Banda curitibana lança álbum com participação de BNegão, Odair José, Tuyo e Fred 04

Por - Barulho Curitiba
(Foto: Vinicius Grosbelli)

 A banda curitibana de heavy samba Machete Bomb lança o álbum MXT coMvida, que mistura rap, samba e heavy metal, mas também tem drum’n’bass, reggae, ragga e dubstep. São 14 faixas onde artistas convidados narram em livre interpretação o momento de superação do produtor e líder da banda, Madu Madureira (cavaquinho), sem deixar a crítica sócio-política de lado.


O projeto representa o redescobrimento de Madu como pai, ainda em luto familiar, e como artista, em um redescobrimento com novas parcerias musicais. Incentivado por amigos a não parar após ficar viúvo, ele se viu na possibilidade de encontrar um foco e se dedicar à carreira novamente.

“Com um peso de uma depressão forte, eu contei com a ajuda de alguns amigos e a música para tentar me levantar. Todos os artistas convidados têm uma certa relação com a história que passei. Muitos eram amigos da Dani e todos tem um motivo especial para fazer parte. O Fred 04, por exemplo, foi quem me inspirou a tocar cavaquinho e a Dani me deu o cavaco de tanto que eu falava em Mundo Livre S/A. É uma obra feita por amigos e por pessoas que se admiram”, conta Madu.

MXT coMvida abre com o Alexandre Duyaer falando sobre o momento difícil que Madu passou e em como ele está sendo resiliente ao produzir esse álbum. Ao longo da obra, há a participação de diversos artistas nacionais de diferentes gerações e projeções. “Central”, música inédita e um presente de Andó e Dedé Paraízo (Demônios da Garoa) especialmente para o projeto, ganhou colaboração da Mulamba e TUYO; “Nunca Mais” e “Que Loucura”, de Odair José, ganhou remake de Dow Raiz e BNegão, Pete Mcee e Pecaos, além de ter o próprio Odair cantando. MXT coMvida é uma obra rica e diversa, que passeia entre a alegria do samba, o ritmo e poesia do rap, o peso do vocal gutural e a modernidade de batidas eletrônicas.

O álbum é costurado por vinhetas entre as faixas, mostrando logo após cada canção como os respectivos artistas convidados interagiram com Madu, ilustrando o processo de produção, confirmando a amizade que ele tem com essas pessoas. Nenhuma participação foi uma escolha impessoal com o objetivo de promover o disco.

Desde novembro de 2019, o Machete Bomb foi lançando as músicas como singles. Sete delas ganharam lives, que também já foram apresentadas para o público. Além da intro, vinhetas e música de agradecimento que fecha o álbum, o remix produzido por Nave de “Que Loucura” também é inédito.

A capa é assinada pelo artista plástico curitibano Jorge Torres Galvão. Cada single ganhou um desenho representando um momento de Madu durante o processo e que, juntos, completam um quadro final. E as artes do cenário das lives é assinada pelo grafiteiro Thestrow, também de Curitiba, que inclusive participa do álbum.

Ouça MXT coMvida na íntegra: https://youtu.be/XUaNeVO7Z4c

FAIXA A FAIXA POR MADU MADUREIRA
1. “Intro”
Vinheta de abertura, com prólogo de Alexandre Duayer (meu amigo e parceiro que trabalha com O Rappa, Lulu Santos, Marcelo D2), locutor de todas as vinhetas do Machete Bomb. Na base produzida por Luciano Nunes, do Dymno, DJ e produtor musical de Curitiba.

2. “Nunca Mais”
(Dow Raiz, Bnegão & Odair José)
Remake da música presente no álbum O Filho de José e Maria (1977), de Odair José, com sua participação especial, além de B.Negão e Dow Raiz. Com uma nova leitura da música, os dois rappers escrevem a respeito do momento atual em que vivemos, ao mesmo tempo que retratam o luto e o renascer de momentos difícei. Odair José, por sua vez, fecha a música com a letra original, encerrando o ciclo do luto e abrindo caminho para um novo momento, na esperança de não sofrer novamente, nunca mais.

3. “Buscando a Sorte”
(Rodrigo Samsara & Thestrow)
Com participação de Rodrigo Samsara (Real Coletivo Dub) e Thestrow (inthefinityvoz), conta com o teor político enquanto indica uma nova trajetória para seguir em frente com a vida e buscar uma nova sorte.

4. “Burn The Babylon”
(Alienação AfroFuturista & Caio MacBeserra)
Em um crossover de ragga, samba e metal, a faixa conta com participação de Alienação AfroFuturista e Caio MacBeserra (Project46), trazendo o peso para o álbum. Retrata a vontade de tocar o foda-se nesse momento que estamos passando e meter o fogo em tudo para abrir caminho para o que vem adiante.

5. “Central”
(Dedé Paraízo, Andó, Mulamba & Tuyo)
Música de Andó, grande compositor de inúmeros sambas de artistas como Originais do Samba, Wando, Elizeth Cardoso, entre outros, e de Dedé Paraízo (Demônios da Garoa), inédita e cedida em especial para este álbum. Com participação de TUYO e de Mulamba, que também entraram com um especial adicional de letra na música. A canção fala sobre a violência generalizada nos quatro cantos do país e o descaso com a vida, que se apresenta nos discursos do "novo mundo".

6. “Que Loucura”
(Pete Mcee, Pecaos & Odair José)
Também do álbum O Filho de José e Maria, de Odair José, este remake conta com a participação de dois MCs novos na cena curitibana, Pete Mcee e Pecaos. Pontua uma nova relação entre o descaso pela vida e o fato de o quanto cada vida é importante, no meio desta loucura que é viver. Com Odair José novamente fechando com a letra original do tema de 1977, mostrando que esta história é de todos e que todos somos um só, que estamos no mesmo barco vivendo a mesma loucura.

7. “Pedra Na Vidraça”
(Pete Mcee, Egypcio & Caio MacBeserra)
Com Egypcio (Tihuana), Pete Mcee e Caio MacBeserra (Project46), é uma das músicas mais pesadas do álbum. É a pedra na vidraça deste governo e deste desmando atual, vivendo a ilusão de tomar o Congresso e o Planalto Central e dar o troco.

8. “Pixo Reto”
(Alienação AfroFuturista & Thestrow)
Em uma mistura de drum’n’bass, samba e harcore, a faixa conta novamente com a participação de Thestrow e do Alienação AfroFuturista. Fala sobre mandar a verdade e usar a verdade como cura. Conta também com um solo insano de cavaco, num estilo chorinho heavy metal. Para mim, a melhor música do álbum!

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