Clássico 'Primeiro Sutiã' ganha nova versão com protagonista trans

- Atualizado às 18:20
Por - Redação Barulho Curitiba
(Foto: Divulgação)

A Madre Mia Filmes produziu o remake do filme “O primeiro sutiã a gente nunca esquece”, criação do genial publicitário Washington Oliveto de 1987. O filme deixou um legado ao inserir na propaganda o conceito da “primeira vez” de um ser humano, tratando com sutileza o processo que ocorre com uma adolescente que percebe as transformações acontecendo com o seu corpo.

O filme desbravou reconhecimento internacional para a publicidade brasileira, foi escolhido como um dos “100 Melhores Comerciais de Todos os Tempos”, no rolo histórico de Bernice Kanner que tem dois filmes apenas em língua diferente da inglesa, conquistou Leão de Ouro no Festival de Cannes, além do Grand-Prix do Profissionais do Ano e Prêmio Colunistas, Comercial da Década, Ouro no Anuário do CCSP.

A releitura do filme “O primeiro sutiã a gente nunca esquece”, além de uma homenagem ao original, considera a triste estatística de que vivemos no país uma crescente onda de casos de violência e preconceito, sobretudo contra as pessoas transexuais. Casos de assassinatos e violência figuram cotidianamente na imprensa. Esse diagnóstico foi feito pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) que desenvolveu um estudo sobre os assassinatos das pessoas Trans em 2018 e divulgou o Mapa de Transfeminicídios. A ANTRA abraçou a campanha porque tem como uma de suas premissas promover ações informativas e apresentar propostas a fim de garantir os direitos das travestis e transexuais. E para além disso, reconheceu na campanha o propósito de promover um ambiente de respeito e aceitação. A ANTRA é uma das maiores entidades da América Latina.

Já a escolha da protagonista do remake foi garimpada para encontrar um personagem real, o que no filme se traduz na percepção de que se o primeiro sutiã é marcante para uma adolescente, imagine para uma jovem transexual que está se conhecendo como mulher. O filme foi costurado para despertar a empatia do público, mostrando a estória real de um pai que não entende o que o filho está vivendo, assim como grande parte da população.

No final do filme da mesma forma que o pai compreende e aceita a filha, esperamos que o espectador se sensibilize e se identifique com a compreensão e aceitação das pessoas transexuais. Levar a reflexão sobre isso pode ser o grande legado deste filme.

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