Atores homenageiam suas mães em solos gratuitos na Alfaiataria

- Atualizado às 22:11
Por - Barulho Curitiba
(Foto: Fabio Alcover)

As cicatrizes, a dor da perda, o amor. Estes são sentimentos que se revelam nos dois solos com os quais a Súbita Companhia de Teatro encerra, de quinta a domingo, a temporada gratuita do Projeto Habitat, na Alfaiataria. Em “Foi Assim que o Oceano Invadiu a Minha Casa”, Helena de Jorge Portela presta sua homenagem aos pais, especialmente à mãe, a atriz Claudete Pereira Jorge, falecida em 2016. Pablito Kucarz, por sua vez, joga suas atenções para as cicatrizes e relações familiares, no solo O Arquipélago.

Kucarz fará apresentações às 20h, de quinta a sábado, e às 19h no domingo. Helena ocupa o palco às 21h, de quinta a sábado e às 20h no domingo. Os dois trabalhos trazem a assinatura de Maíra Lour na direção e fazem parte da produção mais recente da Súbita. Composto ao todo por seis solos, cuja dramaturgia partiu de cada ator, o Projeto Habitat já foi apresentado no Festival Internacional de Londrina (FILO) e nas cidades de Maringá e Ponta Grossa.

Para Helena, é impossível falar sobre o solo sem citar os pais, pessoas que sempre viveram para o teatro e que foram sua escola teatral. Claudete Pereira Jorge, atriz paranaense, e o também ator, dramaturgo e diretor Nautilio Bronholo Portela. Ela trabalhou muitas vezes com os dois. O solo, diz, foi um presente que ela ganhou da Súbita. “Foi uma grande oportunidade de falar sobre a minha mãe, depois de passar por uma dor tão grande, que não tem nem como falar dela”, pontua Helena. “Costumo dizer que é um solo de duas, porque ela está em cena comigo, ela criou este espetáculo comigo. Muitas pessoas participaram de alguma forma do processo de criação me disseram que são palavras dela ali... Enfim, é um solo com/sobre/para minha mãe”, diz, acrescentando que “me agarrei tanto nesse solo que me fortalece cada vez que apresento”.
A atriz ressalta também o trabalho de equipe que ajudou a construir o espetáculo. “É uma joia estar em cena com uma equipe maravilhosa dessas”, comenta, destacando a direção de Maíra e o trabalho de movimento com Kátia Drumond. “Posso dizer que, por mais difícil que seja falar sobre isso, em cena me sinto amparada”.
Para O Arquipélago, Kucarz escolheu o caminho das metáforas e nesta busca chegou nas cicatrizes. “Tenho algumas e gosto delas, pois são âncoras para lembrar de passagens importantes”, diz ele, que para contar a história de suas cicatrizes brinca com a ficção. Um flerte com o realismo fantástico também ajuda a distanciar de si mesmo e deixa a imaginação mais fresca para espectador. Kucarz também queria falar sobre a história de sua mãe, que ao acompanha-lo em uma viagem topou o desafio de uma oficina de teatro para mulheres com mais de 65 anos. “Foi movimento muito poderoso e sensacional ver aquelas mulheres contando suas histórias. Ajudei minha mãe no texto dela e isso me inspirou”, comenta. Assim, ele chegou à metáfora da família como um arquipélago, cada um com suas histórias e de alguma forma juntos, mesmo com cisões e embates naturais.
“Vou alinhavando minhas cicatrizes com as de várias pessoas e assim homenageio minha mãe, minha família, os atores, a equipe criativa da Súbita. Vou costurando uma grande rede de marcas e memórias que merecem ser lembradas e celebradas”, conta sobre o processo de criação que se transformou em uma caminhada de cura.
A temporada com os solos do Projeto Habitat encerra as atividades de 2019, mas as comemorações de aniversário da companhia seguem até 2020, com estreia de espetáculos novo, inclusive. A programação começa com uma temporada em São Paulo, já em janeiro.

O projeto tem o Incentivo do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura, o Profice, da Secretaria da Comunicação Social e da Cultura, Governo do Paraná com apoio da Copel.

Em seus 12 anos, a Súbita realizou 14 espetáculos, 04 cenas curtas, 02 curta metragens, mostras, encontros de investigação artística, residências e workshops. A Súbita é: Alexandre Zampier (Conde Baltazar), Cleydson Nascimento, Helena de Jorge Portela, Janaína Matter, Maíra Lour, Michele Menezes, Pablito Kucarz e Victor Schuhli.

Serviço: Temporada de Repertório: Projeto Habitat

Local: Alfaiataria (Rua. Riachuelo, 274).
Ingressos: Gratuito
Informações: www.subitacompanhia.com.br


28/11 a 1/12: de quinta a sábado às 20h; domingo às 19h
O ARQUIPÉLAGO/ PABLITO KUCARZ
O arquipélago leva à cena a história de sua mãe. Uma mulher comum, como diversas outras mães que abandonaram sua casa muito jovens para trabalhar na cidade grande. Também se permite questionar esta história quando se confronta com temas como preconceito, bullying, machismo e violência. Com tom suave, a narrativa tem ares de fábula pessoal ao lançar mão de metáforas poderosas: a família que é um arquipélago, juntos, porém separados pela água salgada; o garoto mariposa, agredido por ser diferente dos outros garotos; a pedra lançada como um projétil que ao invés de ferir prefere dançar.
Ficha Técnica
Direção: Maíra Lour. Dramaturgia de Performance: Pablito Kucarz. Orientação em Dramaturgia: Camila Bauer Interlocução artística: Lígia Souza Oliveira Colaboração movimento: Ane Adade Assessoria em Canto: Paola Pagnosi Treinamento de voz: Babaya Trilha Sonora/Desenho de som: Álvaro Antonio Cenário: Guenia Lemos Iluminação: Beto Bruel Figurinos: Val Salles Direção de Produção: Michele Menezes. Classificação 16 anos.

28/11 a 1/12: de quinta a sábado às 21h; domingo às 20h.
FOI ASSIM QUE O OCEANO INVADIU A MINHA CASA/ HELENA DE JORGE PORTELA
Uma história sobre duas atrizes que, em uma tarde como qualquer outra, tiveram suas vidas separadas pelo mar. O mar que carrega o luto e a dor. Um espetáculo solo que tenta agarrar o tempo com as mãos. Mãe e filha à deriva no oceano. “Se você me desse mais um segundo...” O que você faria se tivesse mais tempo?
Espetáculo bilíngue (Libras e Português)
Ficha Técnica
Direção: Maíra Lour. Dramaturgia de Performance: Helena de Jorge Portela Orientação em Dramaturgia: Camila Bauer Interlocução artística: Katia Drumond Treinamento de voz: Babaya Trilha Sonora/Desenho de som: Álvaro Antonio Cenário: Guenia Lemos Iluminação: Beto Bruel Figurinos: Val Salles Direção de Produção: Michele Menezes. Classificação 16 anos.

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