A carreira imprevisível do cantor curitibano Marco D’Lacerda

- Atualizado às 17:53
Por - Clovis Roman, especial para o Bem Paraná
Marco D’Lacerda
Marco D’Lacerda (Foto: Foto: Nay Klym)

O cenário é desolador: bandas não podem fazer shows e o público se vê sem a possibilidade de curtir seus ídolos ao vivo. A pandemia que assolou, e ainda assola, o mundo neste ano, entretanto, abriu um espaço na agenda do cantor Marco D’Lacerda para que ele pudesse concretizar seu antigo sonho de entrar em uma carreira solo. Sempre envolto com bandas de heavy metal ou então fazendo turnês de musicais pelo Paraná, ele teve tempo para finalmente estruturar o disco ‘Imprevisível’, que chega em novembro, e cujas duas músicas saíram como singles: ‘Amor em Quarentena’ e ‘Mundo Canalha’.

Marco D’Lacerda, agora cantando Rock em português, tem quase duas décadas carreira cantando Metal e fazendo musicais. Como estes elementos díspares serviram de amadurecimento para que você chegasse em Imprevisível?
Marco — Pois então, realmente agora são dezessete anos fazendo música em diversos modelos e isso me deu uma gama muito grande de possibilidades de atuação. Os musicais me permitiram ter aprendizados sobre arte e performance distantes de tudo o que o metal já havia me proporcionado, além de contato com um público mais amplo. Imprevisível é realmente um encontro de um pouco de todas estas experiências.

O disco Imprevisível contará com quatro músicas, mostrando uma nova abordagem em sua carreira, antes voltada mais ao Hard Rock/Metal. Como foi fazer esta transição?
Marco — Eu estava há anos transitando entre nichos bastante distantes, e Imprevisível está dentro da gama de diferentes possibilidades destes mundos. Dentro do próprio EP, temos 4 músicas que são opostas e complementares entre si. Está sendo muito natural para mim.

Outro ponto que o distancia dos materiais anteriores, é o fato de cantar em português. Como surgiu esta proposta?
Marco — Eu sempre gostei muito de escrever em português, inclusive por ser minha língua pátria, acho mais fácil e mais fluída para a escrita. Mas apesar disso, tive poucas oportunidades de gravação de material em português, pois o metal e o hard rock tem uma tradição com a língua inglesa. Nunca parecia ser a hora certa, pois estava muito envolvido com outras coisas que consumiam todo o meu tempo e foco artístico. Eu vinha há anos querendo produzir para valer materiais em português.

“Mundo Canalha” canta sobre extremismo político, algo tão comum na sociedade atual. O quão nocivo este comportamento é para o nosso país?
Marco — Creio que já estamos sentindo o impacto da fé cega e do fanatismo relacionados à política no nosso dia a dia. É um assunto delicado, mas que precisa ser discutido. Acredito que seja urgente pararmos com a futebolização da política e tentarmos ser mais racionais e atentos em nossas escolhas. A música toca nessa ferida com um toque de humor ácido, o que gera uma dicotomia, mas é sem dúvida um assunto sério e decisivo para o nosso futuro.

“Ultimo Cigarro” também é um grito de protesto, porém contra vários fatores que podem afetar a vida de uma pessoa. Eram coisas guardadas em seu âmago, esperando para serem liberadas?
Marco — Realmente é uma espécie de desabafo, fazendo assim uma conexão com “Mundo Canalha”, mas ela está numa dimensão mais pessoal e íntima. Ela fala sobre momentos limites, em que percebemos a toxicidade de uma relação e o inevitável e definitivo rompimento desta mesma.

A faixa-título, “Imprevisível”, que clama por liberdade, soa como a antítese dos percalços cantados nas outras canções. Esta epifania lírica libertadora motivou o fato desta ser a música mais pesada do álbum?
Marco — É, acredito que ela seja uma perspectiva positiva sobre a existência, uma espécie de autoafirmação que se faz necessária quando nos sentimos inseguros, desacreditados, ou desconectados de nosso potencial essencial. Esta conexão epifânica com as demais músicas não foi proposital, mas é possível sim relacioná-las, principalmente no que diz respeito à superação de situações adversas, como as cantadas nos versos de “Último Cigarro” e “Mundo Canalha”.

Em épocas onde shows ao vivo não estão acontecendo, como o artista deve se reinventar para se manter?
Marco — É um momento complicado para as artes em geral. O meio do entretenimento e da música, por exemplo, foi o primeiro a parar e, possivelmente, será o último a voltar à normalidade. Temos que resistir e tentar utilizar as ferramentas que nos estão disponíveis, como a internet e a grande conectividade do mundo moderno para sobrevivermos a este momento sombrio.

Seu trabalho solo começou justamente dentro deste momento complicado. Você já estava planejando-o há muito tempo ou a ocasião serviu de estímulo extra?
Marco — Era algo que eu sempre tive vontade de fazer, mas que o grande ritmo de trabalho nunca me possibilitou. Quando veio a pausa das atividades de performance musical devido ao COVID19, me pareceu o momento ideal para trabalhar neste material. Não só para realizar algo numa fase com muitos fatores limitantes, mas também para dar foco positivo à mente, que ficou muito confusa com a quebra abrupta de ritmo e pela saudade dos palcos.


+ do trabalho de Marco D’Lacerda, acesse www.facebook.com/marcodlacerda

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