Barulho Entrevista: Francisco El Hombre traz turnê inédita para Curitiba neste domingo (9)

- Atualizado às 00:13
Por - Maitê Ritz
(Foto: Jeff)

Criar em conjunto pode incitar certo medo. As bandas francisco, el hombre e BRAZA se juntaram, ressaltando como a cena pode ser mais forte no coletivo – tendo o respeito como premissa. Após três dias de imersão em estúdio, os dois grupos saíram de lá com um EP. O projeto FranciscaLaBraza faz uma grande mistura de sons e elementos. O trabalho que acaba de ser lançado foi um mote para a apresentação que rola aqui em Curitiba no dia 09 de dezembro (neste domingo) no HermesBar. Os ingressos já estão no terceiro e último lote, você pode adquiri-los pelo Sympla.

 

O single "Batida do Amor" foi composta entre as duas bandas e ganhou clipe com clima de verão que chegou junto com o lançamento do EP de mesmo título, que traz uma versão do BRAZA para “Calor da Rua”, do álbum SOLTASBRUXA (lançado pela francisco em 2016). Já a francisco, el hombre optou por apresentar uma versão de “Liquidificador” (esta está no EP de mesmo nome, lançado pelo BRAZA em 2018). Esse foi um molde que a francisco já tinha apresentado na turnê de 2017 com a banda uruguaia Cuatro Pesos de Propina, com o EP Rompe Frontera.

 

Conversamos com o baixista da Francisco El Hombre, o Rafael Gomes, por telefone e ele nos contou um pouco sobre o processo de criação das bandas em conjunto, assim como as experiências que a Francisco já teve em solo curitibano e sobre como as parcerias com outros artistas tem movientado a cena brasileira. Vem dar uma olhada nesse papo bacana:
 

 

BARULHO CURITIBA: Esse projeto com a Braza é bem nos termos da turnê Rompe Frontera, que vocês trouxeram a Curitiba em 2017, junto com a Cuatro Pesos. Vocês pretendem fazer mais parcerias nesses termos, de lançamento de EP e turnê conjunta?

 

RAFAEL GOMES: Esses projetos sempre surgem espontaneamente, então ainda não temos nada em vista pro futuro, além da extrema vontade de poder colaborar e se juntar com vários artistas com quem temos a oportunidade de conviver. O que não falta nesse mundo, em especial no Brasil, são artistas incríveis, então é muito provável que role sim mais dessas, porque vontade nossa não falta.

 

CURITIBA: Sobre a parceria com a Braza, como foi esse processo, como surgiram as ideias para Batida do Amor? Como foi esse processo de composição?

 

GOMES: A gente já conhecia o som deles e curtia muito! Daí em 2017 tocamos junto no festival Tenho Mais Discos Que Amigos em Brasília e foi a primeira vez que trocamos idéia. Desde aí começamos a se falar cada vez mais, tentando encaixar agendas pra fazer essa idéia de compor juntos acontecer. Chegamos a nos juntar uma vez na casa deles no Rio de Janeiro pra tentar compor algo, mas foi muito rápido e acabamos deixando engavetadas as idéias daquele encontro, mesmo assim não desistimos de seguir tentando, até que surgiu esse convite e proposta externa às duas bandas vinda da galera do Zero Neutro e do Pedro Carlo pra que fossemos passar uns dias em Brasília gravando no estúdio do Alexandre Carlo (Natiruts) e foi incrível poder estar ali. A idéia era compor e gravar uma música nova, além de cada banda fazer uma versão de uma música da outra banda. À distância, trocamos idéias engavetadas que cada banda tinha e de repente escolhemos um riff de guitarra por onde começar. Chegando em Braslília, não tínhamos arranjo e nem mesmo uma letra pronta pra ser gravada, mas a conexão entre as duas bandas foi tanta que, no momento em que pegamos os instrumentos, o arranjo surgiu espontaneamente e com a letra não foi muito diferente… um jogava uma palavra daqui e outro completava de lá até que muito rapidamente tínhamos a música inteira. Gravamos as três músicas em três dias e resolvemos completar o EP com dois áudios muito simbólicos desse processo!
 

