Ação voluntária pede doações e cartas para detentas trans da Grande Curitiba. Saiba como ajudar

- Atualizado às 16:48
Por - Josianne Ritz
Quinze detentas trans estão na Cadeia Pública de Rio Branco do Sul
Quinze detentas trans estão na Cadeia Pública de Rio Branco do Sul (Foto: Divulgação)

Suzy Oliveira, uma detenta trans, presa na Penitenciária I José Parada Neto, em Guarulhos, São Paulo, emocionou o Brasil no programa Fantástico, exibido no dia 1º de março, na Rede Globo, ao ser entrevistada pelo médico Drauzio Varella, em uma reportagem sobre a vivência de presas trans em presídios masculinos. Em um momento da conversa, o médico perguntou há quanto tempo Suzy não recebia uma visita. "Oito anos, sete anos", disse Suzy, que recebeu um abraço de Drauzio após ele dizer "solidão, né, minha filha". O momento viralizou nas redes sociais e chamou a atenção para a solidão das trans nos presídios. Aqui,na Grande Curitiba, Waleiska Fernandes, jornalista especialista em Direitos Humanos e que faz trabalhos voluntários no sistema penitenciário do Paraná, resolveu aproveitar a comoção causada pela reportagem do Fantástico e iniciou uma ação voluntária para arrecadar doações e cartas de motivação para as 15 trans que estão presas na Cadeia de Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. 

"Pensei em aproveitar porque ninguém se importa muito com essas mulheres. Na verdade, elas já são marginalizadas antes mesmo de cometerem qualquer crime. Muitas delas até se envolveram num crime como reação. No ano passado, num trabalho voluntário, por exemplo, conheci uma que saiu com um cara que depois a espancou. Ela se defendeu com o que encontrou, uma faca. Estava presa por tentativa de homicídio", conta Waleiska. Algumas amigas resolveram também ajudar na ação e se dispuseram a ajudar na coleta e entrega do material arrecadado. 

Elas precisam de escova de dente, creme dental, xampu, sabonete, calcinhas (de tamanhos variados), lençol (de elástico e cor clara) e roupas, que precisam ser leggings cinza e camiseta branca.  As doações devem ser entregues na Tenda, que fica Rua Fernandes de Barros, 1426, Hugo Lange,  das 9h às 12h e das 14h às 17 horas, de segunda a sexta, até o dia 16 de março.

Como funciona a carceragem para trans no Paraná

O Governo do Paraná regulamentou parâmetros de atendimento à população gay, travesti e transexual (GTT) em privação de liberdade no sistema prisional em setembro do ano passado. A regulamentação foi feita pelo Departamento Penitenciário do Paraná (Depen).  Elaborada com apoio de órgãos da execução penal, do Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública e da sociedade civil, a portaria atende parâmetros nacionais e internacionais de respeito aos direitos fundamentais. Segundo a instrução normativa, devem ser respeitadas a identidade de gênero e a orientação sexual das pessoas dentro das unidades do sistema, sendo-lhes garantido tratamento isonômico, convívio social e o pleno exercício de direitos previstos na Lei de Execução Penal. Estão garantidos, também, o uso do nome social, manutenção de cabelos e maquiagem, continuidade de tratamento hormonal, visita íntima e proibição a qualquer forma de discriminação por funcionários e visitantes. Serão separadas alas nas unidades femininas de Curitiba e do Interior para realizar esse atendimento – estão previstas pelo menos três unidades em polos regionais nos próximos meses.

O programa começou a ser implementado na Cadeia Pública de Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, para população GTT provisória (não sentenciada) ou definitiva, com vistas à preservação de segurança de sua integridade física, moral e psíquica. Atualmente, a unidade abriga 15 presas com esse perfil.

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