‘A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti’

- Atualizado às 20:24

A companhia de teatro e cinema curitibana Vigor Mortis estreou em 2017 a peça “A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti”. A peça fez diversas temporadas em várias cidades brasileiras e agora ganha uma versão em formato de web-série no YouTube e em outras plataformas. A estreia acontece no dia 29 de janeiro de 2022, dia do aniversário de 92 anos do ficcionista brasileiro Rubens Francisco Lucchetti, considerado o ‘papa do pulp nacional’, cujo universo inspira a criação para os personagens desta série.

‘A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti’ terá 10 episódios de 5 a 16 minutos cada e, ainda este ano será reeditada em forma de longa-metragem. A série/filme inicia o ano em que a Vigor Mortis celebra 25 anos de atividade. Neste quarto de século, a produtora realizou sucessos nos palcos como “Graphic”(vencedora do troféu Gralha Azul de Melhor Espetáculo), “Marlon Brando, Whiskey, Zumbis e Outros Apocalipses”, “Duplo Homicídio na Chaptal 20”, “Lobos nas Paredes”, entre outras. Além disso, sob a direção de Paulo Biscaia Filho, a Vigor Mortis levou às telas duas adaptações do teatro para o cinema “Morgue Story - Sangue, Baiacu e Quadrinhos”(Melhor Filme de Horror no Swansea Film Festival - País de Gales) e “Nervo Craniano Zero”(Melhor Filme no Montevideo Fantástico), além da uma co-produção estadunidense “Virgin Cheerleaders in Chains”.

Rubens Francisco Lucchetti publicou mais de 1000 obras entre contos, quadrinhos e romances, além de ser o roteirista de praticamente toda a filmografia de Ivan Cardoso e de alguns dos mais importantes filmes de José Mojica Marins. Ainda em atividade, Lucchetti vende suas obras através de seu perfil no Facebook. Os personagens de seus livros são a inspiração principal para A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti. Helen Zola(interpretada por Michelle Rodrigues) é baseada na femme-fatale do livro “Os Amantes da Senhora Powers”, o detetive John Clayton(Ed Canedo) vem de “Museu dos Horrores”, assim como a misteriosa Vonetta(Caroline Roehrig). Kenni Rogers interpreta o perverso cientista Anton Zola, o vilão de “O Abominável Dr. Zola”. Os personagens se encontram em uma história concebida pelo diretor e roteirista com ação central na Curitiba de 1959, mas com acontecimentos que atravessam séculos. Seguindo a tradição de seus trabalhos anteriores e somado a proximidade de Lucchetti com quadrinhos, Biscaia decidiu contar essa história radicalizando a estética de HQ e filmar tudo em um estúdio com fundo verde para aplicar em pós-produção os cenários virtuais desenhados pelo premiado artista José Aguiar. O resultado, aliado ao forte clima de cinema noir, assumidamente se inspira pela técnica do cineasta Robert Rodriguez para “Sin City”.

“São personagens que transcendem ambientes reais. O próprio Lucchetti sempre fala sobre suas preferências por habitar universos fantásticos. Foi natural perceber que essa história fazia muito mais sentido com uma estética declaradamente estilizada. Seja no visual, seja na interpretação dos personagens”, declara o diretor que também foi responsável pela edição e efeitos visuais do filme.

Ainda no elenco, o ator Paulo Rosa é uma espécie de ‘spoiler ambulante’. Assim como na peça, ele interpreta diversos personagens e cada um deles vai invariavelmente morrer.

Rosa se diverte em ser o ator que ostenta a marca de “maior número de mortes em cena” nos 25 anos da Vigor Mortis.

Para contar essa história que envolve monstros clássicos e personagens sedutores, toda a equipe trouxe o máximo de comprometimento na difícil tarefa de fazer um filme/série em tela verde e com orçamento apertado. O resultado pode ser conferido na esmerada direção de fotografia de João Vítor Ferian, nos incríveis efeitos práticos coordenados pela também protagonista Michelle Rodrigues, no belíssimo figurino e direção de arte de Guilherme Almeida, nas ousadas criações de maquiagem de Andréa Tristão e na pulsante trilha sonora de Demian Garcia. Sob o olhar perfeccionista dos produtores Thiago Freire e Rafaelle Cristina da coordenadora de projeto Caroline Roehrig, “A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti” vai deixar o público com os olhos pregados na historia cheia de mistérios e reviravoltas.

“A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti” estreia no dia 29 de janeiro no canal de YouTube da Vigor Mortis ( YouTube.com/vigormortis ) e terá novos episódios lançados todas as quartas e sábados. Os episódios também estarão disponíveis uma semana após suas estreias nas outras redes sociais da Vigor Mortis ( página de facebook e instagram)

A web-série é uma realização da Infinitas Produções(encabeçada pela atriz e produtora Caroline Roehrig), em parceria com a Vigor Mortis e a Biscuvita. A produção foi realizada através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Curitiba e tem o incentivo das empresas Florença Iveco e Celepar, além dos apoios de easy Chef, Venda

Oliveira, Maniacs, Casa das Bolachas, Cena Hum, Padaria America, Black Horse.

