Angra celebra 30 anos de carreira na Opera de Arame

Por - Clovis Roman, especial para o Bem Paraná
Angra: ao mesmo tempo em que celebra o passado, a banda olha para a frente em direção a outros projetos
Angra: ao mesmo tempo em que celebra o passado, a banda olha para a frente em direção a outros projetos (Foto: Henrique Grand)

​O álbum ‘Rebirth’ foi lançado em 2001 e marcou um recomeço na história do Angra, que apresentava uma nova formação aos fãs na entrada do novo milênio. O trabalho conceitual era um reflexo das mudanças recentes e trazia uma aura motivadora e otimista. O resultado foi um imenso sucesso juntos aos fãs e uma turnê que ultrapassou a marca de uma centena de shows.

O Angra, que havia explodido nos anos 1990 no Brasil, Europa e Japão, com inúmeras turnês pelo velho continente e vendas expressivas ao redor do mundo, chegava ao novo milênio com energia renovada. Vinte anos mais tarde, a banda pega a estrada pelo Brasil (além de um show no Chile) para a ‘Rebirth’ 20th Anniversary Tour, tocando o referido trabalho na íntegra.

O guitarrista do conjunto e membro fundador, o guitarrista Rafael Bittencourt, em conversa exclusiva com o Bem Paraná, explica como é o resgate de sentimentos ao revisitar uma obra tão importante na trajetória do Angra: “Os sentimentos de celebrar esse trabalho hoje em dia são vários. Era virada pros anos 2000, toda aquela expectativa de que o mundo estava se renovando, e a banda também. Com muitas incertezas, não sabíamos se os fãs iam gostar da nova formação, das novas músicas; se as gravadoras iriam apoiar. Depois os fãs nos receberam bem, os shows foram todos lotados e começamos uma nova onda. Pessoas que ainda não conheciam o Angra, passaram a curtir nessa fase, então foi uma fase muito emblemática para a banda”.

A turnê comemorativa das duas décadas de Rebirth, que deveria ter acontecido no ano anterior, mas devido a pandemia foi postergada, chamou atenção de produtores de outros países. Porém a banda, ao mesmo tempo que celebra o passado, segue olhando para a frente em direção a outros projetos: “Chegamos a receber propostas pro Japão e pra Europa, porém decidimos dar uma parada para nos focarmos nas novas músicas, em um novo álbum. Está sendo muito legal pra gente fazer essa pesquisa antes do próximo álbum”.

O vindouro disco de estúdio, sucessor de ‘Omni’ (2018), está em processo de criação, apesar de Rafael não dar ainda muitos detalhes: “Tenho algumas ideias para um conceito lírico e ideias para músicas. Tenho músicas quase inteiras prontas, mas agora falta a gente se juntar mesmo, trocar essas ideias e construir os arranjos, ir tecendo juntos os arranjos para essas músicas”.

Como mostram os repertórios dos primeiros shows desta atual turnê, o grupo, além de ‘Rebirth’, fez questão de tocar uma música de cada um dos outros álbuns lançados em mais de trinta anos de carreira: “Tocamos o ‘Rebirth’ na sua íntegra, e depois pelo menos uma música de cada álbum. Então a gente toca uma música do Angels Cry, uma do Holy Land, do Fireworks, uma do Temple of Shadows, Aurora Consurgens, Aqua, Secret Garden e Omni. Pode-se dizer que o show tem duas etapas: vinte anos de Rebirth e trinta anos de banda”.

Na visão do guitarrista, este retorno aos palcos é a chance de uma nova geração de fãs poder ver a banda ao vivo pela primeira vez, afinal, o grupo ficou alguns anos longe dos palcos. “Os fãs também se renovaram. Faz três anos que não tocamos, então, da última vez, um rapaz de 11 anos hoje já tem 14, 15. A rapaziada pré-adolescente hoje já é adolescente. A gente ganhou muitos fãs também durante esse tempo, pessoas que passaram a gostar do Angra durante a pandemia e que nunca viu o Angra ao vivo, então o sucesso dessa turnê também se dá a isso, e eu tô muito feliz. Sempre é muito bom renovar os fãs”.

Uma das novidades da atual turnê é que o show em São Paulo, que acontece no começo de julho, será transmitido ao vivo via streaming, por valores a partir de 25 reais. ““A gente vai transmitir o show do dia 2 em um live streaming, então pessoas do mundo inteiro poderão assistir o show do Angra pela internet, comprar ingresso virtual que dá acesso ao show nas plataformas no YouTube. É uma parceria que a gente tá fazendo com o Show Livre e acredito que esse streaming, seja registrado. Depois, possivelmente, se ficar muito bom e se as pessoas quiserem, começarem a pedir, poderemos até transformar isso num DVD, num produto ou algo assim”.

No fim da conversa, Rafael ainda deixou um recado direto aos fãs da capital paranaense, cidade que tem uma ligação especial com o grupo, afinal o Angra toca por aqui desde o começo da carreira e sempre com públicos expressivos: “É isso aí, Rafael Bittencourt deixando meu abraço a todos. Vejo vocês em Curitiba!”.

A apresentação do Angra em Curitiba acontece no lendário palco da Ópera de Arame, neste domingo (26), tendo como número de abertura os gaúchos do Rage in my Eyes e o Trend Kill Ghosts, de São Paulo. O grupo paulista, pela primeira vez na cidade, ainda contará com a participação da versátil cantora Vanessa Rafaelly, que interpretará uma canção autoral da banda, que vem se tornando um nome constante nos palcos de todo o Brasil no segmento metal.

Comentários

© 2018 Barulho Curitiba