Agricultura urbana para deixar a Curitiba cinzenta mais verde

- Atualizado às 18:35
Por - Rodolfo Luis Kowalski
(Foto: Franklin de Freitas)

Ao longo das últimas décadas, Curitiba tornou-se uma selva de pedra. Em 1985, por exemplo, 56,1% da superfície do município era coberta por concreto e asfalto. Hoje, segundo o MapBiomas, esse porcentual já é de 63,3%. Mas uma onda verde, que começou a ganhar força em anos recentes, promete mudar esse cenário – ou pelo menos harmonizá-lo um pouco mais.

Sucesso em cidades europeias e estadunidenses, a agricultura urbana - que, como o próprio nome indica, diz respeito ao cultivo e produção de alimentos e conservação dos recursos naturais dentro dos centros urbanos ou em suas respectivas periferias - chegou e para ficar em Curitiba. Mais do que uma moda, trata-se de uma tendência com grande potencial de crescimento.
Ao menos é nisso no que apostam Valdemir Krause Júnior e Andréia Volpini, sócios-proprietários do Expresso Curitiba. Localizado num casarão com 400 m² erguido em 1892, na Rua Alfredo Bufren, no coração da cidade - entre o prédio histórico da Universidade Federal do Paraná e o Teatro Guaíra, o estabelecimento, inaugurado há pouco mais de uma semana, será pioneiro na cidade ao oferecer ingredientes frescos, colhidos diretamente de uma fazenda urbana instalada no próprio estabelecimento.
“Vi na Europa isso de fazenda urbana e queria fazer algo parecido. Nosso projeto é trabalhar com 4 mil plantas, hoje temos 470. Em breve já não precisaremos mais comprar verdura, vamos abastecer o restaurante com o que nós mesmos produzimos e comercializar o excedente”, explica Valdemir. “Imagino que num futuro próximo isso vai virar quase uma nova padaria, onde as pessoas vão poder comprar um produto fresco, feito pertinho de você e de forma sustentável”, aposta.
Outra iniciativa de relevo que trata da agricultura urbana é a Minhorta, uma startup curitibana que consiste num clube de assinaturas de hortas em casa e sistema de automação com sensores de umidade, temperatura e irrigação, com monitoramento e comando online. Com assinaturas a partir de R$ 25 por mês, a ideia é mostrar que qualquer um pode ter uma plantão em sua casa ou apartamento, sendo necessário apenas um pequeno espaço para começar a produzir.
“Dá para montar em qualquer lugar (a plantação). Eu mesmo moro em apê e não tenho nem sacada, então uso a bancada da cozinha. Nossa ideia é que qualquer um possa montar ahorta, seja em casa ou apartamento. É para começar a cultivar em qualquer canto com um pouco de Sol”, explica Jose Geraldo Lopes de Noronha, um dos idealizadores do Minhorta.

“Tem um potencial enorme”, diz idealizador do Minhorta, que pode ganhar o mundo

Lançado há um ano e meio, o Minhorta conta atualmente com cerca de 40 assinantes de todo o Brasil, além de realizar vendas avulsas dos kits para quem quer montar uma horta (para os assinantes, a vantagem é receber todo o mês em casa uma espécie diferentede semente).
“Tudo o que precisa mandamos no kit, junto com as instrução de como começar, montar os itens, os cuidados que se deve ter com a semente, irrigação, e qualquer dúvida também estamos sempre ajudando, porque queremos que nossos clientes tenham uma experiência positiva”, diz José Geraldo.
Em breve, inclusive, a marca pode acabar sendo internacionalizada. É que conhecidos de Geraldo e de Matheus, que moram nos Estados Unidos e na Espanha, já conversam para levar o negócio para fora do Brasil. “Tem um potencial enorme. Estamos conversando para montar o negócio lá (na Europa) e de uma base só conseguiríamos alcançar vários países.”
Para conhecer mais sobre o trabalho e os produtos do Minhorta, acesse o site www.minhorta.com.

“Num espacinho pequeno dá para produzir muita coisa”
Sócio-proprietário do Expresso Curitiba, Valdemir Krause Júnior aponta que um dos objetivos (quiçá atéo principal objetivo) de sua nova empreitada é mostrar aos curitibanos que é possível, mesmo num espaço pequeno, produzir muita coisa.
“Vamos trabalhar forte a partir de agosto, quando inauguraremos um hostel, uma estufa e iniciaremos a criação de peixes associada ao cultivo de hortaliças (chamada de aquaponia). Queremos que as pessoas façam em casa (suas hortas), porque émuito simples e acessível. Com R$ 100, R$ 200,já dáparamontar uma horta em casapara sustentar uma família com cinco pessoas. Quando produzem o próprio alimento, as pessoas se tornam mais conscientes”, comenta Valdemir.
Para tanto, a empresa utilizará e apresentará a seus clientes quatro diferentes sistemas de plantação: a aquaponia, a aeroponia (plantações retas,na vertical. É o modo que mais produz com menos espaço), a hidroponia (método mais simples, em calhas horizontais) e a semihidroponia (que utiliza um saco com substrato vendido para cultivo de morango).
“Estamos seguindo muito uma empresa mineira que já trabalha com fazenda urbana, chamada Be Green.Queremos alcançar o nível deles. Acredito muito nisso desse negócio virar uma nova panificadora”, ressalta Valdemir Krauze.
Além da produção de hortaliças, porém, o porão do casarão também deverá servir para a produção de cogumelos e há projetos para o uso de abelhas sem ferrão na produção de mel.
Por fim, alunos das redes pública e privada de ensino também poderão realizar visitas guiadas pelo espaço, conhecendo mais sobre as inicitivas sustentáveis para que as reproduzam

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