Sobre a vigor mortis

A Vigor Mortis é uma produtora de cinema e de teatro criada pelo diretor Paulo Biscaia Filho. Criada como um espaço de experimentação sobre possibilidades de desdobramentos estéticos do Thêàtre du Grand Guignol, o célebre teatro de horror de Paris, a companhia já conta com mais de 20 anos de experiência e sucesso com montagens e filmes que deixaram marca indelével na memória do público. Desde a primeira peça, “PeeP - através dos olhos de um serial killer” (1997), até as mais recentes e premiadas produções internacionais como o longa-metragem “Virgens Acorrentadas”(Virgin Cheerleaders in Chains, EUA 2017), a Vigor Mortis traz obras com elementos de comédia e terror com uma dramaturgia inteligente e visual único.

Talvez uma das mais conhecidas montagens teatrais da Vigor Mortis tenha sido “Morgue Story - Sangue, baiacu e quadrinhos”(2004). A peça recebeu cinco Troféus Gralha Azul ( o principal prêmio de teatro no Paraná), incluindo de melhor espetáculo. A linguagem da peça também trouxe um outro elemento pelo qual a Vigor Mortis ficou conhecida: a integração entre linguagens de teatro, cinema e quadrinhos. Este estudo de intermídias levou a uma outra montagem super premiada: “Graphic”(2007), que também recebeu o Troféu Gralha Azul de Melhor Espetáculo e também foi indicada ao Prêmio Shell (Rio de Janeiro) de melhor Autor. A mistura de linguagens com divertidas abordagens ao universo de terror inclui homenagens a mestres como José Mojica Marins em ‘À Meia noite levarei teu cadáver’ (2012), Alfred Hitchcock em ‘Hitchcock Blonde’ (2008), Rubens Francisco Lucchetti em ‘A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti’ (2017) e Ed Wood em ‘Acordei Cedo no dia em que Morri’ (2017).

No cinema, a Vigor Mortis também deixa sua forte marca com adaptações de suas peças ‘Morgue Story’ (2009) e ‘Nervo Craniano Zero’ (2012), além do já mencionado “Virgens Acorrentadas”. Os filmes juntos somam mais de 25 prêmios internacionais e vendas para alguns dos principais canais de exibição no Brasil e no mundo.

Este compromisso em realizar trabalhos impactantes, divertidos e inteligentes é o que assegura a Vigor Mortis como uma das mais longevas companhias de teatro e cinema curitibanas e a principal companhia em atividade no mundo que tem o Grand Guignol como base estética.


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Pode-se dizer que o Santo Patrono da Vigor Mortis seja o inesquecível diretor Antônio Abujamra. Foi ele que em 1993 sugeriu a Paulo Biscaia Filho que estudasse a história e estética do Grand Guignol. Foi justamente isso que ele fez quando se viu diante da tarefa de realizar uma pesquisa para pesquisa de mestrado. Quando Paulo Biscaia Filho terminou a dissertação na Royal Holloway University of London, ele não poderia imaginar que o trabalho seria um disparador para uma das mais conhecidas companhias de teatro no Brasil, e muito menos ser também uma das mais singulares produtoras de cinema registradas na Ancine. Depois de obter o título de mestre, Biscaia começou a lecionar na Faculdade de Artes do Paraná/ Unespar no Bacharelado em Artes Cênicas. Ali ele conheceu jovens atores que se interessaram em desenvolver novas possibilidades sobre a estética do Grand Guignol e acabaram fazendo a primeira formação da companhia: Mariana Zanette, Leandro Daniel (da novela “Deus Salve o Rei”), Daniele do Rosário, José Padilha (não esse que você está pensando. ;) ), Maria Luciana e Álvaro Sena. O espírito passional de jovens artistas foi o combustível necessário para a criação da Vigor Mortis e da primeira montagem em 1997. O reconhecimento nacional veio sete anos depois com a estreia de
“Morgue Story”, que ainda tinha no elenco Zanette e Daniel, agora também com Rafaella Marques e Anderson Faganello. A peça foi apresentada em alguns dos mais importantes festivais de teatro brasileiros e fez mais de 100 sessões para públicos delirantes com a estética e a dramaturgia da companhia. A partir dessas portas abertas, o incentivo para continuar foi criado (afinal, a manutenção de companhias de teatro no Brasil requer inspirações e incentivos de todos os tipos!) e a Vigor Mortis continuou com novas montagens que trouxeram novas reflexões sobre horror e violência cênicos como instrumento de linguagem.

