente sobre essa data. O Antropofocus é um grupo de teatro que pesquisa a comédia e suas múltiplas linguagens de encenação há quase 20 anos, e tem sua sede localizada em Curitiba. Em sua trajetória, o grupo registra a criação de 13 espetáculos teatrais, e 04 deles se mantém em repertório, além de participações em importantes festivais de teatro do Brasil e também fora dele. A apresentação será gratuita no canal do You Tube do grupo, mas o grupo vai oferecer um QRcode para quem quiser ou puder contribuir.

O espetáculo 'No Dia Seguinte' estreou em fevereiro de 2016, quando o grupo comemorava 15 anos de existência. O Antropofocus já havia desenvolvido espetáculos com dramaturgia cômica e outros de improvisação, entretanto faltava uma obra que unisse, de maneira mais homogênea, as duas linguagens. Foi nas pesquisas sobre o humor e improviso no Brasil que descobriram algo que possibilitou essa mistura de linguagens. Quando a TV brasileira começou os profissionais vinham do rádio, teatro e jornalismo sem nenhuma ideia de como trabalhar com essa nova mídia. Como não havia ainda a tecnologia para gravação em videotape, tudo era feito ao vivo e acidentes eram inevitáveis. Para contornar todos esses problemas, os artistas brasileiros eram craques em usar uma técnica teatral cujos registros mais antigos datam da Comédia dell Arte e dos contadores de história da Grécia antiga: o improviso. Portanto, este era o mote perfeito para que pudéssemos finalmente fazer a junção entre as linguagens pesquisadas pelo grupo.

Desde o começo de suas pesquisas sobre comicidade, ficou evidente para o Antropofocus o papel que a televisão teve em limitar as possibilidades da linguagem cômica vigentes no país. Ao criar um espetáculo sobre a televisão e criticar seu papel, espera-se satirizar as limitações da linguagem televisa e seu falso glamour, e evidenciar a importância da reciprocidade na ação dramática entre ator e espectador, experiência esta possível somente numa apresentação ao vivo.
Mesmo querendo manter como pano de fundo os aspectos históricos do surgimento da televisão no país e falando sobre como o improviso supria, muitas vezes, a falta de tecnologia, foi necessário buscar técnicas bastante modernas para alcançar isso no palco. Essa linguagem não distancia o espectador do espetáculo, muito pelo contrário. O uso da tevê ao vivo no cenário da peça não é mero artifício visual, mas sim um importante complemento da narrativa do espetáculo, em que o público pode observar as discrepâncias entre o que é transmitido (que aparece nas tevês) e o que acontece nos bastidores.

A peça narra a fictícia estreia da tevê brasileira, onde a plateia torna-se o auditório de uma programação ao vivo de 1950. Ao longo do ato inicial, todos acompanham os bastidores da tevê e a sua programação variada: seriado enlatado americano, propagandas, telejornal e telenovela. O público acompanha tudo no palco e nos aparelhos de tevê espalhados pelo teatro, que recebem transmissão ao vivo - assim, podem distinguir o que é transmitido e o que realmente acontece no estúdio, propiciando uma sátira aos bastidores da TV. Ao final do dia de estreia, toda a equipe é surpreendida pelo fato de que será necessário fazer tudo outra vez 'No Dia Seguinte', sendo que os programas não poderão ser reprisados e que a equipe não programou essa continuidade. A partir deste ponto, a equipe do estúdio repetirá os programas do dia anterior só que agora serão improvisados, tomando como base uma entrevista realizada com uma pessoa do público. Essa entrevista fará parte de um talk show, que marcará o início do Dia Seguinte da TV Anhangá (emissora fictícia da peça).

SERVIÇO:
Espetáculo: NO DIA SEGUINTE: a quase-história da tevê brasileira
Elenco: Anne Celli, Andrei Moscheto, Edran Mariano, Kauê Persona, Marcelo Rodrigues
Músicos: Candiê Marques, Doriane Conceição
Técnicos: Lucri Reggianni, Paulo Rosa
Apresentação no canal do YouTube do Antropofocus, ou acesse diretamente neste link.
A apresentação será gratuita, mas o grupo vai oferecer um QRcode para quem quiser/puder contribuir

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