Clientes acusam dono de bar tradicional de Curitiba de racismo e violência contra mulher

- Atualizado às 18:49
Por - Josianne Ritz e Rodolfo Kowalski
(Foto: Colaboração)

Uma confusão no bar O Torto, na Paula Gomes 354, no São Francisco, na noite desta terça (5), acabou em caso de polícia. O dono do estabelecimento, Arlindo Ventura, conhecido como `Magrão`, é acusado por clientes de ter agredido uma jovem após uma discussão sobre racismo na frente do bar. A Polícia Militar foi chamada para acalmar os ânimos e o bar foi fechado. O suspeito, a vítima e sete testemunhas foram encaminhados para o 12° Batalhão da Polícia Militar, na Saldanha Marinho, onde todos foram ouvidos e liberados em seguida. Nos próximos dias, um inquérito deve ser instaurado.

Segundo o relato de testemunhas e do próprio Magrão, tudo começou por conta de uma confusão envolvendo o banheiro do estabelecimento, que estava ocupado por um cliente. A mulher, então, teria começado a chutar a porta, sendo avisada em seguida por um funcionário que aquele era um banheiro masculino. Em seguida ela saiu do bar para conversar com amigos que estavam do lado de fora e Magrão ordenou que não fosse permitido que ela entrasse novamente. 

Quando foi entrar no estabelecimento, a mulher acabou sendo barrada e a confusão começou a ganhar contornos mais dramáticos. Teria sido nessa hora que a vítima começou a gritar que o proprietário tinha sido racista com ela, conforme relatou Ana Rivelles, que estava no local e foi ouvida pelo Bem Paraná

"Ele começou a gritar que ela não ia entrar no bar. Acho que teve um momento que ela começou a gritar mais e jogou cerveja nele. Nisso ele já foi pra cima da menina e deu um soco na cara dela. E começou a voar garrafa pra tudo quanto é lado e as pessoas começaram a correr", disse a testemunha.

Além de Ana, vários outros internautas postaram relatos sobre a ocorrência nas redes sociais. O episódio acabou viralizando rapidamente e não demorou para que fosse criado um movimento de boicote ao Torto, inclusive com a organização de um protesto na frente do bar para essa quarta (5), às 18 horas. 

Dono de bar diz ter se defendido e acusa mulher de 'querer se aparecer'

Dono do Bar do Torto, o Magrão, conversou com o Bem Paraná horas depois do episódio registrado em seu estabelecimento. Ele afirmou que apenas se defendeu de agressões promovidas pela cliente e ainda relatou ter imagens que comprovariam sua versão dos fatos. 

"Não foi dessa forma como estão destacando aí (nas redes sociais)", disse o empresário. "Eu fui extremamente agredido também. ela jogou um copo na minha direção, que acabou acertando uma cliente. Não justifica o esbarrão que eu dei nela ali, o empurrão, que acabou acertanto ela, (mas foi) em defesa do meu estabelecimento, do bar, tudo, mas infelizmente aconteceu isso aí. Mas ela jogou cerveja na minha cara, chutou minha virilha."

Magrão também explicou que não foi detido pela Polícia Militar, mas apenas encaminhado para a 1ª Companhia do 12º Batalhão da PMPR, localizado na Rua Saldanha Marinho, para prestar depoimento junto da cliente que o acusa de agressão.

"Eu fechei a porta (do bar) para evitar mais confusão. Abrimos pros policiais e eles encaminharam nós dois. Ela foi com algumas pessoas lá e eu levei uma testemunha Agora vai para juízo e vamos responder o que tem de ser respondido", explicou o empresário. "Mas eu acredito muito no meu trabalho, no amor que tenho pelas pessoas, pelas mnhas amigas. A pauta negra e a pauta feminista têm de ser muito discutidas, mas não precisa querer vir para cima de mim, para cima do Torto, porque não vai acontecer isso aí. Essa pauta tem de ser discutida sim, mas não com essa gana de querer se aparecer de uma coisa que eu tenho aqui, um trabalho sério de muitos anos."

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