DIREÇÃO - Paulo Biscaia Filho
Graduado em Artes Cênicas pela PUC-PR e Mestre em Estudos Teatrais pela Royal Holloway University of London, com tese sobre o Théâtre du Grand Guignol, tema que viria posteriormente a guiar a linha de pesquisa da Vigor Mortis. Professor dos Cursos de Teatro e Cinema da Faculdade de Artes do Paraná¡. Durante 9 anos trabalhou na Cinemateca de Curitiba como Programador de Cinemas, Coordenador e Consultor de Audiovisual. Atua também como diretor, roteirista e editor de cinema e vídeo. Diretor de diversas montagens teatrais como: Cantos Fúnebres da Esperança(1991) e “Morgue Story” (2004), “Graphic”(2006, Indicado ao Prêmio Shell RJ de Autor), Marlon Brando, Whiskey, Zumbis e Outros Apocalipses (2013), Vigor Mortis JukeBox Vol 1 (2013, e que em 2015 fez parte do projeto SESC Palco Giratório) e A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti (2017). Por seus trabalhos em teatro já recebeu 8 Troféus Gralha Azul, inclusive nas categorias de Melhor Espetáculo, Melhor Diretor e Melhor Autor.
Em 2012 publicou o livro PALCOS DE SANGUE, uma compilação de seus textos para teatro e sobre o Grand Guignol.
No cinema, seu primeiro longa metragem, “Morgue Story”, participou de mais de 40 festivais internacionais e recebeu oito prêmios, incluindo o de Melhor Filme de Horror no Festival de Swansea, Pais de Gales. “Nervo Craniano Zero”, seu segundo longa, recebeu mais de dez prêmios internacionais, com destaque para o de Melhor Diretor no New Orleans Horror Film Festival e para Melhor Filme no Montevideo Fantastico. Em 2018 lança seu primeiro longa internacional : Virgin Cheerleaders in Chains, produzido pela Big House Pictures em Austin, Texas.

FICHA TÉCNICA
Baseado no universo de R F Lucchetti.
Roteiro, montagem e direção: Paulo Biscaia Filho Direção de produção: Thiago Freire
Produção Executiva: Rafaelle Cristina Coordenação de projeto : Caroline Roehrig Diretor de fotografia: João Vitor Ferian
Música original e Design de som: Demian Garcia Direção de arte: José Aguiar e Guilherme Almeida Desenhos de cenário virtual: José Aguiar
Design de cenário real: Guilherme Almeida
Figurinos: Guilherme Almeida
Gritos musicais por Kassandra Speltri
Assistente de arte: Ariane Regina Feliciano de Oliveira Maquiagem: Andrea Tristão
Assistente de maquiagem: Giulia Meschino Efeitos práticos : Meninininhas Fx Adereços e objetos: Michelle Rodrigues Continuista e Still : Nika Braun
Chefe de elétrica : Magnus Lobo
Captação de som direto e Logger : Gustavo Spock Assistente de direção: Daniele Mariano Coordenação de redes sociais: Luisa Bonin Assistente de controladoria: Cláudia Colombo

ELENCO
Michelle Rodrigues - Helen Zola Ed Canedo - J. Clayton Caroline Roehrig - Vonetta Kenni Rogers - Dr. Zola
Paulo Rosa - Criatura / Pai / Camponês / Dalton / Hippie Wagner Corrêa - Delegado
Daniele Mariano - Barbara Thiago Freire - Jonas
Nicolas Caus - Soldados Nazistas Rafaelle Cristina - Luisa

Produção : Infinitas produções Co-produção : Vigor Mortis Produção associada : Biscuvita
ADR realizado nos estúdios da BLACK HORSE

INCENTIVO
FCC/PMC/ Lei de incentivo
Florença iveco
Celepar
APOIO
Black Horse easy Chef venda Oliveira Maniacs
casa das Bolachas maniacs
Cena Hum Padaria america
REALIZAÇÃO:
Infinitas Vigor Mortis Biscuvita

Serviço
A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti
web-série em 10 episódios . Estréia 29 de janeiro de 2022 em YouTube.com/vigormortis Episódios às quartas e sábados.
Os episódios estarão também disponíveis em https://www.facebook.com/vigormortiss e em @vigormortis.art no Instagram

SINOPSE
Na Curitiba de 1959, o detetive Clayton é contratado pela sedutora Helen Zola para investigar seu marido, o enigmático Dr. Zola. Apesar de Vonetta, a melhor amiga de Clayton insistir para ele não pegar o caso, ele aceita e acaba entrando em uma rede de intrigas que leva a verdade sobre a mítica Biblioteca do Dr. Lucchetti, uma coleção de livros que guarda todos os segredos sobre monstros e vampiros.

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