 

 

BARULHO CURITIBA: O novo disco nem saiu e já está batendo recordes, com as visualizações do o clipe de O Tempo É Sua Morada e a parceria com a Scalene, o single “Clareia”. O que podemos esperar desse trabalho novo?

 

GOMES: Estamos experimentando com muito intensidade caminhos que ainda não tínhamos trilhado. No ponto da carreira onde estamos, temos a certeza de que ainda devemos crescer muito artisticamente e sempre nos propor ao novo. “O tempo é sua morada” traz melodias e um arranjo muito diferente do que já tínhamos tentado. “Clareia” nos permitiu conectar com um lado mais rockeiro que temos dentro da gente, especialmente pela parceria com o Scalene! Sinto que as músicas que estão por vir, são as que mais se conectam com a energia intensa dos shows. São músicas pra pista! Aquelas que vão fazer o teto pingar de suor durante os shows.

 

 

BARULHO CURITIBA: Vocês vinham para Curitiba para tocar no Museu do Olho na base de doações da plateia, às vezes em troca de lugar para dormir e comer. E nesse ano vocês vieram para o Coolritiba, que é um super festival, para um show com o Trombone de Frutas e agora estão de volta para uma turnê com o Braza. O que a cidade significa para vocês em termos de show e história?

 

GOMES: Temos amizades muito significativas pra gente em Curitiba como o Trombone de Frutas , da Arnica cultural, que se concretizaram e expandiram nos últimos anos. Sempre gostamos muito de passar por Curitiba já que em bandas que tocamos anteriores à francisco, el hombre já cativávamos amizades com a galera daqui, como com a banda Abraskadabra, por exemplo. A cidade nos recebe cada vez mais calorosamente e isso é extremamente confortante pra gente, porque sabemos que é um lugar rico e pulsante em cultura e isso nos permite trocas incríveis com a cena musical daí.
 

 

BARULHO CURITIBA: A trajetória da Francisco é muito bonita e inspiradora, tanto que vocês foram colhendo amizades muito boas e fortes, que resultaram em parcerias musicais muito legais. Quais foram as mais legais de trabalhar até agora?

 

GOMES: Cada uma teve algo de especial, seria impossível eleger um ranking onde algumas brilhassem mais que outras. Em particular, tenho um carinho especial pelo Bloco Calor da Rua onde nos encontramos com músicos incríveis e que não são do circuito de música onde circulamos boa parte do ano. São percussionistas de escolas de samba e baterias universitárias de São Paulo, além dos sopristas que vêm de nichos mega diversos dentro da cidade de São Paulo. Mas essa é só uma experiência musical dentre tantas que nos engradecem cada dia mais.

 

BARULHO CURITIBA: E por fim, a experiência de assistir um show de vocês ao vivo chega a ser descrita por alguns como algo transcendental. Muitas pessoas falam sobre isso e é uma das marcas mais importantes que vocês deixam por onde passam, mas ao mesmo tempo é muito difícil manter a vida desgastante da estrada. Como vocês conseguem toda essa energia e como vocês encaram o fardo da performance?

 

GOMES: A performance nunca foi um fardo pra gente, o show é um momento de êxtase. Mesmo em momento difíceis ou semanas desgastantes, subir no palco e poder trocar energia com o público através da música é algo que nos alimenta. Tudo pode estar ruim na vida, do aspecto mais íntimo até o âmbito macro e social, mas ali tudo se dissolve. Pra gente é incrível sentir o público dentro desse mesmo movimento de descarrego porque é assim que nos sentimos durante cada apresentação!

 

SERVIÇO 

francisca la braza ( francisco el hombre + braza)

Quando: 09 de dezembro

Local: HermesBar Curitiba 

Ingressos: 100 reais a inteira ou 50 a meia via Sympla.

 

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