A arte e os artistas pedem ajuda em tempos de pandemia em Curitiba

- Atualizado às 22:17
Por - Rodolfo Luis Kowalski
Toto Lopes: mais tempo em casa e mais projetos
Toto Lopes: mais tempo em casa e mais projetos (Foto: Franklin de Freitas)

As mudanças impostas pela pandemia do novo coronavírus afetou bruscamente a classe artística. Com os espetáculos e apresentações impossibilitados de acontecer, as aulas e projetos sociais e culturais suspensos, o desemprego e a perda de renda foram alguns dos problemas que se agravaram. E para sobreviver, os artistas estão tendo de criar novas formas de obter apoio do público e também pedem ajuda à população.

Um exemplo é o artista Tanielton Lopes Pereira, conhecido como Toto Lopes. Até março ele dava aula em diversos projetos sociais, mas com a pandemia do coronavírus as atividades foram suspensas e sua renda acabou minguando. Foi quando decidiu voltar a produzir quadros, algo que havia ficado mais de lado por conta da falta de tempo, e acabou tendo a ideia de juntar dois de seus trabalhos, o voluntário e o artístico (há onze anos Toto Lopes atua como voluntário do Hospital Infantil Waldemar Monastier, localizado em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba).

“Sou voluntário do hospital desde o início, pintei as paredes lá, fiz jogo de chão pintado, tudo para tentar colorir de alguma forma a vida dos pacientes, das famílias, que muitas vezes estão num momento de dor, longe de casa. Aí resolvi conversar com o pessoal do hospital, ver se poderíamos tentar fazer algum tipo de vaquinha, se alguém apadrinha quadros bem coloridos, bem alegres e infantis para a gente colocar nos 30 leitos disponíveis”, explica o artista.

A intenção é fazer 30 quadros a partir de 10 desenhos exclusivos feitos por Toto. Apenas com materiais, o custo é de R$ 260 por obra. Na plataforma Vakinha, então, foi lançada uma campanha de arrecadação com meta de conseguir juntar R$ 6.760. O primeiro quadro, no entanto, já foi custeado pelo próprio artista, que já procedeu com a doação ao hospital. “Estou doando minha arte, meu tempo, minha mão de obra, mas não consigo doar tudo, porque também estou num momento de dificuldade. Mas unindo forças, cada um doando um pouco, talvez consigamos atingir a meta dos 30 leitos”.

Situação parecida ainda enfrenta o artista de rua Carlos Alberto Gomes, que você talvez conheça como Palhaço Chameguinho. Sem poder se apresentar na Rua XV, seu palco principal, o artista viu a renda familiar cair de aproximadamente R$ 3 mil para menos de R$ 1,9 mil. A situação só não é pior porque ele conseguiu um emprego numa unidade da Fundação de Ação Social (FAS) de Curitiba, o que vem sendo essencial para ele garantir o mínimo existencial não só para si, mas também para as filhas Eloá, de 3 anos, Eloísa, de um ano e meio, e Elohana, de apenas cinco meses, e a esposa Ariele.

“É triste olhar uma filha pedir leite, pão, e não ter o dinheiro na mão. É algo que acontece diariamente. A nossa renda caiu bastante e eu não posso ikr para a XV. Só estou pedindo a Deus e aguardando”, afirma o artista, explicando que aceita qualquer tipo de ajuda e doação. “Uma cesta básica eu agradeço, se doar fralda eu agradeço, o que poder ajudar eu agradeço”, desabafa.

Novos projetos e reinvenção na crise
Apesar de todos os pesares, ao menos algo de positivo toda a situação envolvendo a pandemia de coronavírus trouxe à vida de Toto Lopes. Com mais tempo em casa, o artista voltou a produzir mais. Além do projeto do hospital, também surgiu a ideia de uma nova coleção de pinturas com o intuito de mostrar como o mundo está hoje. O inusitado é que as obras podem ser vistas naturalmente, mas também na luz nega, onde a obra acende e brilha, e também com óculos 3D.

“A pessoa acaba entrando dentro da pintura. Todos os quadros têm três palavras, que são “fé”, “amor” e “paz”, e as pessoas têm que achar esses termos. Assim a futura exposição pode ser itinerante. A ideia é criar uma prévia online e, depois que passar isso tudo, fazer a exposição com a presença das pessoas”, explica.

Saiba

Como ajudar os artistas
Para ajudar o artista Toto Lopes, uma opção é fazer doação por meio da campanha de arrecadação criada na plataforma Vakinha, que tem o intuito de angariar fundos para a realização do projeto no Hospital Infantil Waldemar Monastier. O nome da campanha é “QUadros para o hospital infantil - Por um ambiente mais alegre” e o ID da vaquinha é 1388566. Outras formas de ajuda e até mesmo a aquisição de obras de arte podem ser conversadas diretamente com o artista por meio do WhatsApp (41) 99700-4853.

O Palhaço Chameguinho, por sua vez, deixa disponível sua conta poupança na Caixa Econômica para o recebimento de contribuições. A agência é 013 e o número da conta, 00006669-2. O CPF do artista é 99657031915. Também é possível entrar em contato com ele pelo número (41) 99924-7332 caso a pessoa queira contribuir de alguma outra forma.

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