Bandidos arrombam Café Mafalda, no Centro de Curitiba, e levam tudo: de geladeira a linguiça

Por - Josianne Ritz
Porta arrombada
Porta arrombada (Foto: Facebook)

Além da luta dos últimos meses para sobreviver no meio da pandemia, os restaurantes e bares de Curitiba ainda precisam enfrentar a onda de roubos e furtos. Foi o que aconteceu com o Café Mafalda, que fica na Rua Tibagi no Centro de Curitiba, na madrugada de quarta (13), quando o local foi arrombado e roubado. A ação criminosa começou às 00h32 e seguiu por mais de meia hora, como mostraram imagens das câmeras de segurança do Teatro Guaíra. "A cada andada pela casa, sentimos falta de algo. Tiraram até a cuba do lavabo do Cafezinho, é como chamamos o anexo. Deixaram o móvel porque estava encaixado. Um espelho ficou no meio do caminho. Foi um horror, uma invasão, um fato que aconteceu com pessoas por perto, como mostraram as câmeras do Guaíra. Não era tão tarde. Pessoas presenciaram, mas não chamaram a polícia, que só prende em flagrante. E teria o flagrante! Não, não renovamos o seguro, por falta de grana. Não, não renovamos o alarme monitorado, por falta de grana. Sim, confiamos na sorte, e nos demos mal. Sim! É essa raiva triste que venho dividir. É tudo que a gente não precisava", disse uma das proprietárias do local, Ieda Godoy, empresária da noite curitibana, conhecida pelo insistente empreendedorismo há mais de 30 anos. "Entre um decreto e outro, nos mantivemos vivos, nesse vai e vem, nesse abre e fecha, até que, há pouco tempo, sentimos que, enfim, caminhávamos para o fim da instabilidade. Sim! A vacinação avançando e a pandemia recuando. Muitos projetos, clientes voltando às mesas, as plantas viçosas com a chuva, alguns abraços acontecendo. Depois da dor, a glória, é o que esperávamos. Passamos por tempos muito difíceis. Abertos, enquanto muitos fecharam, mas só nós sabemos a que custa", lamentou Ieda em texto nas redes sociais.

Pelas imagens da câmera é possível ver que os ladrões arrombaram o portão, derrubaram a porta e às 00h48 começaram a levar todo tipo de material, de forno até linguiças e um pedaço de carne. Um carrinheiro aguardava na frente, enquanto outros três invadiram a casa, acenderam as luzes, e começaram o saque: uma geladeira, dois micro-ondas, um adega, duas fritadeiras, um forno elétrico pequeno, uma balança digital, R$ 240 do fundo de caixa, 25 garfos, 20 facas, oito taças de vinho, quatro richôs elétricos, uma panela de pressão grande, uma panela de pressão pequena, 19 pratos rasos, 25 garrafas de destilados, 18 garrafas de vinho, uma caixa de som JBL grande, dois microfones, cabos de som, dois pinguins, uma lixeira grande, usada para transportar outros objetos, 12 porções de pierogue, oito porções de frutas para suco, oito linguiças Blumenau, uma peça de mignon, um cilindro pra fazer massa e três camisetas de uniforme. "Se alguém tiver algum dos itens roubados pra vender, fora as Blumenau, os pierogues rsrs, por um preço camarada, entre em contato no  (41) 9142 0810. Compramos. E voltaremos a atender assim que tivermos o mínimo de condições. Porque se há algo que em nós não acaba, é nossa vontade de viver, e fazer acontecer o que nosso juízo mandar", postou Ieda, em texto nas redes sociais.

Para se recuperar das perdas, o Café Mafalda abriu uma arrecadação de doações. "Não se acanhem, qualquer valor será muito bem utilizado. A gente balança, mas não cai. Obrigada, de coração aberto", disse Ieda.  O link da Vaquinha virtual é http://vaka.me/2442108. Até as 16h40 desta quinta, a vaquinha já tinha arrecadado R$ 7 mil e o objetivo é R$ 25 mil.

Empresários descontentes

"Muitos empresários estão descontentes, porque a polícia tem deixado a desejar na apuração dos roubos e prisão dos envolvidos nas ocorrências em bares e restaurantes da cidade, assim como dos receptadores. Além de lutar para recuperar as perdas da pandemia ainda temos que enfrentar essa violência e o descaso", disse o presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), Fabio Aguayo. Ele lembrou que o golpe do carrinheiro já foi usado em outros furtos em bares cidade. 

A reportagem do Bem Paraná solicitou à Secretaria de Estado de Segurança um levantamento sobre os assaltos, roubos e furtos em bares, restaurantes e casas noturnas de Curitiba, mas até o fechamento da edição os dados não tinham sido encaminhados.

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